Sobre mapa original de autoria do arquiteto Andrés Cebrián (Tao Design - Itaipava), os traçados nossos em vermelho/preto e azul, sugerem opções de roteiro

O Centro de Sebollas mantém ainda características interioranas e remete ao rico passado da Estrada Real

O Museu Sacro-Histórico Tiradentes faz parte do Conjunto Histórico Tiradentes, situado no centro de Sebollas

O lounge da Fazenda das Ruínas foi construído a partir dos escombros de uma das edificações, onde supostamente seria o porão da antiga casa sede da fazenda

Elementosque remetem ao universo equestre estão em toda parte da Fazenda

Com respeito às características originais, inclusive em seu interior, o espaço foi reconstruído por Francisco Pedroso para funcionar como área de descanso e apoio às atividades e eventos promovidos no haras

Ao lado do lounge, um espaço gourmet completa a área de lazer do haras






A Reserva das Ruínas prevê a construção de um espaço equestre com as mesmas características arquitetônicas das instalações do haras que abriga o plantel de animais da raça Pampa do criador Francisco Pedroso

As cabras Saanen, reconhecidas mundialmente como as que apresentam as maiores médias de produção de leite, foram as escolhidas para a criação do CaprilDeVille



O curral do capril segue rigorosos padrões de higiene e foi construído de forma a oferecer todo conforto aos animais



Mensalmente, cerca de 1,5 tonelada de queijo sai da fábrica instalada em Sebollas

Que “marravilha”! Os restaurantes do chef francês Claude Troisgros, no Rio, estão entre os consumidores dos queijos produzidos no CaprilDeVille, como o Chevre à l’huille com ervas de Provence, e eleitos como uma das maravilhas gastronômicas do estado em 2013
Foto: Rodrigo Azevedo


A Igreja N.S. da Imaculada Conceição, no caminho de Fagundes para o Vale das Videiras, foi restaurada recentemente e sua fundação data de 1897



Doce de leite: na categoria “doces & sobremesas” do concurso Maravilhas Gastronômicas do Rio de Janeiro não teve para mais ninguém; eleitos por voto popular, os produtos do Sítio Humaytá foram os vencedores



Na praça do centrinho, o indefectível coreto e placa que homenageia Manoel Congo, líder do quilombo formado nas cercanias do Vale das Videiras no século XIX

Para oferecer apoio a ciclistas que costumam pedalar pela região, o Galpão Caipira reúne uma série de serviços, inclusive aluguel de bicicletas Merida

Objetos de decoração para casas de campo são outras atrações do Galpão inaugurado em 2013

Um SPA completo, com diferentes tipos de massagens, ocupa os fundos do espaço e oferece relax total para ciclistas e para o público em geral


A mais recente e grata atração do centrinho é o restaurante “nas videiras” (em minúsculas mesmo), inaugurado no Carnaval de 2014

O restaurante ocupa três lojas do Armazém do Vale e transformou a antiga lareira instalada próxima à janela de frente para a rua em forno de pizza

O Armazém do Vale, um simpático centro comercial se integra perfeitamente à paisagem natural

Com suas belas peças de decoração, a loja Berrante está no armazém desde a abertura do espaço

Entre os planos recentes da atuante Amavale está a revitalização da Arena do Vale, espaço comprado pela associação com recursos angariados entre sitiantes e moradores, onde se encontra um anfiteatro natural

Todos os equipamentos do Duvale – alambiques de cobre, dornas e instalações de aço inox – foram adquiridos pelo produtor depois de visitas aos principais fabricantes do país

Para se evitar fontes de contaminação do produto, o processo dispensa o uso de bombas de sucção e utiliza sistema de canalização e reservatórios de fermentação em aço inoxidável

O depósito de estocagem da cachaça Duvale possui um sistema que mantém a umidade do ar sempre acima de 80%, evitando o ressecamento dos barris (trazidos da França e dos EUA, renovados e requeimados por uma tanoaria especializada localizada em Santa Catarina) e a perda do produto por evaporação

O Duvale iniciou sua produção de cachaça em 2011 e hoje já dispõe de 22 mil litros, em diversas etapas do processo de envelhecimento, em barris com capacida­de para 200 litros


A visita ao alambique é encerrada com a degustação dos produtos

O projeto do alambique foi concebido para otimizar todo o processo, mas o que se percebe de imediato é que ali a funcionalidade anda de mãos dadas com o esmero e a excelência
Foto: divulgação

