A Casa de Cultura Cocco Barçante é um museu a céu aberto; por toda parte encontram-se obras artesanais, como o peixe em papel machê, produzido de forma coletiva por membros da Associação Jubarte, de Rio das Ostras

A religiosidade do brasileiro é bem representada pela Nossa Senhora da Conceição feita com o osso do peixe Cavala pela artesã Vera Quirino, da Associação Arte dos Reis, de Angra dos Reis

Representação em papel de São Francisco de Assis pelo artesão Mario Luiz, da cidade de Conservatória

Tampinhas de refrigerante e latas de produtos transformadas em animais por Oséias Siqueira Simone, artesão petropolitano

O buquê de flores de palha de milho veio de Rio das Ostras e foi produzido pela artesã Vera Luzente, da Associação Jubarte

O malote bancário transformado em sousplat pelo grupo Nós do Ponto Chic, de Nova Iguaçu, prova que tudo pode ser reaproveitado

São Francisco de Assis e Santo Antônio, feitos de garrafa Pet e papel machê, ganham versão alegre e graciosa pelas mãos da artesã Célia Silvestre

A Coleção Para Petrópolis inclui bolsa de viagem com reaproveitamento de tecidos, da artesã local Rosangela, além de utilitários e objetos de decoração confeccionados com diferentes materiais por vários artesãos

O painel de mosaico com reaproveitamento de azulejos, produzido com 13 mil cacos pela artista plástica Liliane Baião, recebe o título de “A Lapa na Serra” e representa o universo criativo do artista Cocco Barçante e sua intensa relação com o Rio de Janeiro e suas comunidades

No interior do Museu do Artesanato estão reunidas peças produzidas em vários municípios do Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro é representada pelo bonde feito com reaproveitamento de caixotes, do artesão Getúlio Damado, do bairro de Santa Teresa, e pelas “luminárias-bonde”, do artesão Sandro Lucena, de Guapimirim

O muro externo da faculdade foi transformado em uma floresta tecnológica para representar a “Cidade Sustentável”
Foto: Simone Sattler

Alunos da FAETERJ, com a coordenação de Cocco Barçante, reutilizam periféricos para compor as letras que formam o nome da instituição



Lucimar Cunha e Cocco Barçante no evento Em Rede... Conectando Oportunidades, realizado em agosto na FAETERJ-Petrópolis, que já ostenta os produtos do projeto de metareciclagem em suas paredes
Foto: Simone Sattler

O projeto Metareciclagem: Transformações/Arte e Lixo Eletrônico prevê a decoração de todos os ambientes da faculdade com componentes de computadores descartados

O ponto de partida para a motocicleta, com 1,30 x 0,70 cm, foi o corpo de uma antiga máquina de costura; a peça reúne ainda as rodas da máquina, um macaco de automóvel, um sifão de pia, uma alavanca de janela de fusca, chapas e amortecedores de moto e peças de uma máquina de lavar roupas

As motocicletas são montadas por Baiano com as mais variadas peças descartadas e podem, de acordo com o material disponível, ter ainda diferentes tamanhos, como as que o artista produziu recentemente: 0,70 x 0,20 cm, 0,51 x 0,27 cm e 0,48 x 0,20 cm

Nada é desperdiçado na oficina: para compor a bike de 0,72 x 0,38 cm, foram utilizadas correntes de bicicleta e de moto, chapas e fivela de cinto de segurança de automóvel

Para produzir o “triciclo-luminária”, de 1,15x1,10 cm, Baiano utilizou peças como bomba d’água, disco de freio, correntes, garupa de moto, motor e uma cúpula de abajur descartada que encontrou na rua

Instrumentos musicais em tamanho natural, como as guitarras e o banjo, integram a coleção do capoteiro

Baiano diz ter grande dificuldade em se desapegar das peças, mas aceita encomendas de objetos similares aos de sua coleção

Para confeccionar suas bonecas, a artesã petropolitana Maria 2000 utiliza garrafas longneck e de vinho, além de pequenas botijas de gás

