A Catedral São Pedro de Alcântara, consagrada ao santo padroeiro do império brasileiro, teve suas obras de restauração concluídas em setembro de 2004

O projeto de restauração da Catedral incluiu reformas nas áreas interna e externa, devolvendo a magnitude à construção iniciada em 1884

Na Capela Imperial, um mausoléu abriga os restos mortais de Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina, da princesa Isabel e do conde D´Eu; os túmulos ostentam suas figuras esculpidas em mármore de Carrara. Ao fundo, um altar gótico guarda relíquias de São Magno, Santa Aurélia e Santa Thecla

Construida pelo Barão do Catete, a casa que hoje abriga a Prefeitura de Petrópolis, na Avenida Koeler, hospedou o presidente Campos Salles em várias temporadas na serra


A antiga Companhia Petropolitana, edifício hoje denominado Conjunto Fabril da Cascatinha, foi fundada como indústria têxtil em 1873 e chegou a empregar 5 mil operários antes de sua paralisação em 1960.
Foto: divulgação

Ainda na Koeler, o palacete construído pela família Gomensoro, hospedou os presidentes Arthur Bernardes e Washington Luiz. Hoje funciona um colégio

Detalhe, em foto de 2005, do edifício fabril da Cascatinha, construído em pedra e estrutura metálica

O Palácio de Cristal foi um presente do Conde D’Eu para a Princesa Isabel e hoje é um dos mais representativos cartões postais da cidade

Com estrutura em ferro fundido e vidros vindos da França, o palácio, inspirado no Crystal Palace de Londres, foi a primeira construção pré-fabricada do Brasil


A foto de Marc Ferrez (1885) documenta a Princesa Isabel (ao centro) no Palácio de Cristal, encomendado pelo conde D’Eu para funcionar como sede da Associação Agrícola e Hortícola de Petrópolis, entidade mantida pela princesa.
Arquivo Museu Imperial

Em um dos atuais pontos de ligação entre a BR-040 e a União e Indústria (ponte do Arranha-Céu, à direita), em Itaipava, estabeleciam-se na década de 1960 a estação ferroviária, a praça São Jorge e o Hotel do “Zé Ganha-Pouco”, um dos precursores da atividade que até hoje movimenta a economia da cidade




A Ponte dos Arcos, em registro da década de 60, e nos dias atuais, com sua configuração original alterada.
Arquivo de D. Tereza Serpa

O Hotel dos Estrangeiros , localizado na atual Rua do Imperador, já evidenciava a vocação turística de Petrópolis. O registro, do ano de 1874, é do francês Revert Henrique Klumb, fotógrafo da Imperial Academia de Belas Artes, estabelecido em Petrópolis a partir de 1865.
Arquivo Museu Imperial

Com suas águas ainda limpas, o Rio Piabanha era um dos pontos de lazer da população na década de 1940; a moça posa sorridente na prainha formada sob a ponte do Arranha-Céu, em Itaipava.
Arquivo de D. Tereza Serpa

O registro do Armazém dos Víveres, na Rua D. Januária (atual Marechal Deodoro), em foto de 1874, é um exemplo de obras de Klumb com foco no cotidiano de Petrópolis. O artista, que ficou também conhecido por fotografar paisagens e plantas, publicou, em 1872, o livro Doze horas em diligência – Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, uma das primeiras obras de fotografia publicadas no Brasil.
Arquivo Museu Imperial

Palácio Imperial e trecho da Rua do Imperador, em foto panorâmica de Leuzinger, feita também por volta do ano de 1865. O suíço foi o primeiro fotógrafo radicado no Brasil a receber uma premiação internacional, com trabalhos apresentados na Exposição Universal de Paris (1867).
Arquivo Museu Imperial

Trecho do Rio Piabanha, por volta de 1865, em imagem registrada por George Leuzinger; de nacionalidade suíça, o artista foi um dos primeiros a comercializar vistas e paisagens do Brasil no exterior.
Arquivo Museu Imperial


A foto da família imperial na varanda da casa da Princesa Isabel - feita em maio de 1889 e conhecida como o último retrato da família antes do exílio - é a mais famosa de Otto Hess, que herdou os clientes ilustres do pai, Philip Peter Hess, alemão que chegou a Petrópolis em 1845, junto com os primeiros colonos que se estabeleceram aqui.
Arquivo Gão-Pará

Vista do bairro da Presidência. Litogravura de Tirpenne a partir de foto de Frond (1859), artista que chegou a manter um estúdio no Rio de Janeiro entre 1858 e 1862.
Arquivo Museu Imperial

De autoria não identificada, a foto de 1890 mostra a residência da família Hess, com o ateliê fotográfico ao lado, no Largo do Afonso.
Arquivo Museu Imperial