Fotos: Henrique Magro


Capa

Novos caminhos



     Um passeio a duas das localidades mais agradáveis da região serrana do Rio de Janeiro é o que a Estações de Itaipava sugere para esta alta temporada. A dica da vez é aproveitar o inverno para conhecer melhor o Vale das Videiras e o distrito sul paraibano de Sebollas, passando por estradas onde se localizam importantes fazendas centenárias, em um percurso que, por si só, já vale a empreitada.
     Foi o que a equipe da revista fez e teve a grata surpresa de constatar: os dois extremos da excursão estão agora em um momento em que louváveis iniciativas para o desenvolvimento sustentável começam a ganhar força.
     Com a vontade de manter as características rurais e bucólicas de ambas as regiões, grupos de empreendedores locais se formam para pensar e discutir projetos capazes de atrair um maior número de visitantes e sitiantes que compartilhem de seus interesses e preocupações: valorização das vocações naturais e combate ao crescimento desordenado dos dois destinos turísticos.
     Para conhecer in loco tudo o que de bacana está acontecendo nos dois lugares, pode-se visitá-los em dias distintos ou escolher qualquer um deles como ponto de partida para uma excursão completa. Um trajeto de 28 Km em estrada de terra, ideal para os que preferem transitar por caminhos campestres, separa as localidades petropolitana e sul paraibana. Com a escolha deste roteiro, pode-se ainda deixar a comodidade do carro um pouco de lado para desbravar trilha, ou parte dela, a cavalo, a pé, de moto ou bicicleta. Tudo depende da disposição e do espírito de aventura de cada um.