Múltiplas formas e cores nas bijuterias confeccionadas com latas de alumínio pela artesã mineira Marcela Lima

A réplica em tamanho real de um violão foi confeccionada com lata pelo artesão mineiro Eduardo Neves

O artesão paulista Alex Mendonça, reaproveita garrafas de vinho com coloração natural e textura de terra para criar suas peças, que podem servir como jarras de flores ou suportes para velas

Na Suindara, as folhas de papel são produzidas uma a uma em processo que consiste em retirar a polpa do tanque em telas de náilon, semelhantes às utilizadas em silkscreen

A Suindara produz artigos personalizados para datas especiais, com fotos e desenhos das próprias crianças impressos nas capas de cadernos e álbuns, e acaba de lançar uma linha de brindes com apliques decorativos, para a realização de oficinas em festas infantis

Cadernos de receitas, livros do bebê e variados tipos de blocos são produzidos de forma artesanal na fábrica, que já iniciou pesquisas para a utilização de espirais confeccionadas também com recicláveis

Além do papel reciclado, descartes inusitados como cascas de alho e cebola contribuem para a originalidade dos produtos da empresa

O Festival da Limpeza 2014 contou com agentes ambientais multiplicadores do INEA, que ministraram oficinas de reciclagem para alunos das escolas da rede pública de Araras

A presidente da OSCIP, Fernanda Reis, participou ativamente das oficinas realizadas com a utilização dos mais diversos resíduos sólidos, como papéis, garrafas pet, tecidos e outros

O tema Mais responsabilidade, menos lixo deu o tom desta edição do festival, que se desenvolveu por três semanas e incluiu várias ações para a conscientização ambiental, especialmente em relação à importância da coleta seletiva de lixo

Fotos: Henrique Magro


Capa

Novos caminhos



     Reduzir, reutilizar e reciclar. Se aplicado, este trinômio, conhecido como a “regra dos três erres”, pode ser o responsável por barrar um cenário aterrorizante que estudos realizados pelo mundo afora vêm apresentando com frequência cada vez maior e que dão muito o que pensar.
     Uma das mais recentes pesquisas, publicada em 2013 pela revista científica estadunidense Nature informa que o mundo pode virar uma enorme lixeira em 2100. E o que é mais assustador na teoria é que a conclusão foi formulada a partir de dados concernentes ao lixo que a humanidade produz hoje: a cada 24 horas, mais de 3,5 milhões de toneladas de resíduos são descartados, número 10 vezes superior ao registrado cem anos atrás.
     No Brasil, apenas no ano de 2012 – de acordo com estimativas baseadas em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis) publicados em 2014 – a quantidade de resíduos sólidos urbanos coletados foi de 64 milhões de toneladas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em texto publicado no Portal Brasil em agosto deste ano, 299 municípios do país (5% do total, que abriga cerca de 55% da população) respondem pela produção diária de 111 mil toneladas.
     Outro importante estudo realizado no país – o Cempre Review 2013 (publicação elaborada com base em dados gerais consolidados até 2012), lançado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), associação sem fins lucrativos que trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância de reduzir, reutilizar e reciclar lixo – contextualiza o cenário do mercado de resíduos recicláveis no Brasil, assim como o papel de cada um dos agentes envolvidos nesta cadeia produtiva.
     Entre muitos outros pontos relevantes, os dados apresentados na pesquisa mostram ainda que a estimativa de produção de lixo no Brasil seja de 193.642 toneladas por dia e que mais de 24 mil toneladas deixam de ser coletadas e são descartadas de forma irregular no mesmo espaço de tempo. A cobertura da coleta de lixo regular atinge 87,4% da população e 27% dos resíduos recicláveis (fração seca do lixo urbano) que seriam encaminhados para lixões e aterros foram recuperados e retornaram para a cadeia produtiva em forma de matéria prima em 2012. Deste total, o índice de recuperação de embalagens foi de 65,3%.
     Os materiais mais descartados, segundo a publicação são: matéria orgânica (51,4 %); outros (16,7%); plástico (13,5%); papel, papelão e longa vida (13,1%); vidro (2,4%); aço (2,3%) e alumínio (0,6%). Um levantamento bianual realizado pelo CEMPRE, a Pesquisa Ciclosoft (incluída no Cempre Review 2013) dá conta ainda de que, até 2012, apenas 766 municípios brasileiros (14%) ofereciam serviço de coleta seletiva – número que representa 27 milhões de pessoas, 12% da população do país.
     Em Petrópolis, são produzidas 250 toneladas de resíduos sólidos ao dia e quase a totalidade desses rejeitos pode ser reciclada; entretanto, apenas 1,5% deles é efetivamente reaproveitado, informa a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep). A empresa iniciou o trabalho de coleta seletiva na cidade em 2006 e em 2012 o programa chegou a recolher mais de 1 tonelada de lixo; até agosto de 2014 foram coletadas algo em torno de 700 toneladas.
     Hoje, a companhia – que tem parcerias para reciclagem com grupos locais como Cooperativa da Esperança, Oficina de Jesus (Padre Quinha) e Associação De Catadores De Materiais Reciclável de Petrópolis – realiza a coleta seletiva no Bingen, Mosela, Valparaíso, Morin, Alto da Serra, Centro Histórico, Quitandinha e adjacências, Araras e algumas localidades de Itaipava, Nogueira, Bonfim e Correias.
     Os números são impactantes, não? Mas a boa notícia é que na cidade de Petrópolis tem muita gente determinada a não deixar que o mundo, em um futuro nem tão remoto assim como o previsto por estudos, se transforme em um lixão. E o melhor: produzindo arte ou objetos utilitários com o descarte nosso de cada dia. Artistas, artesãos, instituições culturais e acadêmicas, organizações não governamentais e mesmo lojas que reúnem objetos confeccionados exclusivamente com materiais reutilizados dão o exemplo de como cuidar melhor de nosso planeta.


