A piscina biológica do Condomínio Ecológico Vale do Tinguá foi o primeiro projeto realizado por Luís Filipe Pereira no Brasil e seus proprietários a batizaram de Lago de Mergulho Contemplativo

A água cristalina é uma das características marcantes; neste projeto realizado em Cádiz, na Andaluzia, no sul da Espanha, as áreas de natação e regeneração podem ser distinguidas com nitidez

A piscina construída em uma residência em Andorra – país situado na cordilheira pirenaica, entre a Espanha e a França – é um belo exemplo de como um jardim aquático pode criar harmonia no paisagismo

Para dar um charme extra aos lagos, decks de madeira podem ser incorporados aos projetos

Os projetos bem estudados e os materiais de alta resistência permitem que as piscinas se localizem bem próximas às construções, como neste exemplo de Barcelona (Espanha)

Versatilidade: nesta localidade de Cape Town, África do Sul, um projeto em que as áreas de natação e regeneração (disposta apenas em uma das laterais) têm quase o mesmo tamanho

As piscinas podem ter os mais diferentes aspectos e elementos, como nesta também localizada em Cape Town, que inclui um romântico quiosque ao fundo

A manutenção dos jardins aquáticos é bastante simples e resume-se basicamente ao recolhimento das folhas mortas para impedir a proliferação de nutrientes indesejáveis

As nenúfares, ou ninféias, são exemplos de plantas aquáticas que podem ser utilizadas nas piscinas biológicas

De tão natural, esta piscina localizada em Cape Town nem parece ter sido feita pelas mãos do homem

Centro da cidade de Freiburgo, a “Cidade Verde”, que investe em meios de transporte de massa limpos, com prioridade para pedestres e bicicletas, na drenagem naturalizada, na regeneração de rica biodiversidade e na proteção das florestas, corpos d’água e aquíferos

O centro poliesportivo localizado na área central de Rieselfeld é uma construção com teto verde onde se pode praticar esportes durante todo o ano; na parte externa, extensos gramados possibilitam as atividades físicas e o lazer nos meses com temperaturas mais amenas



Vista de rua em Vauban, bairro ecológico mais recente de Freiburgo. A prioridade é para pedestres e ciclistas, com fácil acesso por VLT. Pisos porosos e rica vegetação também fazem parte do projeto. Nesta rua de uso múltiplo (VLT, pedestres e ciclistas), pontos de comércio e serviços atendem às necessidades dos moradores, que não precisam se deslocar em seu cotidiano

Corredor verde ao longo do rio principal em Freiburgo: são mais de 9 Km de via exclusiva para pedestres e ciclistas que corta a cidade

O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) – que circula sobre superfície permeável, coberta por vegetação herbácea – foi projetado para evitar o uso de carros no bairro de Rieselfeld. A conexão com o resto da cidade é rápida, barata e segura

Rua no bairro de Rieselfeld com muro feito com gabiões, por onde os fluxos das águas escoam e a biodiversidade se regenera; os pisos são drenantes, com canteiros em vegetação com estética ecológica em harmonia com a natureza

O sistema multifuncional de drenagem naturalizada do bairro de Rieselfeld faz parte do parque que se insere na malha urbana do bairro oferecendo inúmeros serviços ecossistêmicos para a população da cidade. A lagoa de detenção das águas acomoda o excedente, evitando enchentes em dias de chuva forte; em períodos normais, é utilizada de várias maneiras por pessoas de todas as idades e classes sociais




