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Com a Camellia Sinensis, planta que é objeto de estudos em todo o mundo por suas funcionalidades terapêuticas, são produzidos os chás verde, branco, oolong e preto






Fotos: Henrique Magro

Saúde & bem-estar

Chá: o melhor aliado do inverno!

Evaristo Coimbra*

     Com a chegada da estação mais fria e charmosa do ano, a ingestão de calorias é estimulada até mesmo pelo próprio organismo como forma de manter o aquecimento corporal. Com isso, tendemos a aumentar, às vezes inconscientemente, o consumo de diversos tipos de alimentos, principalmente os ricos em calorias: é a pizza, o vinho, o chocolate quente, a macarronada suculenta e as carnes ricas em gorduras; isso sem falar nos doces saborosos, que são quase irresistíveis. Há também tendências ao desestimulo ou à diminuição da prática de atividades físicas. Com tudo isso, tendemos a ganhar alguns quilos a mais no inverno.
     Em contrapartida, podemos aproveitar essa época para iniciar a prática saudável do consumo do chá, aproveitando assim as suas propriedades termogênicas como aliadas e auxiliadoras na queima de gordura de forma saudável e prazerosa. Depois da água, o chá é uma das bebidas mundialmente mais conhecidas e consumidas, ganhando a cada dia toques modernos e sofisticados. Entretanto, ainda existe muita gente que não desfruta de seus variados sabores e benefícios à saúde.
     Atualmente muitos estudos são desenvolvidos para descobrir as funções terapêuticas dessa “milagrosa bebida”. Em sua grande maioria, os chás não possuem contraindicações, mas seu consumo, quando exclusivamente com intenção terapêutica, deve ser orientado e acompanhado por profissional capacitado, uma vez que deve se garantir a forma correta e proveitosa para o alcance dos objetivos, com a utilização mais segura para cada indivíduo.
     Desde a antiguidade até os tempos atuais, muitos povos associam o chá à medicina popular, como a “bebida milagrosa” que proporciona cura e espanta todos os males do organismo. Em regiões em que o acesso à medicina convencional não está disponível, o consumo para fins terapêuticos ainda é muito utilizado, tanto no uso tópico quanto na forma de compressas. Mas vale apontar que nem todas as plantas podem ser utilizadas para o preparo da bebida. Muitas delas apresentam toxidade em sua característica fitoquímica. Seleção das partes a serem utilizadas, forma de preparo, higiene na sua manipulação e quantidade da dose e concentração administradas são aspectos que também devem ser observados.
     O chá é uma bebida preparada principalmente através da infusão, em que grandes partes de seus princípios químicos ativos são extraídas em água quente. Conforme cada tipo de planta, são utilizadas para o preparo partes – como folhas, flores ou raízes – colocadas em descanso na água recém-fervida (aproximadamente a 95oC) por 15 minutos. Depois o chá deve ser coado e consumido em temperatura ambiente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado e podem ser adicionados frutos, ervas ou especiarias para tornar ainda mais saboroso o seu paladar.
     Existem vários tipos de plantas de que se podem fazer chás com propriedades terapêuticas específicas, mas a planta que origina o “chá verdadeiro”, a Camellia Sinensis, provavelmente, foi primeiramente encontrada no sudeste da Ásia. A China é considerada um dos primeiros povos a cultivá-la. Seu uso está registrado a mais de 1.000 anos A.C. Também comumente chamada de Chá Verde, a Camellia Sinensis é muito estudada cientificamente nas suas funcionalidades terapêuticas e propriedades fitoquímicas em relação ao metabolismo, na queima de gordura e melhoria das taxas de colesterol em nosso organismo. São quatro as categorias dos vários tipos de chás preparados com ela: chá verde (não fermentado), chá branco (levemente fermentado), chá oolong (com fermentação média) e chá preto (forte e bastante fermentado).
     Na China bem como no Japão, a tradição e o ritual de tomar o chá da tarde, consumido em copinhos de porcelana sem asas, demora horas. Reza a norma oriental que se a pessoa não consegue segurar o copinho entre as mãos ele está quente demais para ser consumido – uma sábia verdade, pois ingerir bebidas ou alimentos muito quentes podem trazer danos ao sistema digestório.
Dicas para conservar e beber o chá com mais prazer
- o chá preto, quando armazenado em latas fechadas e longe da umidade, dura cerca de três anos; já o chá verde deve ser consumido em aproximadamente até dois anos;
- a forma correta de consumir os chás é sem açúcar ou adoçante, que interferem em seu sabor e aroma; tente se acostumar com o paladar de cada um e aos poucos perceberá naturalmente os sabores e aromas específicos e maravilhosos que cada um proporciona, além do bem estar físico e mental inigualáveis;
- experimente colocar um pouquinho de leite (de preferência ao semi-desnatado) e gotas de limão quando consumir o chá preto;
- prefira sempre a erva a granel às vendidas em saquinhos do tipo sachê, pois o cloro usado no clareamento do papel da embalagem pode alterar o sabor da bebida;
- para acompanhar o chá, biscoitinhos amanteigados e bolos são uma boa pedida, mas lembre-se: COM MODERAÇÃO!!! Seja o motivo qual for, terapêutico ou simples prazer, o chá é um excelente coadjuvante cotidiano para quem procura qualidade de vida, saúde, bem estar físico e mental. Principalmente nesta época do ano, um bom chá quente aquece o corpo e a alma, sacia a sede e revigora o coração, trazendo alegria e prazer no dia-a-dia. Portanto, salute!