Casa de Cultura Cocco Barçante
     Um misto de centro cultural e museu do artesanato, a casa mantida pelo artista plástico que dá nome à instituição é um verdadeiro paraíso da arte produzida com materiais reaproveitáveis. Tudo ali, do pequeno bloquinho de notas aos elementos decorativos e arquitetônicos, inclusive dois muros construídos com 2,7 mil garrafas pet, foi confeccionado com a reutilização de reciclados.
     A Casa foi inaugurada em março de 2013 como espaço dedicado à cultura – onde se realizam saraus de música e poesia, exposições, oficinas de estamparia, pintura em tecido, criação com retalhos, técnica de bordados e outras – e para reunir o trabalho realizado pelo artista com comunidades do Rio de Janeiro nos últimos 12 anos, sempre com foco no reaproveitamento de materiais. Um ano depois, passou a abrigar em um dos salões o Museu do Artesanato, cujo objetivo principal é valorizar a produção artesanal fluminense com o mesmo conceito de reutilização.
     Ao mesmo tempo em que sedia mostras individuais de trabalhos de artistas petropolitanos dedicados às sete artes, sempre com a inserção de elementos reciclados nas exibições, o museu expõe peças produzidas por cooperativas e grupos como a Ong Criola, de Petrópolis; Bordando o Futuro, de Itaperuna; Arte e Mão, de Três Rios; Nós do Ponto Chic, de Nova Iguaçu; e Marias Maré, do Rio de Janeiro, entre outros, além de artesãos que trabalham individualmente.
     O rico acervo foi montado por Cocco – que além de gerir a casa é professor da Escola de Moda da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, e da FAETERJ-Petrópolis, – ao longo de dez anos e engloba trabalhos produzidos também nos municípios de Valença, Maricá, Itaperuna, Natividade, Macaé, Araruama e Paraty.
     A coleção Para Petrópolis – composta de moda, bolsas, mochilas e camisetas com estampas artesanais e digitais e inspirada no estilo de vida e nos ícones locais –, foi criada por Cocco em parceria com o Sebrae e grupos de artesãos da cidade, para valorizar a identidade e o artesanato do município e pode ser apreciada no Museu, que tem curadoria de Almir Tosta, José Luiz Lima e Maria Elisa Churro.
     A Casa de Cultura conta ainda com uma loja – onde os produtos com o selo “Economia Criativa”, que garantem sustentabilidade, podem ser adquiridos – e está aberta à visitação aos sábados, domingos e feriados, de 11h às 17h, ou por meio de agendamento prévio.

