A obra Floresta, um tríptico em concreto celular com medida total de 60X90cm, é uma típica representante da inspiração oferecida ao artista pela natureza

Impacto é a primeira sensação que Álvaro pretende provocar com obras como Bambus, um díptico de 30x120cm

O contraste harmonioso do concreto celular com a parede de pedra é evidenciado pela obra Gengibre (60x30cm)

A obra Strelitzia (60x30cm) recebeu intervenções com ferro, um dos materiais que o artista costuma utilizar para criar pequenos detalhes nas peças de concreto

Os peixes em concreto aerado, com dimensão de 90x30cm cada, esculpidos em trípticos, dão a impressão de estar em movimento. Atual­mente, Álvaro se dedica à produção destas peças também em cerâmica

As cabeças esculpidas pelo artista revelam diferentes estados da alma humana

Com precisão matemática e grande sensibilidade, Álvaro modela a argila com ferramentas que ele mesmo cria

Uma visão particular sobre a cabeça da Estátua da Liberdade

Mesmo nas máscaras, o escultor imprime com exatidão as expressões humanas



Fotos e montagem: Victor Emanuel


Especial

Natureza e concreto



     Os termos, com acepções opostas, se unem nas obras do artista plástico Álvaro Goulart para originar peças de extrema beleza e, a despeito de seu tamanho avantajado e densidade do material utilizado, uma delicadeza ímpar. A reprodução de elementos da natureza em painéis esculpidos no concreto aerado (ou concreto celular autoclavado) foi a forma encontrada pelo escultor, um matemático por formação – e, portanto, mais habituado ao convívio com as ciências exatas e aos racio­cí­nios lógicos – de explorar profundamente sua capacidade criativa.
     Ao mudar-se para Itaipava, há cerca de 20 anos, montou seu ateliê em um ambiente cercado de verde, próximo a um pequeno riacho que corta o terreno, e passou a buscar ali a inspiração para a produção de peças que reproduzem plantas, flores, frutas, peixes e fósseis. Fragmentos de elementos arquitetônicos decorativos das fachadas de casarões históricos de Petrópolis, esculpidos também em concreto autoclavado – uma mistura de cimento, cal e areia com pó de alumínio, que resulta em uma textura semelhante a da pedra pomes – formam uma segunda linha seguida pelo artista.
     “O que pretendo com essas peças é gerar algum tipo de impacto; algo que cause um certo espanto por sua forma, tamanho e textura, para, em seguida, gerar reflexão, revelar detalhes e emocionar”, afirma o escultor. À atividade a que vem se dedicando integralmente nos últimos cinco anos ele atribui o poder de ativação de um lado pouco explorado nos anos em que, ainda no Rio de Janeiro, aplicava-se exclusivamente à realização de pesquisas e ao magistério, com incursões na televisão, através da produção de roteiros e apresentação de programas educativos.
     “A vinda para Itaipava foi para tentar coisas novas, quase como ‘abrir a caixa preta’ e botar uma luz no meu lado escuro, embora não acredite que as ciências exatas sejam algo puramente cerebral que não possam causar algum tipo de emoção; minha dedicação à escultura nasceu disso”, analisa.
     Hoje, a produção artística de Álvaro – que se vale do espírito criativo até para a elaboração das ferramentas com que dá forma às peças, criando seus próprios cinzéis e outros instrumentos com que trabalha – está mais concentrada em peças feitas em argila queimada em baixa e alta temperaturas, incluindo a técnica do raku (técnica cerâmica de origem japonesa). Com este material, ele modela máscaras e cabeças de cerâmica que reproduzem diferentes estados da alma humana.
     Nos grandes painéis esculpidos com concreto aerado, que atualmente só produz sob encomenda, ou nas peças confeccionadas em cerâmica, o criador revela sua predileção incondicional pela arte tridimensional – “essa é a minha praia”, faz questão de ressaltar – e atinge plenamente o objetivo de provocar diferentes emoções a partir de formas, cores, volumes e texturas.

Álvaro Goulart Atelier
(24) 2222-2980
www.alvarogoulartatelier.kit.net

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