Capa

Soluções verdes

Alternativas sustentáveis para residências e espaços públicos

Piscinas Biológicas :: Fotos: Divulgação/Luís Pereira

     Nadar em águas puras e cristalinas sem sofrer os efeitos nocivos de agentes químicos inerentes às piscinas convencionais não é mais uma prerrogativa dos que têm a sorte de viver nas proximidades de rios e lagos naturais ainda preservados. As piscinas biológicas, uma proposta inovadora que já faz sucesso em países dos cinco continentes, chegaram recentemente ao Brasil. E o melhor: a novidade desembarcou diretamente em Itaipava, onde o português Luís Filipe Pereira – um autodidata na arte do paisagismo aquático e representante da empresa sul-africana Ecopools, além de membro extraordinário para o Brasil da IOB (International Organization for Natural Bathing Waters) – se estabeleceu.
     Também denominadas piscinas orgânicas ou eco piscinas, as piscinas biológicas são compostas basicamente de duas áreas contíguas e distintas: a de natação, onde, na maioria dos projetos, não são introduzidas plantas, e a de regeneração, onde ficam instalados os jardins aquáticos – reproduções perfeitas de lagos naturais com todos os elementos pertinentes a estes biótipos. A purificação da água é realizada através destas plantas, de microrganismos presentes no ambiente e ainda por filtros biomecânicos, responsáveis pela filtragem da matéria orgânica em suspensão.
     “Estes biossistemas funcionam porque utilizamos os princípios do biomimetismo, ou seja, a reprodução exata do que ocorre na natureza. O processo é complementado com a ajuda das bactérias benéficas presentes nestes ambientes. Portanto, o que fazemos é, basicamente, criar um ambiente propício ao desenvolvimento destas bactérias, instalando nas áreas de regeneração verdadeiros hotéis cinco estrelas para que estes microrganismos se encarreguem do processo biológico de depuração da água”, explica Luís Pereira, que no Brasil trabalha em parceria com a Arquitetura Positiva, empresa recém-criada em Itaipava pelo arquiteto Jorge Fernando Gaiofato Pires, proprietário da Aditivos Petrópolis, para desenvolver por aqui os projetos das piscinas biológicas com a tecnologia Ecopools.
     Além de contribuir para a saúde dos usuários –que durante o banho não ficam expostos à ação do cloro ou de qualquer outro agente químico que possa causar danos a olhos, pele, cabelos e ainda o agravamento de problemas alérgicos ou respiratórios – as eco piscinas são importantes aliadas na gestão do impacto ambiental, uma vez que não exigem trocas periódicas de água, como se verifica nas convencionais. Na contramão desta situação extremamente prejudicial ao meio ambiente – em que a água morta e poluída por agentes químicos, é, invariavelmente, absorvida pelos lençóis freáticos a cada substituição –, as piscinas biológicas não demandam este procedimento, uma vez que quanto mais tempo decorrido maior o equilíbrio do sistema.
     “Também adotamos um sistema especial de bombeamento, com alto rendimento e baixo consumo energético. As bombas que utilizamos, importadas da Europa, conseguem movimentar cerca de 45 mil litros de água por hora, com apenas 500 watts”, declara o especialista, que realizou seu primeiro projeto em terras brasileiras no Condomínio Ecológico do Vale do Tinguá, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
     De acordo com ele, estes são fatores que contribuem também para que o custo de uma piscina orgânica seja, no cômputo geral, inferior ao das convencionais. Embora os custos para a construção sejam superiores, e variem bastante de acordo com o design e materiais escolhidos, o baixo consumo de energia e a descomplicada manutenção da qualidade da água acabam, em longo prazo, compensando a diferença. A única manutenção exigida é a poda e o recolhimento das folhas mortas do jardim aquático para que não sejam gerados nutrientes capazes de propiciar a proliferação de algas microscópicas que tornam a água verde.