A litogravura de S. A. Sisson feita a partir de foto do francês Jean Victor Frond, mostra as princesas D. Isabel e D. Leopoldina (1859). De suas produções sobre Petrópolis são conhecidas apenas as versões litográficas dos originais fotográficos publicados em sua obra Brésil Pittoresque (Brasil Pitoresco).
Arquivo Museu Imperial

O Palácio Imperial foi transformado em museu por decreto assinado, em 1940, pelo então presidente Getúlio Vargas, que inaugurou a instituição oficialmente em 16 de março de 1943




A caderneta de viagem escrita por D. Pedro II e o desenho do Morro de São Paulo, (1859) que atesta os dotes artísticos do imperador, fazem parte da coleção “Conjunto documental relativo às viagens do imperador d. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo”, incluída no projeto da UNESCO que confere nominação para o Registro Nacional do Programa Memória do Mundo
Arquivo Museu Imperial

No Museu, uma sala reservada para as pinturas guarda obras importantes e representativas de diferentes períodos

O Museu mantém um cronograma de limpeza, conservação preventiva e restauração de todo o acervo


A sala do trono é um dos espaços abertos à visitação no Museu Imperial

As partituras estão entre as “obras raras” do Museu, que nesta categoria soma hoje cerca de 8 mil exemplares entre livros, jornais, revistas, almanaques, ex-libris , coleção de Leis do Império e outros

No interior do salão, que mantém o acabamento original em materiais nobres, hoje se realizam eventos musicais e teatrais, com produção de Celso Vieira de Carvalho, bisneto de Tavares Guerra e responsável pela ONG Casa da Ipiranga

Localizada na rua de mesmo nome, a Casa da Ipiranga é também conhecida como “casa dos sete erros” pela assimetria que apresenta na fachada; a construção do século XIX idealizada por José Tavares Guerra é inspirada no estilo vitoriano e foi concluída em 1884

Mobiliário e objetos do século XIX estão em exposição permanente no palacete tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)

Ainda na mansão da Ipiranga, afrescos do austríaco Carl Schaeffer estão espalhados por todos os 900 m². Há que salientar também os requintes arquitetônicos pouco usuais para a época

Ao completar 70 anos, em 2003, o Theatro D. Pedro foi reaberto após um projeto restauração que recuperou elementos artísticos de seu interior, que combina motivos geométricos e florais mesclados a desenhos

O projeto de restauro do teatro, que consumiu 2 anos e uma verba de cerca de R$ 1 milhão incluiu a recuperação de equipamentos e a instalação de moderna iluminação cênica e de som

Até hoje o hall de entrada do palácio mantém elementos originais da época do cassino.
Arquivo Gilson Cony

O Palácio Quitandinha viveu seus momentos de glória entre 1944, data da inauguração do Cassino Hotel de mesmo nome, e 1946, quando foi decretada a proibição dos jogos de azar no Brasil

Projetada em forma de piano de cauda, a piscina térmica do Quitandinha era equipada com caldeiras para que a temperatura se mantivesse em 30ºC.
Arquivo Prof. Milton Teixeira

Os ambientes internos, que incluíam elementos como a extravagante gaiola, foram criados por Dorothy Draper, designer de Hollywood trazida da Califórnia por Joaquim Rolla para a concretização de seus ideais cinematográficos em forma de cassino.
Arquivo Prof. Milton Teixeira

No salão de convenções foram realizados grandes eventos internacionais como a Conferência Interamericana de Petrópolis, realizada em 1947, que culminou na assinatura do Tratado de Assistência Recíproca proposto pelo EUA.
Arquivo Gilson Cony

Neste teatro, Grande Otelo, então carpinteiro do cassino, fez sua estreia como ator.
Arquivo Gilson Cony



Calçadões para interligar os centros comerciais, onde seriam instaladas jardineiras, mesas e cadeiras, quiosques para venda de suvenires e para atendimento ao turista, como em um shopping a céu aberto, foram algumas das sugestões propostas em 2006 para promover melhorias em Itaipava.
Arquivo Estações



Para recuperar e conservar o Piabanha e sua orla foram apresentadas propostas como a abertura de faixa vicinal ao rio para movimentação de máquina de dragagem, com a utilização da mesma faixa como ciclovia após encerramento dos trabalhos de dragagem e desassoreamento do rio.
Arquivo Estações



De acordo com projetos mais recentes, como o apresentado pelo grupo Amigos de Itaipava em 2011, o trânsito na União e Indústria seria facilitado com a construção de muretas divisórias entre as pistas; dessa forma, os retornos seriam obrigatoriamente realizados em rotatórias instaladas em pontos estratégicos.
Arquivo Estações



O planejamento dos Amigos de Itaipava incluía a instalação de uma rotatória próxima a ponte do Arranha-Céu como forma de amenização dos engarrafamentos.
Arquivo Estações

Uma das obras necessárias para a reativação da estrada de ferro é a recuperação do viaduto da Grota Funda, próximo ao Alto da Serra, hoje desativado


A locomotiva que fazia o trajeto de subida da serra, no trecho que ligava Magé a Petrópolis, no início do século XX, fica em exposição permanente no Museu Imperial

O projeto Expresso Imperial prevê a reforma da Estação Meio da Serra, um dos trechos dos 6 quilômetros de ferrovia onde atualmente verificam-se ocupações desordenadas

No século XIX, barcas e trem faziam o transporte bimodal ligando o Rio de Janeiro à Raiz da Serra, como na estação de transferência de Mauá; no projeto atual está prevista a ligação marítima até o Centro do Rio (Praça XV) com escala nos dois aeroportos.
Arquivo Museu Imperial




Capa especial

Petrópolis sempre!