Casa de Cultura Cocco Barçante:
Rua Coronel Veiga, 1734 - Centro
(24) 3111-4944
(21) 99918-1887 
www.coccobarcante.com.br
www.facebook.com/coccobarcante.com.br



E-Lixo? Não, E-Arte!
     Outra notícia alarmante sobre a produção mundial de lixo veio de um relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado no final de 2013. O E-waste World Map, primeiro mapa global de lixo eletrônico (ou e-lixo) anuncia que se a geração deste tipo de resíduo não for contida, no ano de 2017 o volume da sucata eletrônica no planeta irá aumentar 33% e será suficiente para encher 200 edifícios do porte do nova-iorquino Empire State.
     Os resultados do estudo, que mapeou a quantidade de resíduos eletrônicos produzida em cada país, mostraram que em 2012 foram geradas um pouco menos de 49 milhões de toneladas de sucata. Se o ritmo for mantido, em 2017 o planeta terá que suportar 65,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Na conta do Brasil está a produção de 1,4 milhão de toneladas; o que equivale à média global de 7Kg por habitante contabilizada pelo o relatório da ONU.
     Felizmente, o “jeitinho brasileiro” é aplicado também em prol de boas causas. Em agosto deste ano, a unidade petropolitana da Faculdade de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (FAETERJ-Petrópolis) lançou o inovador projeto Metareciclagem: Transformações / Arte e Lixo Eletrônico, com conceituação e coordenação a cargo de Cocco Barçante, que inclui diferentes ações e tem por objetivo apresentar uma nova concepção de arte, produzida a partir da utilização de elementos periféricos tecnológicos como suportes para expressão de diferentes linguagens artísticas.
     A primeira ação empreendida foi a decoração do muro externo da instituição com um grande painel montado com componentes de computadores em desuso e grafitado pelo artista Rodrigo CB, aluno da FAETERJ. A “Cidade Sustentável” estampada na murada da Faculdade exibe uma floresta tecnológica composta por 25 monitores, 30 computadores, 250 teclados, 20 mil teclas, 30 placas mãe, 200 mouses, 200 tomadas, 500 plugues, 300 metros de fios e 30 tubos de imagens.
     Os materiais utilizados estavam acumulados há dez anos na instituição e seus atuais diretores, Lucimar Cunha e Bruno Guingo, em busca de uma identidade visual que significasse também a preocupação com o meio ambiente, decidiram por em prática as ações, que incluem toda a decoração da Faculdade com as peças descartadas, além de oficinas de metareciclagem, entre outras. De acordo com pesquisas realizadas para a busca de iniciativas semelhantes, este é o maior projeto em âmbito mundial com o conceito de reaproveitamento tecnológico e a instituição, inclusive, já fez contato com o Guinness Book para tentar sua inclusão no livro de recordes.

FAETERJ-Petrópolis:
Av. Presidente Getúlio Vargas, 335 - Quitandinha
(24) 2235.1079
www.cptipetropolis.net.br
www.facebook.com/FaeterjPetropolis



