A Mazeppa, que transportou D. Pedro II na inauguração da União e Indústria, recebeu este nome (que homenageia um dos 13 poemas líricos de Franz Liszt, composto em 1851) de seu proprietário o Comendador Mariano Procópio, um grande apreciador de óperas e detentor da concessão da estrada por 50 anos

Grande maquete da primeira estrada macadamizada do Brasil

Construído em 1856, o prédio é o único remanescente entre as doze “estações de muda” da União e Indústria

Apesar de sua importância histórica, o rolo compressor de granito que compactou a pista da União e Indústria fica na área externa do museu, sem qualquer proteção contra a ação climática



Peças inusitadas, como escafandros utilizados para a construção das fundações das pontes e taxímetros de antigos carros de praça são também curiosidades reunidas pelo museu

O rolo compressor a vapor, de origem alemã, é datado do século XIX

O trole francês do século XIX, muito utilizado nas fazendas dos barões, também integra a coleção

Um dos poucos exemplares ainda existentes no Brasil, a motocicleta Harley-Davidson de 1,6 mil cilindradas era usada pela polícia rodoviária do estado da Guanabara

Uma “cadeira de arruar”, ou liteira, utilizada mais comumente nos centros urbanos, foi doada pelo Museu Histórico Nacional ao acervo do museu de Levy Gasparian e é a peça mais antiga da coleção, datada do século XVIII


Fotos: Henrique Magro

Memória

Museu Rodoviário



     Imagine uma jornada de 12 horas em uma carruagem puxada por seis cavalos e com paradas periódicas para a substituição desses animais. Eram assim as viagens de Petrópolis a Juiz de Fora nos primórdios da Estrada União e Indústria, que recentemente completou 150 anos. A oitava “Estação de Muda”, localizada no município de Comendador Levy Gasparian e única sobrevivente entre as doze que se espalhavam pelo caminho, contribui pa­ra a visualização do quadro. O prédio de 1856 foi inaugurado pelo Imperador Pedro II, que na mesma ocasião celebrava a abertura da pri­meira estrada macadamizada do Brasil, fazendo o percurso entre as cidades fluminense e mineira a bordo da “Mazeppa”.
     Infelizmente, o prédio – transformado em 1972 pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em museu rodoviário – que guarda esta e outras memórias da engenharia de rodagem do país, está com sua estrutura comprometida pela ação de cupins de solo, muito comuns na região, e fechado para visitação. As peças que compõem o que poderia ser um dos mais ricos acervos dedicados ao tema (este é o único museu do gênero na América do Sul) também sofrem com a ação do tempo e a falta de conservação. Além de veículos representativos de diferentes épocas, o museu reúne ainda documentos originais, como cartas e fotos referentes à construção da rodovia.
     Embora a atual gestão – a prefeitura do município é responsável pela administração do museu desde o fechamento do DNER, em 2011 – anuncie a existência de um projeto (não divulgado) para sua revitalização, entraves como custos altos e necessidade de autorizações pelos órgãos competentes para obras na construção, tombada na década de 50 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mantêm a iniciativa estacionada.
     Obstáculos financeiros e burocráticos à parte, esse período da história está, ainda que de forma inadequada, conservado ali e a Estações de Itaipava foi conferir de perto essas memórias, que, afinal, todos gostaríamos de ver preservadas. Por enquanto, as visitações permanecem como práticas do passado; mas a torcida é para que, em um futuro breve, relíquias como a Mazeppa e tantas outras guardadas ali sejam recuperadas, recebam a manutenção adequada e possam ser apreciadas pela população ao vivo e em cores.

Museu Rodoviário:
(24) 2254-2389


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