Passado, presente e futuro de uma cidade cheia de encantos

     Ao completar dez muito bem vividos anos, a Estações de Itaipava comemora seu aniversário com uma celebração a Petrópolis. Durante este período foram impressas nessas páginas muito mais do que histórias sobre o município; aqui estiveram registrados, em 40 edições trimestrais, verdadeiros casos de amor entre os mais diferentes personagens e a cidade que tão calorosamente sempre os acolheu. Foi para os apaixonados por este lugar especial – filhos naturais, adotados ou agregados – que produzimos esta edição também muito especial.
     A retrospectiva que segue apresenta – em textos, alguns produzidos pela jornalista Cristiane d’Ávila (editora da revista em seus três primeiros anos), e imagens, muitas delas gentilmente cedidas por colaboradores e fontes – um apanhado de alguns dos registros mais importantes feitos pela equipe da revista desde o inverno de 2003. Com o olhar no passado, mas sem perder o foco no futuro, festejamos este momento relembrando aspectos históricos, culturais e aqueles relacionados ao desenvolvimento. Temas que originaram matérias de grande relevo nesta última década e que fazem da minha, da sua, da nossa Petrópolis uma cidade extraordinária.


Uma história monumental
     Uma das formas de se contar a rica história desta que foi a primeira cidade planejada do país é através da origem de seus elegantes monumentos arquitetônicos e dos personagens responsáveis por sua edificação. O protagonista, claro, foi aquele que vivenciou o primeiro caso de amor com o lugar e entregou a outro importante personagem a tarefa de materializar sua paixão. Estamos falando do Imperador Pedro II, que elegeu este pedaço da serra fluminense como seu refúgio, e do engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler, responsável pela elaboração e execução do projeto urbanístico de Petrópolis encomendado pelo regente.
     Desta parceria nasceram não apenas os imponentes parques e avenidas do Centro Histórico, mas também prédios muito significativos como a Catedral São Pedro de Alcântara; a residência de verão do monarca, que hoje abriga o Museu Imperial, além dos palacetes que serviram de moradia a membros da corte e onde agora funcionam órgãos públicos ou empresas privadas; e o Palácio de Cristal, outro símbolo muito significativo da cidade.
     Todas estas edificações mereceram a atenção da revista em diferentes períodos. A restauração da Catedral, iniciada em dezembro de 2003 e concluída em setembro do ano seguinte, foi o tema da coluna Especial no inverno de 2004. Com uma verba de R$ 1,2 milhão, o pacote incluiu: recuperação da estrutura do telhado; remoção de pichações das fachadas; reforma geral da instalação elétrica; correção de fissuras nas paredes a abóbadas; conserto de falhas na estrutura da torre; restauração de agulhas, pináculos externos, porta de entrada e pintura interna.
     Com a construção Iniciada em 1884, a Catedral, em estilo gótico e inspirada nos templos normandos, teve também seus momentos “obra de igreja”, com os trabalhos por diversas vezes interrompidos e depois retomados. Quando da inauguração oficial, em 1925, o prédio não estava totalmente pronto; a conclusão completa do projeto do engenheiro Francisco Caminhoá só viria a acontecer em 1963, com a finalização da torre de 70 metros de altura.
     Algumas preciosidades que podem ser vistas no monumento são uma pia batismal de 1848, pertencente à antiga igreja Matriz de Petrópolis; um órgão, com 227 tubos, construído por G. Berner em 1937 e um dos únicos exemplares do Brasil; e na Capela Imperial, o altar gótico, em mármore, com cruz central em granito preto da Tijuca, guarda relíquias de São Magno, Santa Aurélia e Santa Thecla, trazidas de Roma. Na mesma capela está localizado o mausoléu com os restos mortais de Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina, da princesa Isabel e do conde D´Eu.
     O conjunto arquitetônico histórico da cidade – composto por mais de 800 construções, entre casas de colonos, palacetes, fábricas e igrejas – esteve na pauta do seminário “Petrópolis, preservação e prosperidade”, realizado em julho de 2005 para provocar o debate, com toda a sociedade petropolitana, de questões como economia, meio ambiente, política, prosperidade, pobreza e memória da cidade. No mesmo ano, os imóveis e os esforços empreendidos para sua revitalização foram também tema da matéria principal de nossa edição de primavera.
     Na passagem do século 19 para o século 20, a cidade era caracterizada por seu comércio elegante, pela imponência dos palacetes das avenidas Koeler e Ipiranga e por belos parques como o Cremérie. Nos segmentos econômico e industrial, Petrópolis apresentava um desenvolvimento significativo. De acordo com dados do Almanak Laemmert de 1880, existiam quatro olarias (indicativo de um aquecido mercado de construção civil), duas fábricas de tecidos de algodão, cinco de cerveja, uma de queijos e quatro de carroças, além de fábricas de charutos e oficinas de ourivesaria, de relojoaria e de calçados.
     Entre as construções ocupadas pelo segmento industrial, o Conjunto Fabril da Cascatinha merece destaque. Antiga Companhia Petropolitana, fundada como indústria têxtil em 1873, o Conjunto engloba edifício fabril de 15 mil metros quadrados, usina hidroelétrica, vila operária, coreto, igreja, estação ferroviária, vias e praças. Projetado por um arquiteto francês, o prédio em pedra e estrutura metálica incluía telhado com telhas francesas e “sheds”, para permitir a entrada de luz e ventilação. Em seu período ativo na produção de tecidos de algodão, a fábrica, paralisada em 1960, empregava cinco mil funcionários, a maioria composta por imigrantes italianos, e fazia da Cascatinha um núcleo quase independente de Petrópolis.