PONTO DE PARTIDA
     Se o início escolhido para o circuito for Sebollas, 3º distrito de Paraíba do Sul, o caminho natural para quem sai de Petrópolis ou Itaipava é por Secretário, mas há também a alternativa de seguir pela BR-040 até a localidade de Alberto Torres, atravessar a ponte de ferro e seguir à direita. Saindo do centro de Secretário e seguindo pela Estrada do Fagundes (parte integrante do Caminho Novo, que compunha a Estrada Real na ligação entre o Rio de Janeiro e a cidade mineira de Ouro Preto) chega-se, depois de um percurso de cerca de 9 Km em estrada que alterna os tipos de calçamento, ao simpático lugarejo, fundado a partir da abertura do Caminho do Proença, em meados de 1724, e estabelecido como Freguesia de Santana de Sebollas em 1839.
     Famoso por ter acolhido Tiradentes em suas viagens entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, o lugar abriga um pequeno museu, inaugurado em 1972, dedicado ao alferes Joaquim José da Silva Xavier, mártir da independência, onde estão fragmentos de ossos atribuídos ao personagem histórico e ainda peças descritas como de sua propriedade: uma pequena coroa de prata e uma imagem sacra que teriam sido doadas por ele à capela e uma maleta e objetos para trabalhos odontológicos dados à dona da Fazenda Sebollas, Dona Ana Mariana Barbosa. Também se encontram ali imagens sacras (século XVIII), alfaias, farda militar (século XIX) e documentos. 
     A passagem do alferes por estas paragens rendeu não apenas monumentos comemorativos – além do museu, outros elementos como a Igreja Nossa Senhora de Santana, um marco erigido em 1966 pelo exército nacional em homenagem ao mártir e uma placa comemorativa do sesquicentenário da independência, entre outros, formam o Conjunto Histórico Tiradentes, situado no pequeno centro de Sebollas –, mas também alterações, por meio de diferentes intervenções, do nome do lugarejo.
     O site oficial www.sebollas.com.br descreve as modificações: A lei nº 299, de 3 de dezembro de 1896, mudou o nome de Santana De Sebollas para Santana De Tiradentes. Por efeito do decreto estadual nº 641, de 15 de dezembro de 1938, que fixou o quadro territorial em vigor no qüinqüênio 1939-1943, o distrito de Santana De Tiradentes do município de Paraíba do Sul teve seu topônimo alterado para Inconfidência. O decreto-lei estadual nº 1063, de 18 de janeiro de 1944, ordenou o distrito de inconfidência como o 3º do município de Paraíba do Sul.
     Embora o nome oficialmente reconhecido, Inconfidência, permaneça até hoje, a rejeição popular ao termo (sinônimo de indiscrição, deslealdade e traição, entre outros substantivos de cunho negativo) fez com que o distrito ficasse mais conhecido por Sebollas, redução do antigo topônimo e, convenhamos, bem mais adequado ao tão cativante pedaço de chão. Não é à toa que o lugar tem atraído cada vez mais turistas interessados em sua história, sitiantes em busca de áreas com características ainda bem rurais e empreendedores dispostos a fomentar seu desenvolvimento sem prejuízos a seus predicados.
     Bom exemplo da afirmativa é a formação do condomínio rural Reserva das Ruínas, em área contígua ao Haras Fazenda das Ruínas, de propriedade do criador de cavalos da raça Pampa, Francisco Pedroso. A propriedade se localiza entre Fagundes e Sebollas, 6 Km antes de se chegar ao centro do distrito sul paraibano.Nas terras que abrigavam o antigo Posto da Pampulha – um dos muitos complexos, à época colonial denominados “registros”, que reuniam edificações destinadas à coleta de impostos, cadeias, armazéns, estábulos, hospedarias e outras funcionalidades em pontos chave da Estrada Real – o haras mantém, ainda que em ruínas, parte das edificações originais, erigidas em pedra, de um dos principais registros do Caminho Novo.
     Foi justamente a paixão que nutre pelo campo e, especialmente, por cavalos que fez o empresário do ramo imobiliário enxergar no local o refúgio ideal para reunir os que compartilham de seus interesses e o impulsionou, cerca de três anos atrás, a comprar as terras para investir não só na área em que iria abrigar seu plantel, mas também em um condomínio temático. Com poucos lotes e projeto que inclui pavimentação das ruas em saibro, para incentivar as cavalgadas, o empreendimento prevê ainda a construção de um clube equestre, dotado de cocheira com 20 baias, quarto de sela e lounge para descanso.
     “O objetivo é estimular o apreço pelos cavalos, criando aqui um ambiente familiar de troca e, sobretudo, de respeito à natureza e à importância histórica do lugar. Mesmo não fazendo parte das áreas comuns, o haras está aberto para aqueles que queiram usufruir do espaço e, para isso, organizamos alguns eventos pontuais”, declara Pedroso.
     O empresário faz parte de um grupo formado para a elaboração de projetos que visam ao desenvolvimento turístico local e o haras tem abrigado reuniões com este fim. As propostas são muitas e o entusiasmo, proporcional. A ideia central é criar um plano diretor para que sejam estabelecidas as diretrizes necessárias ao crescimento da região de forma ordenada. Incentivos para a criação de polos voltados para turismo de aventura, produção de orgânicos e manifestações culturais, entre outros, tem sido o foco dos debates entre cidadãos e representantes do poder público de Paraíba do Sul.
     A uma distância de aproximadamente 1,5 Km do centro de Sebollas, na direção de Alberto Torres, encontramos outra iniciativa que pretende o desenvolvimento sustentável da região, com investimentos que privilegiam sua aptidão natural. O CaprilDeVille, que há cerca de dois anos transferiu suas atividades de Visconde de Mauá, localidade do município de Rezende, no sul do Rio de Janeiro, para Paraíba do Sul. Eleitos em 2013 como “Maravilha Gastronômica do Estado” na categoria laticínios, os queijos produzidos ali são tão saborosos quanto a dolcevita que levam os animais criados de forma orgânica por Romulo Capdeville.
     As cabras da raça Saane, de linhagens francesa e canadense, adaptaram-se maravilhosamente bem ao clima local e cada uma delas chega a produzir 5 kg de leite por dia. “Com a mudança, tivemos um aumento na produção, uma vez que durante o inverno, com o clima mais ameno daqui, deixaram de empregar a energia acumulada para se aquecer e passaram a produzir mais”, avalia o criador.
     Além da alimentação farta e sadia e da água pura da montanha que consomem, o manejo orgânico inclui, quando necessário, terapias à base de homeopatia e fitoterapia para que todo o processo se realize da forma mais natural possível. A música ambiente no curral, construído pelo próprio caprinocultor com toda a atenção a detalhes que influem na qualidade do produto final, especialmente os relacionados à higiene, completa o conjunto de comodidades oferecidas aos animais.
     A criação conta com cerca de 80 cabras e – como reforço da matéria prima adquirida de outros dois fornecedores selecionados por Romulo, de acordo com rígidos critérios de qualidade – o capril produz hoje uma média mensal de 1,5 tonelada de queijo. As especialidades são o Chèvre à l’Huille (pequenas e macias bolinhas temperadas com pimenta rosa ou ervas de Provence, regadas por azeite extra virgem) e os cremosos Bursins, comercializados em forma natural, cobertos por sementes de gergelim e ainda temperados com alho ou ervas.
     Por aqui, essas pequenas maravilhas gastronômicas podem ser encontradas em delis como a Serra e Campo (no Hortomercado Municipal) e Antenor & Filhos, ambas em Itaipava, e ainda servidas no couvert ou em pratos elaborados por restaurantes locais, a exemplo do Cocotte Bistrô, Bordeaux, Faustino e Don Bistrô. No Rio, uma extensa lista de restaurantes e pontos de venda integra a carteira de clientes da empresa.
     Embora não possua estrutura preparada especialmente para visitantes na queijaria, Romulo não se furta a receber interessados em conhecer suas instalações e produtos, desde que com agendamento prévio.