Nada se perde, tudo se transforma
     Na oficina de capotaria de José Filho do Nascimento, mais conhecido em Itaipava como Baiano, a máxima é levada à risca. Para criar miniaturas de motocicletas, bicicletas e instrumentos musicais em tamanho natural, o artista se utiliza de todo e qualquer material que, não fosse por sua criatividade e pelas suas mãos habilidosas, iria engrossar as estatísticas do lixo.
     Tanto a sucata doméstica quanto a gerada na oficina é aproveitada por Baiano para a montagem das peças. Há pouco menos de um ano, o capoteiro, que sempre gostou de executar trabalhos manuais, enxergou em uma antiga máquina de costura que utilizava para os serviços de capotagem o tanque de combustível de uma moto. A partir desta peça, foi juntando outros materiais descartados para compor a miniatura do veículo e, desde então, emprega todo o tempo que tem livre para o hobby.
     O processo de criação é iniciado quando o artista vislumbra parte de algum objeto em algum material descartado; partindo daí, ele busca outros materiais que se adequem à proporção da peça para dar forma ao objeto idealizado e que teriam o lixo como destino. Uma vez reunidos os elementos necessários (etapa mais difícil e demorada do projeto) ele começa a montagem.
     Hoje já são mais de 20 peças, produzidas com sucata de sua oficina de capotagem e também com a que recolhe em outros estabelecimentos, que ele mantém guardadas em seu ambiente de trabalho e ainda na decoração de sua própria casa. Apesar de ainda não ter vendido qualquer peça – sua grande dificuldade é se desapegar das obras, que considera únicas e de reprodução praticamente impossível – Baiano aceita encomendas.

José Filho do Nascimento (Baiano):
(24) 99817.5989
josefilhonascimento@gmail.com



Sustentabilidade até no nome
     Com o sugestivo nome de Reciclarte, a loja das sócias Silvana Medeiros e Marinise Tunis reúne produtos exclusivos e originais, construídos a partir de madeira de reaproveitamento e ainda objetos de todos os tipos criados por artesãos de Petrópolis e de várias partes do Brasil com papel, lata, ferro, paletts, rede de pesca, malotes bancários, garrafas pet, algodão orgânico e outros materiais, sempre com foco na sustentabilidade.
     Nos dois andares da Reciclarte, localizada em Itaipava, encontram-se móveis, objetos de decoração e utilitários, bijuterias, acessórios, brinquedos, vestuário, entre outros, produzidos por associações e cooperativas ou ainda por artesãos que desenvolvem seus trabalhos individualmente. Tudo o que está reunido ali é de muito bom gosto, mas, seu principal predicado é a capacidade de contribuir para a inclusão social e econômica, além, é claro, da importante participação na cadeia produtiva daquilo que seria descartado.
     Há nove anos trabalhando na loja, oito deles como sócia do negócio, Silvana, que também desenha bijuterias e encomenda a manufatura a terceiros, acredita que neste período a conscientização das pessoas em relação à importância da reciclagem foi, de modo geral, ampliada, embora muitos ainda não valorizem a prática: “desde que comecei aqui, a visão tem mudado bastante; mas temos um público bem específico, formado por pessoas que realmente se preocupam com questões ecológicas”, avalia.

Reciclarte:
Rua Dep. Altair de Oliveira Lima, 30  
Lojas 1 e 2 - Itaipava
(24) 2222.6096
www.reciclarteitaipava.com.br
www.facebook.com/reciclarte.itaipava