     Os aspectos sociais foram também abordados na mesma reportagem – que recorreu a dados publicados no livro As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, da historiadora Lilia Moritz Schwarcz, para oferecer um panorama da origem da vocação turística da cidade. De acordo com a autora, no verão Petrópolis se convertia em rota de fuga da família imperial e dos que tinham recursos para escapar da febre amarela, o que revelava uma espécie de política sanitária da corte. Em meados do século 19 tudo se dirigia serra acima, rumo à nova cidade, construída para o deleite e a proteção do imperador.
     Também para seu deleite em períodos de veraneio, foi erigido o Palácio Imperial, um dos maiores símbolos arquitetônicos da história do Brasil e ponto de partida para a existência da cidade, uma vez que para dar início à construção, D. Pedro II assinou um decreto, em 16 de março de 1843, criando Petrópolis. A partir daí iniciou-se o movimento de ocupação do lugar, com a vinda de imigrantes europeus, principalmente os alemães, que, sob o comando de Koeler, então superintendente da Fazenda Imperial, construíram o palácio, levantaram e colonizaram a cidade. O prédio, transformado em museu em 1940, por decreto do então presidente Getúlio Vargas, hoje abriga um dos mais completos arquivos históricos do país.
     Outro monumento de grande importância histórica, inaugurado em fevereiro de 1884, é o Palácio de Cristal. O pavilhão com estrutura em ferro fundido e placas de vidro trazidas da França, inspirado no Crystal Palace de Londres, foi a primeira construção pré-fabricada do Brasil e um presente do Conde D’Eu para a Princesa Isabel. O prédio originalmente destinado a abrigar a sede da Associação Agrícola e Hortícola de Petrópolis e a Primeira Exposição Hortícola da cidade acabou sendo palco de uma cerimônia bem mais meritória. Ali, em 1º de abril de 1888, a Princesa Isabel alforriou 113 escravos, em um ato que parecia antecipar em pouco mais de um mês aquele que iria abolir definitivamente a escravidão em nosso país. Atualmente, do alto de seus 129 anos, é um representativo cartão postal da cidade e importante centro de lazer para seus habitantes.
     No inverno de 2008, ao completar exatos cinco anos, a revista homenageou o local preciso de seu nascimento. Os primórdios de Itaipava foram o objeto de investigação da matéria de capa, que abriu um baú cheio de histórias. Abordamos desde a origem do nome Itaipava (que significa “água na pedra”, em idioma indígena) dado por índios de diferentes tribos que habitavam o Rio de Janeiro e foram os primeiros moradores do lugar – até os primeiros passos para sua transformação em um dos pontos turísticos mais festejados do Brasil.
     O 3º Distrito de Petrópolis começou a ser delineado a partir da necessidade de encurtamento do caminho entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro para o transporte de cargas entre as duas províncias, com a criação de uma importante variante do caminho do ouro. Posteriormente, foram distribuídas sesmarias na região, que ao longo dos anos subdividiram-se em fazendas, com grande importância não só para a rota de travessia entre as duas cidades, mas também para a atividade agropecuária local.
     Outras atividades econômicas importantes para o desenvolvimento do distrito - como a produção cerâmica e o turismo, representado principalmente pela hotelaria e pela gastronomia, até hoje fundamentais para Itaipava – foram também alvo da pesquisa que, assim como em todas as matérias históricas sobre Petrópolis, tiveram o apoio fundamental de diferentes colaboradores que nos abasteceram com informações e imagens. Embora o espaço não permita a citação nominal de cada um deles, não podemos deixar de registrar aqui nossos sinceros agradecimentos a todos.
     Manifestamos também grande gratidão a nossos antecessores que desde a fundação da cidade vem registrando suas peculiaridades. Por isso, relembramos os primeiros fotógrafos a clicar Petrópolis e suas incríveis imagens em nossa edição de verão, em 2011. Nomes como Revert Henrique Klumb, George Leuzinger, Philip Peter Hees e Jean Victor Frond, que produziram belas imagens daqui no século XIX, são também responsáveis pela projeção que temos hoje como um dos centros históricos e turísticos mais importantes do país.
     Esses são alguns dos artistas que ajudaram a introduzir a atividade fotográfica no Brasil e que, com seu olhar especial, contribuíram para a difusão dessas belas imagens pelo mundo. O trabalho A Fotografia em Petrópolis: 1851 a 1960, desenvolvido pela historiadora Maria de Fátima Moraes Argon, a partir de bolsa concedida pelo instituto VITAE — Apoio à Arte, à Cultura e à Promoção Social, foi o que orientou a reportagem “Petrópolis no século XIX”, a principal de nossa edição de verão em 2011.
     A pesquisa privilegiou informações sobre a fotografia e os profissionais que atuaram na cidade neste período, revelando um grande número de dados novos – assim como de imagens igualmente inéditas - acerca do desenvolvimento da fotografia na cidade serrana fluminense. O estudo também reúne informações importantes para a história da dessa atividade no Brasil do período oitocentista e apresenta fatos curiosos e inéditos do século XIX como, por exemplo, Petrópolis ter sediado a primeira fábrica de equipamentos fotográficos da América do Sul.