     Os projetos podem ter as mais diversas configurações, com os jardins aquáticos instalados ao redor de toda a área de natação, apenas nas laterais ou mesmo bem afastados do local apropriado para mergulhos – uma alternativa para os que preferem manter distantes eventuais visitantes como sapos, pererecas e outros bichinhos comuns em jardins. Esta, entretanto, não é a solução mais recomendada pelo especialista: “são estes animais os responsáveis por eliminar os ovos de mosquitos, que tanto incomodam quando estamos à beira de uma piscina, seja ela química ou biológica; no caso destas últimas é o próprio ecossistema que se encarrega de eliminar os focos de insetos”.
     Os substratos usados no fundo das piscinas são também diferenciados de acordo com os locais onde são construídas. Podem ser utilizados materiais como seixo de rio (no Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, sua comercialização não é permitida), rochas, granitos e outros tipos de minerais. A profundidade também é variável, mas, ao contrário das construções convencionais, que têm normalmente 1,40 metro em média, os lagos são projetados para ter áreas mistas em que a profundidade pode chegar a até 2,50 metros. As razões, de acordo com Pereira, são a segurança para os mergulhos e, especialmente, o perfeito funcionamento de todo o sistema exigido para este tipo de projeto.
     A temperatura da água é superior à das piscinas que passam por processos químicos, mas neste aspecto os agentes nocivos não tem influência direta. São os revestimentos usados os responsáveis por manter a água mais quentinha. “A impermeabilização é feita com mantas de borracha EPDM, que, por razões de durabilidade, leva carbono em sua composição, o que não permite que sejam pigmentadas com outra cor. As paredes são sempre negras, o que também acaba conferindo um aspecto mais natural aos lagos, e a incidência dos raios solares gera uma espécie de energia térmica. É para manter a regulação do sistema, inclusive sobre a temperatura da água, que temos o cuidado de fazer as tubulações bem profundas e fluxos bem estudados”, detalha Pereira.
     As dimensões também podem variar bastante de acordo com o espaço disponível, mas o especialista não indica um tamanho inferior a 100m2 para projetos executados em locais onde o clima é muito quente. Ele argumenta que quando a temperatura da água se eleva muito a produção de oxigênio diminui, causando prejuízos às plantas e o desequilíbrio de todo o sistema. Os projetos procuram privilegiar plantas típicas das regiões em que as piscinas serão instaladas, mas nem sempre é possível encontrar localmente viveiros de plantas aquáticas adequadas.
     “No Rio de Janeiro, por exemplo, a maioria dos produtores cultiva plantas para aquários, que não são as indicadas para este fim por questões de circunstâncias de temperatura e luminosidade, diferentes das verificadas nos lagos naturais; então, costumamos trabalhar com espécies cultivadas em São Paulo. As plantas –com suas características específicas quanto à capacidade de absorção e digestão de nutrientes, por exemplo – são um fator importantíssimo para a manutenção do ecossistema”, esclarece.
     As piscinas biológicas podem ser construídas a partir de um projeto original, com os mais diferentes formatos, ou ainda com o aproveitamento da piscina convencional já existente na propriedade. Alguns projetos são tão sofisticados que incluem até telhado verde (outra louvável tendência paisagística que vem se estabelecendo por aqui) para refrescar o compartimento onde se localiza o motor da bomba de ar. Como se não bastassem todos os benefícios proporcionados a seus usuários e ao planeta de modo geral, esses lagos são absolutamente lindos e se integram perfeitamente ao jardim, proporcionando um paisagismo harmonioso e que ainda faz as vezes de área de lazer. Tomara que a moda pegue!