* Evaristo Coimbra é nutricionista especializado em reeducação alimentar e nutrição esportiva e atende às sextas-feiras e sábados na HOLOS Fisioterapia
(Green Shopping – Estrada União e Indústria, 11.775/salas 4 e 5 – Itaipava), com hora marcada antecipadamente.
Telefone: (24) 9962-9493
www.evaristocoimbra.com.br contato@evaristocoimbra.com.br
evaristonutricao@gmail.com



FARMÁCIA EM CASA

O livro Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas, de Harri Lorenzi e F.J. Abreu Matos, já em sua 2a edição (2008) e disponível pelo site do Instituto Plantarum (www.plantarum.com.br), é um guia completo de plantas e suas propriedades terapêuticas. Uma ótima fonte para quem deseja conhecer seus benefícios. Veja alguns deles:

Alecrim (Rosmarinus offinalis): seu uso medicinal, por via oral, emprega as folhas como chá (infusão) indicado para os casos de má digestão, gases do aparelho digestório, dor de cabeça, dismenorreia (cólica menstrual), fraqueza e memória fraca; é também diurético, colagogo (provoca a secreção biliar) e anti-inflamatório; em uso tópico local é cicatrizante, antimicrobiano e estimulante do couro cabeludo.

Alfazema (Lavandadula angustifolia): na medicina popular, principalmente as inflorescências e menos frequentemente as folhas que são consideradas estimulantes, é usada para ação digestiva, antiespasmódica, tônica, calmante dos nervos e antimicrobiana; é utilizada ainda no tratamento de insônia, nevralgia, asma brônquica, cólicas e gases intestinais, asma, bronquite, tosse, catarro e gripe, sinusite, depressão, insônia, vertigens, cistite e enxaqueca.

Camomila (Chamomilla recutita): na forma de chá de suas inflorescências é considerado estimulante das funções hepáticas, evitando os cálculos renais, e digestiva, evitando gastrite e úlcera.

Catuaba (Erythroxylum vacciniifolium): uma das mais populares, seu uso por via oral através de infusão é empregado contra impotência sexual, sistema nervoso, neurastenia, nervosismo, memória fraca, insônia, hipocondria.

Erva-cidreira (Cymbopogon citratus): utilizando-se as folhas frescas, a seu chá de sabor agradável são atribuídas as ações calmante e espasmolítica (ou antiespasmódica).

Erva-doce (Stevia rebaudiana): suas folhas são utilizadas como adoçante, principalmente para o chá mate, muito consumido no sul do país; seus glicosídeos são os responsáveis pelas características adoçantes, sendo o mais doce o esteviosídio, com capacidade adoçante 300 vezes maior do que a da sacarose (da cana de açúcar) e o mais apropriado para diabéticos.

Hortelã (Mentha arvensis): seu uso é aproveitado tanto na gastronomia como para fins medicinais, tem propriedades antidispéptica, antivomitiva, descongestionante nasal e antigripal.


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