Cultura em grande estilo
     Na cidade respira-se não só história, mas também cultura. E um dos mais completos templos dedicados a ela é o próprio palácio construído para o imperador, que há 60 anos passou a abrigar um dos mais importantes museus do país, com a inauguração oficial realizada em março de 1943.
     O setor Arquivo Histórico do Museu Imperial reúne atualmente uma coleção de cerca de 200 mil documentos originais. A ênfase é naqueles que se referem ao século XIX, mas os registros englobam peças datadas desde o século XIII até o início do XX. Nesse segmento, duas coleções merecem relevo por sua inclusão no projeto da UNESCO que confere nominação para o Registro Nacional do Programa Memória do Mundo. O “Conjunto documental relativo às viagens do imperador d. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo” (também objeto de reportagem, no verão de 2011), é composto por diários pessoais, cadernetas e itinerários de viagens, programas de espetáculos, desenhos e outros registros. A “Coleção Carlos Gomes do Museu Imperial”, diplomada pelo projeto em dezembro de 2012, inclui 284 itens entre fotografias, documentos textuais, gravuras, desenhos, livros, periódicos, folhetos e uma partitura.
     Todo o acervo da instituição revela trechos marcantes da história do Brasil no século XIX, em especial do Segundo Reinado, de 1840 a 1889, período em que Pedro II governou o País, como comprovou nossa equipe na visita que culminou na reportagem principal do verão de 2005. Na biblioteca, por exemplo, são aproximadamente 50 mil volumes, divididos em seis grandes coleções. A de “obras raras” soma hoje cerca de 8 mil exemplares entre livros, jornais, revistas, almanaques, partituras, ex-libris (expressão latina que indica a propriedade de obras ou coleções) , relatórios das províncias e dos ministérios, coleção de Leis do Império e outros.
     O acervo de insígnias imperiais - o cetro, as coroas de Pedro I e II, o manto da Ordem do Cruzeiro, os trajes majestáticos de Pedro II, a esfera armilar e a espada do Cruzeiro são algumas das peças em exposição permanente no palácio. No total, são 11.985 itens distribuídos nas categorias alfaia, ourivesaria, escultura, mobiliário e iconografia, expostos em diferentes ambientes ou preservados na reserva técnica e acessíveis através do projeto “O Museu que não se vê” - que leva grupos de estudantes, pesquisadores ou turistas por visitas guiadas.
     Mais do que conservar a memória nacional, o Museu Imperial é hoje um importante espaço de difusão da cultura e também de práticas voltadas para a melhoria da qualidade vida. O calendário de eventos inclui espetáculos permanentes como o Som e Luz - uma superprodução que utiliza efeitos especiais de iluminação e sonorização para reviver a história de D. Pedro II – e Um Sarau Imperial, dramatização interativa de uma atividade típica de lazer do século XIX, com modinhas imperiais executadas por músicos, declamação de poesias e reproduções de conversas sobre os mais diferentes assuntos, baseadas na correspondência particular da família imperial.
     Exposições temporárias também são constantes nos diversos ambientes do museu, assim como apresentações musicais. Em seus jardins, projetados pelo francês Jean Baptist Binot, praticam-se atualmente atividades como Yoga, Tai-Chi-Chuan, caminhadas e alongamento. O projeto “O Museu é Nosso” proporciona gratuidade na visitação para petropolitanos e moradores da cidade em todas as quartas-feiras e a cada último domingo do mês. Outras áreas abertas à visitação, além do palácio, são a Sala da Batalha de Campo Grande, que abriga o famoso quadro de Pedro Américo que nomeia o espaço; o Pavilhão das Viaturas, com meios de transporte do século XIX; e o Pátio Lourenço Luiz Lacombe, onde está exposta uma locomotiva que fazia o trajeto de subida da serra no início do século XX.