NO MEIO DO CAMINHO, OUTRA MARAVILHA O passeio completo, com incursões às atrações de Paraíba do Sul e Petrópolis em um mesmo dia, é facilitado pela via que sai da estrada de ligação entre Fagundes e Secretário. Cerca de 1 Km antes do centro de Secretário, logo depois da Escola Municipal Dr. Barros Franco (uma bela construção de 1896), pega-se a rua à direita para atravessar uma ponte (que até o fechamento desta edição passava por obras de alargamento e encontrava-se interditada apenas para veículos pesados) e seguir em direção ao Vale das Videiras.
     Por este caminho é possível admirar, além de fazendas centenárias, a Igreja N.S. da Imaculada Conceição, fundada em 1897 pela Diocese de Petrópolis. Uma paradinha ali pode ser providencial para que, antecipadamente, se busque o perdão divino para o pecado da gula, já que a uma distância de aproximadamente 7 Km está outro produtor agraciado com o título de Maravilha Gastronômica do Rio de Janeiro, na categoria “doces & sobremesas”, e não é nada fácil resistir à tentação de provar esses quitutes.
     Da fábrica artesanal do Sítio Humaytá, saem mais de 50 diferentes produtos (das linhas doces e compotas, doces de leite, doces em barra, geleias, geleias agridoces, conservas e chutneys) e há sempre novidades chegando ao mercado. Os últimos lançamentos entre as delícias produzidas ali há cerca de 20 anos – com a utilização de pouco açúcar e sem adição de conservantes, corantes ou aromatizantes artificiais – são a mostarda de frutas, a geleia de cebola roxa e a conserva de alho assado.
     Os acepipes são elaborados a partir do resgate e do aprimoramento das receitas de família do gaúcho José Adolfo Pompermaier, com matérias-primas do próprio sítio e ainda com ingredientes cultivados nos arredores. Por toda a região serrana, e também em diversos pontos do Rio de Janeiro, é possível encontrar os produtos da marca. Visitas de grupos ao sítio são permitidas apenas aos sábados e devem ser agendadas com antecedência.

