Após a avaliação postural, os pacientes passam por uma análise minuciosa no baropodômetro, aparelho computadorizado capaz de detectar diferentes tipos de pés e pisadas

O passo seguinte à analise pelo baropodômetro é a medição de tamanho e formato dos pés, com a ajuda de almofadas especiais, para a confecção das palmilhas personalizadas

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A tipologia dos pés e as características das pisadas são verificadas por meio de gráficos detalhados que permitem um laudo preciso, sem qualquer chance de falhas

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Os pontos dos pés, em postura estática ou dinâmica, que sofrem a maior pressão do corpo ficam claramente visíveis; as áreas assinaladas pela cor vermelha são aquelas expostas aos maiores níveis

As palmilhas são submetidas a um aumento de temperatura para que sejam moldadas com precisão e possam oferecer o maior conforto possível ao usuário

Os elementos confeccionados em etil-vinil-acetato (EVA) são distribuídos pelo interior das palmilhas para permitir a reorganização do corpo através de estímulos em pontos específicos dos pés




Fotos: Henrique Magro

Saúde & bem-estar

Podoposturologia



     Parece um palavrão, mas, na verdade, o termo descreve uma técnica que, ao combinar a avaliação postural à analise detalhada da pisada, é capaz de oferecer conforto e alívio a pessoas que sofrem dos mais diversos males. Provocados ou agravados por alterações nos padrões posturais, estes problemas podem desencadear dores na região lombar, quadris, joelhos, tornozelos e pés.
     O método, coadjuvante nos tratamentos fisioterápicos, inclui a medição dos níveis do quadril e da tensão das musculaturas lombar e cervical, por meio de apalpações, e uma avaliação, minuciosa pelo baropodômetro, aparelho que reproduz no monitor do computador o tipo de pé do paciente (normal, plano ou cavo) e seus padrões de deslocamento com a análise dos pontos de pressão plantar exercido pelo corpo em posição estática ou dinâmica.
     A partir dessas avaliações, são confeccionadas palmilhas personalizadas com a inserção de “elementos” – pequenas peças em EVA (etil-vinil-acetato), com espessuras que variam de 1 a 5 mm – em pontos específicos para que se possa corrigir as assimetrias posturais, nivelar a bacia e diminuir a torção de tronco, contribuindo para uma melhora da congruência das articulações e amenizando a sobrecarga na coluna vertebral, joelhos e pés.
     “O objetivo da palmilha postural não é tratar lesões, mas buscar o equilíbrio pela retirada da sobrecarga imposta a determinados pontos do corpo, realizando um trabalho de apoio à fisioterapia convencional”, explica o fisioterapeuta Rafael Straub dos Santos, que, desde o final de 2011, oferece a técnica nos núcleos de Petrópolis e Itaipava da clínica Holos Fisioterapia.
     A premissa é a busca da melhora da mecânica do corpo e as palmilhas posturais se diferenciam das ortopédicas, já bem conhecidas, pela forma com que atuam. Enquanto as ortopédicas limitam-se a compensar problemas anatômicos verificados especificamente nos pés, as posturais atuam através de estímulos para que o próprio corpo possa se organizar. A técnica pode ser também aplicada de forma preventiva, especialmente para evitar lesões originadas pela pisada incorreta durante a prática de esportes. Como método terapêutico, as indicações mais comuns, de acordo com o especialista, são para esporão de calcâneo (tumor ósseo benigno no osso do calcanhar), fascite plantar (inflamação do tecido denso na sola do pé), lombalgia e pés chatos ou cavos, além de dores em diferentes pontos dos membros inferiores do corpo causadas por qualquer tipo de alteração mecânica ou mesmo por sobrepeso e obesidade.
     Mulheres que usam e abusam do salto alto também são propensas a problemas passíveis de tratamento pela podoposturologia. “Os sapatos altos costumam provocar dores no antepé e os de bico fino propiciam a formação de joanetes”, alerta o fisioterapeuta. Ele observa que as palmilhas não se adaptam a estes tipos de calçados e a maior dificuldade no tratamento é convencer as pacientes a abandonar o hábito em prol de um maior conforto para os pés. Os tênis e as sandálias de tiras, que não pressionam os dedos, são os calçados mais recomendados para acomodar as palmilhas moldadas.
     Para resultados mais eficazes na utilização de outras terapias como, por exemplo, a Reeducação Postural Global (RPG) as palmilhas são também fortemente indicadas. “Este é o complemento ideal para a RPG, pois é uma forma de, cotidianamente, dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo fisioterapeuta nas sessões que, de modo geral, são realizadas semanalmente por períodos de 60 minutos”, acentua o especialista.
     A confecção das palmilhas é realizada em uma consulta com diferentes etapas e que consomem duas ou três visitas ao fisioterapeuta, dependendo dos ajustes necessários ao tamanho da peça para sua perfeita adaptação ao calçado. Uma reavaliação é feita em um prazo de quatro a seis meses para que seja verificada a necessidade de substituição dos elementos ou das próprias palmilhas, que têm, em média, um ano de vida útil.