     Outra importante construção que se transformou de lar de famílias abastadas em espaço dedicado à cultura foi a Casa da Ipiranga. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o palacete em estilo vitoriano cuja construção foi concluída em 1884 funciona como espaço cultural desde 2006 (sim, também estivemos lá na ocasião e contamos tudo na edição verão/2007) e as atividades incluem visitas guiadas para grupos, um aconchegante bistrô instalado na antiga estrebaria da residência e apresentações teatrais e musicais.
     Os eventos “Causos imperiais – lembranças da velhota Cambalhota” e “Da modinha imperial à MPB” são exemplos dos espetáculos apresentados ali atualmente. No primeiro, a atriz Rose Assis encarna a personagem que rememora fatos inspirados na correspondência mantida entre a Família Imperial Brasileira e os Condes de Lages; no segundo, os músicos Celso Vieira de Carvalho (voz), que é também o diretor-presidente da ONG Casa da Ipiranga, e André Mendes (piano) cobrem dois séculos do melhor da nossa música em um recital comentado, em que histórias alinhavam o repertório.
     O tour pela casa, por si só, já representa um acúmulo na bagagem cultural do visitante. O passeio pela propriedade é conduzido, geralmente, pelo músico Celso Vieira de Carvalho, bisneto do proprietário original do palacete, o financista José Tavares Guerra, um apaixonado pela arte e pela arquitetura, que coordenou pessoalmente a construção. Na mansão de 900 m² podem ser vistos 300 afrescos do austríaco Carl Schaeffer, além de requintes arquitetônicos a exemplo da sala de banho com água aquecida e cômodos revestidos com materiais nobres como jacarandá, mármore de Carrara, cristais belgas, azulejos ingleses e tecidos de parede franceses.
     Outras atrações são o jardim – que mantém 85% de sua área em estado original, de acordo com o projeto do paisagista do Império Auguste François Marie Glaziou, com espécies nativas e sistema natural de escoamento das águas pluviais, vertidas para o lago defronte ao palacete – e a fachada da casa cuja peculiar assimetria acabou lhe rendendo a alcunha de “casa dos sete erros”.
     Atualmente, além dos espetáculos, a ONG Casa da Ipiranga mantém em exposição permanente móveis do século XIX e brinquedos, em sua maioria ingleses e americanos, com mais de 100 anos de idade. A administração é realizada integralmente por Celso Vieira de Carvalho, um dos herdeiros do palacete que em diferentes períodos teve parcerias estabelecidas para obras de restauração e para a manutenção do patrimônio e agora busca novos interessados para a empreitada.
     No quesito “cultura”, são também de grande importância para Petrópolis o Theatro D. Pedro e o Palácio Quitandinha. E, claro, estivemos nos dois em diferentes épocas: no verão de 2004, celebramos os 70 anos do teatro e sua restauração; no outono de 2009, voltamos no tempo para uma excursão pela época de ouro do Cassino Hotel.
     Cacilda Becker, Henriqueta Brieba, Procópio Ferreira, Bibi Ferreira, Vicente Celestino e Noel Rosa foram alguns dos grandes talentos do teatro e da música nacionais que se apresentaram no palco do Theatro D. Pedro. Inaugurada em 2 de janeiro de 1933, a sala de espetáculos – com capacidade para mil pessoas em 17 camarotes, balcão e galeria – fazia parte de um complexo que incluía ainda um hotel com 17 apartamentos e seis lojas, reunidos no Edifício D’Angelo, de propriedade dos italianos irmãos D’Angelo, que na época já mantinham a tradicional confeitaria da cidade.
     O projeto de restauro, que consumiu 2 anos e uma verba de cerca de R$ 1 milhão, realizou-se por meio de técnicas semelhantes às da arqueologia moderna e incluiu restauração artística e estrutural do prédio; a recuperação de equipamentos e a instalação de modernos equipamentos de iluminação cênica e sonorização. Com a revitalização, o teatro voltou a exibir, com toda a pompa e circunstância, o estilo que mistura a art-nouveau e a art-decó do projeto de Armando de Oliveira e os desenhos coloridos de Carlos Schaefer.