PONTO DE CHEGADA Ao avançar mais 20 Km nesta estrada de terra, chega-se ao trecho recém asfaltado da RJ-117 e vira-se à esquerda para percorrer mais 8 Km até ao charmoso centrinho do Vale das Videiras, localidade situada no alto de Araras, que passa agora por um momento de revitalização, com a inauguração de diferentes atrações turísticas e a recuperação de tradicionais espaços destinados ao lazer público.
     O Vale, que na época colonial era dividido entre fazendas cafeeiras e com o fim da escravatura foi povoado por imigrantes italianos que tentaram, sem sucesso, promover naquelas terras o cultivo de uva para a produção de vinhos, deve seu nome a esta iniciativa, ainda que a mesma tenha sido infrutífera. Antes da abolição e da chegada dos italianos, entretanto, em 1838 as matas da serra de Santa Catarina, nas cercanias do Vale das Videiras, abrigaram o Quilombo de Manoel Congo.
     O africano que liderou 300 escravos em fuga da Fazenda da Freguesia (hoje Fazenda Arcozelo), em Paty do Alferes (município confinante com o vale), é atualmente reconhecido como um dos grandes heróis negros do país por sua atuação na maior revolta de escravos já ocorrida na região. Atualmente, embora não haja qualquer vestígio do quilombo no local, uma placa instalada na praça principal do centrinho homenageia o guerreiro e seus companheiros.
     Rico em história e belezas naturais, o vale vem, nos últimos tempos, se notabilizando também como um importante polo fluminense dedicado ao ecoturismo. Foi esta percepção que levou o economista José Felipe Vieira de Castro, atual presidente da Amavale (Associação de Moradores do Vale das Videiras) e sitiante há mais de 20 anos, a inaugurar, um ano e meio atrás, o Galpão Caipira – um centro de apoio para praticantes de esportes de aventura que desbravam as trilhas naturais do vale de moto, a pé ou, especialmente, de bike.
     O pacote de serviços prestados e oferecidos de forma independente inclui: aluguel de bicicletas, organização de roteiros, acompanhamento por guia especializado, monitoramento por radiofrequência nas trilhas demarcadas com GPS e ainda resgate em pontos determinados para aqueles que desejarem fazer apenas parte do percurso escolhido caminhando ou pedalando. Nestes casos, o relaxamento começa já no caminho de volta; a caminhonete 4x4 para o transporte de atletas e equipamentos é dotada também de cooler abastecido com garrafas de água mineral gelada, barrinhas de cereais e pequenas toalhas umedecidas e perfumadas.
     No retorno ao Galpão, mais comodidades: o espaço oferece também SPA com vestiários, chuveiros e diferentes tipos de massagens, além de armazém com produtos locais (os cogumelos shitake cultivados na Fazenda Javary estão entre eles), móveis de jardim, objetos rústicos de decoração e bar com sanduíches, pequenas refeições (saladas, escondidinhos e quiches, entre outras), sucos e bebidas variadas no cardápio.
     Tanto conforto não é prerrogativa dos praticantes de biking e trekking; o SPA, por exemplo, fez tanto sucesso entre os mais diferentes públicos que visitam o galpão, que o empresário abriu recentemente uma outra unidade. “Hoje estão disponíveis mais duas macas, em um barracão com teto de trapoeraba e coberto de hera, que está instalado no meio da mata, bem em frente a uma cachoeira, a 1 Km daqui e com o transporte até lá feito pela picape”, descreve.
     Outra novidade recente por ali é o “nas videiras” (assim mesmo, em letras minúsculas), restaurante inaugurado no Carnaval de 2014, no pequeno shopping Armazém do Vale. Com cardápio enxuto, a casa oferece algumas opções de entradas, saladas e principais à base de carnes, aves, peixes e massas. À noite, o forte do lugar, que tem na decoração um de seus atrativos e já vem se estabelecendo como ponto de encontro dos locais, é a pizza assada na lenha. O cheeseburger da casa (com os ingredientes, inclusive o pão, produzidos ali) é outra boa opção para quem deseja fazer um lanche.
     Assim como o Galpão Caipira, o “nas videiras” também prioriza os produtos locais e utiliza em suas receitas os cogumelos da Fazenda Javary, que os produtores Cecília Gaspar e Luis Alberto Silverio cultivam em estufa climatizada, situada em um bosque da propriedade localizada na estrada que liga o Vale a Paty do Alferes. Atualmente, a capacidade é para o cultivo simultâneo de 6 mil blocos de shitake, o que chega a gerar uma produção de cerca de 800 kg mensais, distribuídos (frescos, fatiados e embalados a vácuo) em mercados e restaurantes de Petrópolis e do Rio de Janeiro. A fazenda é aberta à visitação aos finais de semana e feriados, com agendamento prévio.
     Também não se pode deixar de fazer uma visita ao simpático centro comercial Armazém do Vale, que reúne gastronomia, antiguidades, artesanato, decoração, salão de cabeleireiro e outras lojas, além de um pequeno cinema, com capacidade para 60 pessoas, mantido pela Amavale. A sala de exibição foi equipada com doações, inclusive poltronas de couro cedidas pelo Hotel Copacabana Palace, e realiza ali, sempre aos sábados, sessões para a comunidade. A atuação da associação tem gerado outros bons frutos para o lugar, especialmente no que diz respeito à arte e as manifestações culturais.
     A reativação de um anfiteatro natural a céu aberto – onde estão instalados camarins e um palco que já recebeu grandes artistas como o pianista Arthur Moreira Lima e o saxofonista Leo Gandelman em recitais integrantes do Festival de Inverno de Petrópolis – é outra de suas propostas. O terreno, comprado pela Amavale e batizado como Arena do Vale ficou inativo desde que sofreu embargo pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente), em uma ação que visava impedir obras em lotes vizinhos.
     Agora a associação planeja sua reabertura com projeto de construção de uma concha acústica elaborado pelo arquiteto Paulo Jacobsen, que tem entre seus trabalhos participação na concepção arquitetônica do Museu de Arte do Rio (MAR), e ainda com a utilização das demais áreas do terreno para a instalação de espaço permanente de lazer munido de mesas de piquenique, parquinho infantil e aparelhos de ginástica para a terceira idade.