LESÕES: QUANDO USAR CALOR OU FRIO?
Por Marcelo Pring Tinôco*



     O uso do gelo em lesões traumáticas – também chamado de crioterapia, ou seja, terapia pelo frio – tem como objetivo retirar o calor do corpo, preservando a integridade das células nos tecidos lesados, proporcionando desta forma uma reparação mais rápida e com menos danos estruturais. Mas em que momento devemos aplicar a terapia pelo frio para obtermos seus benefícios? Basicamente, quando for lesão traumática com evidencia de edema (inchaço) e imediatamente após o trauma, logo nos primeiros 5 minutos pós-trauma, com aplicações repetidas a cada duas horas (fase aguda).
     Dentre as alterações fisiológicas causadas pelo gelo, a vasoconstricção (diminuição do calibre dos vasos sanguíneos) diminui o fluxo sanguíneo local e a dissociação do oxigênio da hemoglobina. Isto faz com que o oxigênio chegue às células e o extravasamento sanguíneo para o meio dos tecidos também fique diminuído, evitando assim a formação de grandes edemas e lesões secundárias. A diminuição dos espasmos musculares, das transmissões nervosas e do metabolismo celular são outras propriedades do gelo que têm como consequência a diminuição da dor (efeito analgésico), além da inibição do crescimento e reprodução das bactérias, tornando-as mais suscetíveis ao ataque do sistema imunológico e dos antibióticos.
     Para que possamos entender quando usar o gelo nas lesões traumáticas, precisamos conhecer algumas de suas propriedades e características. Podemos dividi-las em dois grupos básicos: lesões primárias, que são danos estruturais causados nos tecidos que sofreram o trauma (tecido muscular, tecido ósseo etc.), e aquelas causadas por hipóxia secundária, ou seja, quando ocorrem pela falta de oxigênio nas células – que nas lesões traumáticas pode ser dada por derrame (o sangue extravasa para o meio dos tecidos devido a danos vasculares, formando o edema ou hematoma) e pela hemorragia. Na prática clínica da crioterapia está evidente que o uso do gelo traz vantagens por seu baixo custo, abrangência da ação e fácil aplicação da técnica.
     Já a termoterapia, aplicação terapêutica com o auxilio do calor superficial ou profundo, proporciona ao paciente uma sensação mais agradável e confortável, porém limita-se apenas a casos em que o objetivo é  aumentar o metabolismo celular através da dilatação dos vasos sanguíneos. Desta forma, aumenta-se o aporte de sangue e, consequentemente, o alívio das dores pela estimulação tátil aferente, diminuindo a rigidez articular e promovendo relaxamento muscular. A termoterapia deve ser aplicada sempre na fase crônica das lesões, em que não há edema ou hematoma. Jamais utilize calor em lesões agudas com sinais claros de inflamação como edemas (inchaço) e vermelhidão local; isso provoca o aumento da lesão!

*Fisioterapeuta e proprietário da Holos Fisioterapia


Holos Fisioterapia
Estrada União e Indústria, 11.775/loja 03 – Itaipava
(24) 2222-1759
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(24) 8115-1597


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