     Outro grande ator brasileiro, Paulo Gracindo, teve participação no programa de inauguração – com o entreato Arsenio Lupin, em que contracenava com Laura Soares – e ainda na história recente da casa de espetáculos. Depois da restauração, em 2003, o Theatro D. Pedro teve seu nome modificado para Teatro Municipal Paulo Gracindo, mas, em virtude da reação contrária da população da cidade, em junho de 2009 voltou à denominação original. Hoje, administrado pelo SESI (Serviço Social da Indústria), apresenta shows musicais e peças para os públicos adulto e infantil.
     Mesmo que o funcionamento do cassino tenha durado apenas dois anos, entre 1944 e 1946, foi neste período que o então intitulado Hotel Cassino Quitandinha viveu seus momentos mais glamorosos. Na época, o lugar serviu de cenário a grandes episódios relacionados à indústria cultural; no período imediatamente após a proibição do jogo no Brasil, foi palco de extraordinários acontecimentos da política internacional.
     Inaugurado em 12 de fevereiro de 1944 pelo empreendedor Joaquim Rolla para ser o paraíso do jogo na América Latina, teve, depois de um curto período de tempo, de suspender a lucrativa atividade. Com a proibição do jogo, por decreto assinado em abril de 1946 pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra, transformou-se em um Hotel Termas e depois em condomínio residencial. Hoje, abriga, além de moradores e veranistas nos apartamentos, uma unidade do SESC instalada no primeiro piso, onde se concentram espaços importantes como o Teatro Mecanizado e os salões Mauá, Marconi e Roosevelt – atualmente utilizados para a realização de eventos.
     Alguns registros dão conta de que o investimento no hotel foi da ordem de 700 mil contos de réis; outros de que os gastos totais, do início da construção até a inauguração, somaram mais de 200 milhões de cruzeiros (o padrão monetário do país foi alterado em 1942). Grande parte dos materiais usados na construção veio de diferentes partes do Brasil e do mundo para que fosse erguido o prédio de seis andares, com 440 apartamentos e ambientes variados para as áreas comuns: 13 salões, piscina térmica, viveiro, teatro mecanizado e boate, entre eles. Na área externa, outros elementos que demonstravam o requinte da construção: rinque de patinação, pista de equitação, jardins suntuosos e um lago de 18 mil metros quadrados, equipado com piscina flutuante de madeira e praia artificial.
     Graças ao Quitandinha, estrelas de Hollywood eram figurinhas fáceis em Petrópolis na época. Além da atriz Lana Turner, que ficou por dois meses na suíte presidencial, Marlene Dietrich, Errol Flyn, Bing Crosby, Henry Fonda, Orson Welles e Walt Disney, em visita ao Brasil para o lançamento do personagem Zé Carioca, foram alguns dos que experimentaram os requintes do hotel. Políticos estrangeiros, como o presidente americano Harry S. Truman e a mais controvertida primeira dama e líder política argentina Eva Perón, também.
     Cerca de um ano depois do fechamento do cassino, o Quitandinha sediou um dos mais importantes encontros internacionais até então organizados no Brasil. Entre 15 de agosto e dois de setembro de 1947, aconteceu ali a Conferência Interamericana de Petrópolis, com a reunião de representantes de 21 países do continente americano. O evento foi ainda mais significativo por representar também a cooptação de algumas destas nações pelos EUA para uma aliança contra o comunismo. A conferência culminou na assinatura do Tratado de Assistência Recíproca, que permitia a “intervenção norte-americana, com a ajuda de tropas dos países signatários, onde quer que a paz e a segurança estivessem ameaçadas”. Pouco tempo depois, em outubro do mesmo ano, o Brasil rompia relações diplomáticas com a União Soviética.