Infraestrutura Verde Fotos: Cecília Herzog

     As contribuições do paisagismo para o controle do impacto ambiental têm se apresentado como pauta constante de debates não apenas quando se trata de soluções residenciais como as piscinas biológicas. Também no que concerne aos centros urbanos, localizados em grandes metrópoles ou em cidades como Petrópolis, a questão começa a ser pensada por profissionais da área como forma de evitar a contaminação de rios, lagos e mares, e ainda problemas trazidos pelas chuvas para as populações.
     A engenheira agrônoma e sócia do Arteiro, empresa de Itaipava especializada em projetos de paisagismo, Daniela Wöllner Infante Papa é uma dessas profissionais. Sua tese A utilização de áreas verdes urbanas para mitigação dos impactos ambientais – apresentada como conclusão do curso de Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente, realizado na COPPE/UFRJ entre 2009 e 2010 – trata, além de outros conceitos pertinentes ao tema, de soluções muito simples para estes problemas.
     O objetivo principal do trabalho é demonstrar que o modelo urbano atual deve ser modificado para uma melhoria necessária e urgente. “Através do paisagismo sustentável e da criação de uma infraestrutura verde, mitigamos vários impactos com a utilização de biovaletas, tetos-verdes, pisos permeáveis, vegetação nativa e jardins-de-chuva. É preciso também ressaltar a importância dos profissionais envolvidos com o desenvolvimento das cidades, alertando que as ferramentas para as mudanças já existem, basta colocá-las em prática”, conclama a engenheira.
     Cecília Herzog - paisagista ecológica, especialista em Preservação Ambiental das Cidades e mestre em Urbanismo, pelo PROURB-FAU-UFRJ – é a superintendente geral do INVERDE (Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana) e defensora entusiasmada das soluções simples para a criação de cidades sustentáveis. Ela está preparando o livro Cidades para o Século XXI: (re)aprendendo a conviver com a natureza, em que aborda os fatores que nos trouxeram a cidades tão insustentáveis e os caminhos que podemos seguir, com a introdução simples a conceitos de importância vital para a compreensão dos imensos desafios que estamos enfrentando. Estudos de caso de cidades que estão oferecendo qualidade de vida através de soluções baseadas em mimetizar a natureza , ou seja, pela adoção da infraestrutura verde, também são apresentados na obra.
     O lançamento do livro está previsto para junho deste ano e a especialista cedeu para a publicação em Estações de Itaipava fotos ilustrativas de sua autoria e que mostram a cidade de Freiburgo, na Alemanha, uma entre as muitas que visitou e que considera um modelo quando o assunto é sustentabilidade. “Freiburgo é tida como a ‘Cidade Verde’ por inúmeras razões: convívio em harmonia com a natureza, com áreas de recreação, lazer e contemplação dentro de locais densamente urbanizados. Além disso, é pioneira em pesquisa e implantação de geração de energia solar e construções com conservação total de energia”, enumera.
     Algumas das soluções paisagísticas defendidas por ambas como forma de mudar de modo significativo os centros urbanos são simples e pouco dispendiosas. Veja maiores detalhes sobre cada uma delas:
Tetos-verdes – A técnica consiste na aplicação e uso de solo e vegetação sobre uma camada impermeável instalada na cobertura de casas, prédios residenciais ou comerciais e outros tipos de edificações. Uma alternativa viável e sustentável em contraste aos telhados e lajes tradicionais, porque facilitam o gerenciamento de grandes cargas de águas pluviais, propiciam melhorias térmicas, mantendo os prédios protegidos de temperaturas extremas, especialmente no verão. Outro benefício é a amenização da poluição do ar pela filtragem de gases poluentes.
Jardins-de-chuva – Depressões independentes próximas à casas e à outras construções para coletar o escoamento superficial de telhados, ruas e quintais, permitindo a infiltração das águas pluviais no solo. A criação de um jardim-de-chuva para o tratamento paisagístico de uma determinada área requer um investimento mínimo. O paisagista deverá trabalhar o modelado do terreno para direcionar as águas pluviais para esse local destinado a infiltrar a água de enxurrada, sem perder área alguma de jardim. Biovaletas – Nas biovaletas o principio é o mesmo dos jardins-de-chuva, porém são mais utilizadas para absorver as águas pluviais de calçadas ou ruas, ou de outros pisos impermeáveis como os de estacionamentos.
Pisos permeáveis – Os pisos permeáveis permitem a infiltração da água no solo e removem poluentes. Áreas com pedriscos, malhas de concreto preenchidas com grama e pavimentos com blocos, são alguns exemplos. Este tipo de piso ainda é muito questionado por engenheiros devido à sua maior manutenção. Porém, são uma tendência que vem ganhando força pela crescente conscientização ambiental.


Luís Filipe Pereira
(21) 9987-4486 | jardi.luispereira@gmail.com

Arquitetura Positiva
Estrada União e Indústria, 13.786 - Itaipava | (24) 2222-4402

Daniela Wöllner Infante Papa - Arteiro
(24) 2222-1172 | 2222-3013 | www.arteiro.com.br

Cecília Herzog - Inverde
http://inverde.wordpress.com | inverde.mail@gmail.com

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