Suindara Brasil
     “Arte e Sustentabilidade” é o subtítulo que descreve, com muita propriedade, o projeto desenvolvido pela artista e ambientalista Adriana Marchese, em Itaipava. Em sua própria casa, ela montou uma pequena fábrica para a reciclagem de papel e confecção dos mais diversos produtos manufaturados com o material.
     Tudo o que se possa imaginar, de singelos álbuns de família e cadernos de receita a kits completos para escritórios (com risque e rabisque, pastas, cadernos, blocos, envelopes, caixas etc), é produzido com muito primor pela equipe de sete pessoas da Suindara. Além de coordenar a fábrica, Adriana ministra ainda oficinas de reciclagem em instituições educacionais e eventos particulares como festas infantis.
     O processo de reciclagem começa pela coleta dos mais diversos tipos de papéis descartados. Em seguida, são picados, colocados de molho em água por um período de 24 horas, batidos em um liquidificador especial, imersos em uma mistura de água e cola, para a formação da fibrila (ou polpa), e depois retirados do tanque em telas de náilon de 0,70 x 0,50 cm, para secar naturalmente ao sol.
     Natural, por sinal, é a palavra-chave ali: “normalmente, quem recicla papel usa soda cáustica e outros elementos artificiais para pigmentação no processo; aqui, só utilizamos água e cola e secamos um a um, sem prensar, o que permite que a textura fique mais rugosa, com gramaturas bem variadas, e que cada folha seja única,”, descreve Adriana.
     Os projetos da empresária, que atualmente realiza obras de ampliação da fábrica para conseguir atender à demanda crescente por seu produtos, incluem a comercialização de kits – compostos de equipamentos, moldes, manuais e todos os materiais necessários à reciclagem – que funcionam como verdadeiras fabriquetas de reaproveitamento de papel.
     “Minha vontade é alastrar as fábricas de papel, e futuramente também de outros materiais, que trabalhem com processos naturais, apenas com o mínimo necessário de química, para o maior número de pessoas possível. O objetivo principal é mostrar que a reciclagem pode e deve ser adotada por todos. A bandeira que levantamos é: conscientizar para que cada um faça a sua parte e mantenha o comprometimento com a qualidade ao produzir com recicláveis”, argumenta Adriana.

Suindara Brasil – Arte e Sustentabilidade:
(24) 2222.7137  
99841.3243

www.facebook.com/SuindaraArteESustentabilidade
suindara-brasil@hotmail.com



Projeto para um futuro mais limpo
     A conscientização é também um ponto primordial no trabalho desenvolvido pelo Projeto Araras. Com o foco na conservação e preservação ambientais e na melhoria da qualidade de vida no Vale de Araras, o grupo vem promovendo ações nas áreas de meio ambiente, educação, cultura e desenvolvimento social desde 2001. Entre elas, uma das mais importantes e a que deu origem a OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), categoria de organização social em que se insere o projeto, é o programa Araras sem Lixo (ASLIX).
     Além de empreender ações para a conscientização sobre os benefícios de redução da quantidade de lixo gerada pela comunidade local e de sua adequada destinação, o programa procura de várias formas incentivar a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos. Um dos caminhos encontrados pelo grupo para o alcance de seus objetivos foi o Festival da Limpeza – realizado anualmente no mês de setembro, como parte da campanha mundial Clean up the World – que inclui em suas atividades oficinas de reciclagem.
     Em 2014, o festival, com o tema Mais responsabilidade, menos lixo, foi estendido e se realizou entre os dias 9 de agosto e 19 de setembro, com a participação de agentes ambientais do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) nas oficinas e palestras de educação ambiental nas escolas. “Outra parte importante do programa é a coleta seletiva, que estamos agora tentando intensificar com a segmentação por setores como condomínios, restaurantes, pousadas e escolas”, conta a agrônoma Luiza Garcia, coordenadora do ASLIX.
     Para a presidente do projeto, Fernanda Reis, que assumiu o cargo em março de 2014, este é um momento bastante propício para uma profunda reflexão sobre todos os temas concernentes à geração de lixo e suas implicações. “O mais importante é que, além da consciência de que todos devem ter da necessidade de fazer a sua parte, haja também uma pressão para que o poder público se aprofunde nessas questões e trate o problema com a seriedade merecida, para que as ações sejam realmente eficazes”, enfatiza.
     Nunca é demais lembrar: fazer a sua parte é usar a “regra dos três erres”. Reduzir, procurando minimizar o consumo daquilo que não é realmente necessário; reutilizar, optando por produtos e embalagens que possam ser utilizados várias vezes antes de serem jogados fora; e reciclar, senão reaproveitando você mesmo o seu lixo, contribuindo com a separação correta dos resíduos para que outros possam fazê-lo e, quem sabe, criar uma bela obra artesanal com o material descartado.

Projeto Araras:
Est. Bernardo Coutinho, 1877 – Araras  
(24) 2225.0383
www.projetoararas.org.br


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