Ontem, hoje e amanhã: Petrópolis sempre!
     Se a cidade é simbolizada por suas preciosidades históricas e culturais, as pessoas que nasceram aqui, ou escolheram Petrópolis para viver, são caracterizadas por uma irrefreável vontade de preservar tudo isso e colaborar de todas as formas possíveis para o desenvolvimento local. Nós da Estações de Itaipava não somos diferentes e ao longo de toda a vida da revista estivemos presentes em todos os debates organizados com esses objetivos.
     Assim como o seminário “Petrópolis, preservação e prosperidade”, realizado em julho de 2005 pela Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico e Adjacências de Petrópolis, para a discussão em torno de temas importantes para a cidade, outras iniciativas do mesmo gênero foram fundamentais para o envolvimento da sociedade nas questões locais, além de servirem como guia para o poder público acerca dos anseios da população.
     Sob o título “O Futuro é agora”, a matéria Especial da edição de número 10, no verão de 2006, apresentou diferentes propostas – elaboradas por integrantes dos grupos Amigos de Itaipava e do Projeto Orla do Piabanha, além de empresários estabelecidos em Itaipava e outros distritos de Petrópolis – para um projeto urbanístico de Itaipava, especialmente no trecho de 4,8 quilômetros entre o trevo de entrada do distrito e o ponto popularmente conhecido como “arranha-céu”.
     Foram abordadas, entre outras, questões como os problemas de trânsito na União e Indústria, incluindo-se aí áreas para estacionamento e calçadas para a circulação de pedestres; a recuperação e conservação do Rio Piabanha e de sua orla, com a implantação de ciclovias e áreas de lazer; soluções para a adaptação do comércio a pontos específicos do projeto; limite de altura para novas construções; crescimento de favelas, com construções nos morros e às margens dos rios; e elaboração de um plano diretor para Itaipava.
     No inverno de 2011, voltamos ao assunto. Desta vez, além da União e Indústria e do Piabanha, estiveram em pauta – com propostas apresentadas por representantes das entidades Amigos de Itaipava, Petrópolis Convention & Visitors Bureau (PCVB), núcleo serrano da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e da NOVAMOSANTA, ONG originada da Associação de Moradores e Amigos de Santa Monica – soluções habitacionais, ambientais e de saneamento; fornecimento de energia elétrica, telefonia móvel e banda larga; e ainda investimentos em infraestrutura para a recepção de turistas.
     Na primavera de 2004, fizemos a cobertura de uma das inúmeras tentativas já realizadas para a reativação da linha férrea que ligava a Cidade Imperial ao Rio de Janeiro, inaugurada pelo Barão de Mauá em 1854 e desativada em 1964. Agora, com novas articulações acontecendo para que este anseio de grande parte da população seja concretizado, voltamos ao tema.
     A criação, em junho de 2009, do GT-Trem Petrópolis – grupo que reúne 17 entidades representativas da sociedade, entre órgãos públicos e organizações não governamentais – foi um dos impulsos tomados para que se pudesse dar continuidade ao processo de convencimento das autoridades para a reativação dos 6km de trilhos da ferrovia na Serra, no trecho denominado Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará. Desde então, avanços tem sido registrados.
     “Este ano, o Prefeito Rubens Bomtempo, que em 2008 já havia contratado a Associação Brasileira de Preservação ferroviária (ABPF) para desenvolver o projeto turístico da Grão Pará, retornou à prefeitura de Petrópolis e prometeu retomar o projeto. Em setembro ele deverá ir a Brasília para tentar seu enquadramento no PAC da Mobilidade Urbana. O projeto que levará vai além do trem, com a introdução de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) no Centro Histórico”, anuncia Antonio Pastori, consultor e pesquisador ferroviário, presidente da AFPF (Associação Fluminense de Preservação Ferroviária) e responsável pela coordenação técnica do GT -Trem. E acrescenta: “uma das nossas mais importantes conquistas é a adesão ao abaixo assinado na Internet (disponível em: www.manifestolivre.com.br), que já soma mais de 3,5 mil assinaturas e depoimentos”.
     O projeto desenvolvido e defendido pelo grupo divide-se em quatro etapas: restabelecer a ligação ferroviária de 6 km de trilhos na Serra da Estrela, entre Alto da Serra, em Petrópolis, e Vila Inhomirim, em Magé; promover melhorias na linha da Supervia que vai até a Estação B. de Mauá (ou São Cristóvão), implantando um trem expresso com duas paradas intermediárias, Campos Elísios e Duque de Caxias; reativar os 12 km da E. F. Mauá, entre Piabetá e Guia de Pacobaiba; e, por fim, promover a ligação marítima até o centro do Rio (Praça XV) com escalas nos dois aeroportos.
     Os principais benefícios relacionados pelo GT-Trem Petrópolis são: redução do tempo da viagem Rio-Petrópolis, contribuição para a proteção e recuperação ambiental da região e estímulo ao desenvolvimento econômico de Petrópolis e Magé. De acordo com o grupo, os investimentos necessários para reinstalar a linha e colocar trens rápidos, modernos e confortáveis no trecho da Serra, são da ordem de R$ 70 milhões, o que representa menos de 0,2% do custo do trem bala Rio-São Paulo.
     No ano de 1986, surgia um dos primeiros manifestos a favor da reativação da ferrovia. O projeto “Venha a Petrópolis como vinha o Imperador”, de autoria da turismóloga Alda Neves, já falecida, propunha a reativação apenas do trecho pioneiro da E. F Mauá (Guia de Pacobaiba-Raiz da Serra). Um barco com turistas partiria da Praça Mauá em direção à Guia de Pacobaiba e de lá o turista iria de trem até a Raiz da Serra, com a subida até Petrópolis feita pela RJ - 127 (estrada da Serra de Estrela, parte final do Caminho Novo da Estrada Real).
     Torcemos para que o novo projeto seja concretizado e Petrópolis ganhe mais esta atração turística relacionada a sua riquíssima história. Mas, vindo como o imperador ou de qualquer outra forma, o difícil é resistir aos encantos desta cidade, que, ainda por cima, preserva uma beleza natural estonteante. A Estações de Itaipava não resiste e, por isso, há 10 anos declara explicitamente esta paixão em suas páginas.

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