Embora seja um cão acostumado à neve, ao contrário do que muitos podem pensar, o São Bernardo adapta-se muito bem a qualquer clima, desde que recebam os cuidados adequados


O padreador Rastin foi trazido da Noruega e já gerou seis ninhadas para os canis de Itaipava e Bragança Paulista

Ruffus Bill Capo Magiore é filho de brasileiro e neto de estrangeiros, seu avô paterno norueguês e avó paterna argentina, todos campeões. Pesando aproximadamente 90 kg, Ruffus Bill já conquistou os títulos de campeão jovem, nacional, pan-americano, internacional, grande campeão nacional e grande campeão pan-americano (Foto: Edmilson Reis)

Leona Vitto Capo Magiore, nascida em 20 junho de 2009, é um belíssimo e dócil exemplar tricolor da raça, detentora de inúmeros prêmios, inclusive os de campeã nacional e pan-americana

Filhotes como a fêmea Juanita chegam a custar algo em torno de R$ 4 mil, mas dá para resistir? (Foto: divulgação)


Fotos: Henrique Magro

Mundo Animal

São Bernardo

Carisma, fidelidade e afetividade em quatro patas

     O tamanho e a beleza são o que em primeiro lugar nos fascinam ao admirar os cães da raça São Bernardo, mas esses são apenas dois pequenos detalhes entre os muitos que fazem deste um animal singular. Extremamente dóceis e com forte instinto de salvamento, são conhecidos no universo da cinofilia como verdadeiras “babás gigantes” pelo apreço especial que dedicam às crianças. Proporcional a seu porte é também a capacidade de ofertar amor incondicional a seus donos.
     “Os Bernardos são possuidores de grande carisma e demonstram a todo tempo o real significado das palavras amizade, fidelidade, amor e respeito. Além de seu tamanho, que acaba chamando muito a atenção, são cães que vivem para suas famílias; seus donos estão acima de qualquer coisa. Outra característica importante é o sexto sentido muito apurado que apresentam, logo sentem quando alguma coisa está errada.” A declaração é de quem realmente entende do assunto: Ivan Oliveira, proprietário do Canil Lords Of The Forest, localizado no Condomínio Vale do Sossego, em Itaipava, e filiado à Confederação Brasileira de Cinofilia CBKC, além de membro da Federation Cinologique Internationale (FCI).
     O criador atua em parceria com David Magiore, proprietário do Canil Capo Magiore – primeiro do Brasil, segundo a CBKC, localizado em Bragança Paulista (SP) – e possui o exemplar considerado pela Confederação como o cão número 1 do Brasil na raça e destaque no ranking de 2013: o padreador (ou reprodutor) Ruffus Bill Capo Magiore, que traz na bagagem os títulos de Campeão Jovem, Campeão Nacional, Grande Campeão Nacional, Campeão Panamericano, Grande Campeão Panemericano e Campeão Internacional. Da criação de Itaipava, destaca-se também a fêmea Leona Vitto Capo Magiore, campeã nacional e pan-americana. Com quatro anos, Leona é mais um belo e dócil exemplar tricolor da raça, detentora de inúmeros prêmios.
     Na fase adulta, exemplares machos de São Bernardo medem de 70 a 90 centímetros e podem chegar a 100 Kg; fêmeas variam de 65 a 80 centímetros e atingem 85 Kg. Quanto à aparência geral, existem duas variedades da raça: os de pelo curto (pelagem dupla, “Stockhaar”) e aqueles de pelo longo, que, geralmente, são os que alcançam maior peso. Ambas as variedades são de porte grande e compartilham como características o tronco poderoso, firme, musculoso e harmonioso, além de cabeça imponente e expressão alerta.
     Quanto às cores, o padrão oficial internacional da raça indica: “branco, com placas, maiores ou menores, em marrom avermelhado (cão matizado) até formar um manto contínuo no dorso e flancos (cão mantado). O manto manchado (marcado de branco) é equivalente. O marrom avermelhado tigrado é admitido. A cor marrom amarelada é tolerada. O encarvoado na cabeça é desejado. Um ligeiro toque de preto sobre o dorso é tolerado”. A FCI, órgão a que a Confederação Brasileira é filiada, também estabelece padrões quanto às marcações dos animais: as marcas brancas exigidas são no peito, patas, extremidade da cauda, uma faixa no focinho, listra e marcas no pescoço; as desejadas são o colar branco e uma máscara simétrica escura.
     As características físicas são, de acordo com Ivan, facilmente visualizadas em razão de seu tamanho avantajado. “São molossos (como são classificados cães, na sua maioria, pesados, ossudos, de cabeça pesada, grande e focinho curto) com uma cara invocada que acaba por disfarçar o coração enorme que possuem”, diz o criador. Um engano comum entre a maioria das pessoas que não tem conhecimentos específicos sobre o São Bernardo é também a crença de que são cães acostumados a viver na neve e que, por isso, jamais iriam se adaptar a outro ambiente. “Este pensamento está equivocado. É certo que sentem um calor excessivo, mas nada que não seja resolvido com um espaço adequado, boa alimentação e água fresca. Talvez seja esta a razão da raça não ter alcançado a mesma popularidade de outros molossos”, pondera o criador.
     Ele salienta que existem cuidados que devem ser observados por aqueles que optam por esses cães. Mantê-los sempre em local fresco e arejado, protegendo-os de eventual calor excessivo; dedicar especial atenção às orelhas, mantendo-as sempre limpas e secas para evitar umidade; e o principal: nos momentos das refeições, retirar a água para que possam comer sem beber, recolocando após aproximadamente 40 minutos, evitando assim, uma eventual torção gástrica, que poderá ser provocada após o consumo de água seguida de uma brincadeira de correr.
     Antes de adquirir um exemplar, é importante ainda obter informações acerca da origem do cão que se está levando. “Dados como a idoneidade do canil, sua procedência e posição perante a CBKC e ao Kennel de sua cidade, são fundamentais, assim como saber como os animais são tratados, como se comportam perante pessoas estranhas, seu relacionamento com seus donos (proprietários do canil), além da preocupação com o espaço que o cão necessita para um crescimento saudável. Mas ter conhecimento de que os cães da raça São Bernardo são carentes de carinho e de companhia, necessitando assim de dedicação e atenção, é primordial”, avalia Ivan.
     O Canil Lords Of The Forest mantém atualmente, junto com o Canil Capo Magiore, 27 exemplares da raça. Em Itaipava são três padreadores e nove matrizes; em Bragança Paulista, três padreadores e 12 matrizes. Quando há ninhadas, cada filhote, independentemente do sexo, sai hoje a R$ 4 mil.
     A história do São Bernardo remonta ao século XI, quando, no topo do desfiladeiro de mesmo nome, a 2.469 metros de altitude, em Valais, Suíça, foi fundado um Mosteiro para oferecer refúgio a viajantes e peregrinos. A partir da metade do século XVII, os monges cercaram-se de cães enormes do tipo montanhês, destinados à guarda e defesa. Logo esses cães foram utilizados para escoltar viajantes e, principalmente, descobrir e salvar os que se perdiam na neve ou no nevoeiro. A raça atual foi obtida através da criação sistemática, que atravessou algumas gerações, para que se conseguisse chegar a um tipo ideal. Em um congresso internacional de cinologia, em 2 de junho de 1887, a raça foi oficialmente reconhecida como de origem suíça e o padrão suíço declarado como o único autorizado. A partir desta data, o São Bernardo passou a ser considerado como cão nacional suíço.
Canil Lords Of The Forest:
(24) 99945-3638
(21) 99948-3638
www.lordsoftheforest.com.br



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