ESTICADINHA PARA A SAIDEIRA Para quem ainda tiver fôlego, uma boa pedida para encerrar o passeio é uma esticada até o município vizinho de Paty do Alferes (pela RJ-117) para conhecer o Alambique Duvale. A distância é bem curta e a espichada no programa vale a pena. Em uma área totalmente rural, onde se localiza sua fazenda, empresário José Eduardo Carvalho montou uma estrutura impressionante para a produção da cachaça artesanal Duvale.
     Com o propósito de comportar um volume razoável –“nem muito pequeno para ter um mínimo de escala em função da mão de obra e da comercialização e nem tão grande a ponto de dificultar o controle estrito da qualidade”, enfatiza o produtor –, ele buscou a consultoria de especialistas para um projeto elaborado de forma a produzir, pelo método artesanal tradicional, uma cachaça de alta qualidade visando, inclusive, ao mercado internacional. “Já estamos testando mercados na Nova Zelândia e na China Continental; para isso, amostras de toda nossa produção são analisadas por laboratório altamente qualificado de Belo Horizonte”, comenta.
     O empreendimento, que agora completa três anos desde o planejamento inicial, incluiu, de forma equilibrada, a capacidade de plantio de cana de qualidade nas terras e a capacidade de moagem, fermentação, alambicagem e estocagem, com o envelhecimento da aguardente realizado em barris de carvalho de qualidade, vindos da França e dos Estados Unidos. O projeto foi concebido ainda de forma a otimizar inteiramente o processo.Todo o calor necessário para o alambique é produzido por uma caldeira alimentada basicamente pelo bagaço da cana moída no engenho.
     “Não existe desperdício. As partes menos nobres da cana – a cabeça e a cauda, usualmente descartadas pelo produtor exigente – são transformadas em álcool de 95 graus, que é utilizado nos carros, camionetes e motos da fazenda. O vinhoto, rejeito normalmente descartado na alambicagem, e altamente poluente quando jogado em rios e lagos, é armazenado e utilizado como adubo nos canaviais, por um sistema de irrigação alimentado por roda d’água”, explica Carlos José Guilherme, mestre alambiqueiro e braço direito de José Eduardo há mais de 15 anos.
     Os processos de plantio e cultivo da matéria-prima são realizados também de forma orgânica. Em uma área de seis hectares, sementes e mudas selecionadas foram plantadas ao longo de dois anos, antes do início da primeira moagem. Deste canavial sai a matéria prima para uma produção diária de aproximadamente 140 litros de cachaça. O Duvale produz ainda uma aguardente feita apenas com mel silvestre, por meio de um método francês que se utiliza de fermento caseiro e cuja receita é guardada a sete chaves, um saboroso licor de jabuticaba, rapadura e açúcar mascavo.
     O alambique está sempre aberto à visitação e já virou um ponto de encontro nas cavalgadas e passeios ciclísticos, muito comuns na região. “A apresentação para grupos de todo o processo de produção e armazenagem feita pelo Carlinhos, sempre muito didática e espontânea, tem sido um sucesso. No final do tour, uma degustação das cachaças e do licor com queijos e linguiças produzidos por nossos vizinhos do Vale das Videiras é promovida em um quiosque a beira do lago”, convida o produtor.
     Vale ou não a esticada?


Museu Sacro-Histórico Tiradentes: (24) 2263.1306 (Fundação Cultural) - Rua Miguel Pereira, s/n – Centro - Sebollas

Reserva das Ruínas: Estrada Fagundes Km 3 (antiga estrada real, entre Secretário e Sebollas), 3509 | www.reservadasruinas.com.br

CaprilDeVille: (21) 99693.3593 | (24) 2266.0804 | www.facebook.com/caprildeville

Sítio Humaytá: Ponte do Veloso, Secretário, Km 7 | Telefax: (24) 2228.2060 |
delicias@sitiohumayta.com.br

Amavale: Estrada Almte. Paulo Meira, 8.400 – Centro – Vale das Videiras | jose.felipe@aon.com

Galpão Caipira: Estrada Almirante Paula Meira, 8.320 – Centro – Vale das Videiras - (24) 2225.3072 | contato@ogalpaocaipira.com.br

nas videiras: Estrada Almte. Paulo Meira, 8.400 – Centro – Vale das Videiras | (24) 2225.8162

Fazenda Javary: (24) 99292.7289 / (21) 2285.9090 Alambique Duvale: (24) 2225.3145 | 2225.8107 - www.alambiqueduvale.com.br | contato@alambiqueduvale.com.br

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