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Especial

Mapa do tesouro

Peças raras do universo náutico aportam em Itaipava

     Com uma bela coleção que inclui peças de diferentes tipos, iniciada ainda na adolescência - e hoje composta por cerca de 4 mil itens -, a proposta do antiquário Ronald Fernando de Carvalho Botelho Jr é disponibilizar os objetos do acervo para locação, comercializar alguns deles e ainda aproveitar o espaço de sua loja para a realização de exposições.
     Só de peças do universo náutico, são aproximadamente 500. E tem de tudo o que se possa imaginar: timões, bússolas, bitáculas, sextantes, lanternas, binóculos, maquetes de embarcações famosas produzidas pelo modelista especializado Marco Cardinot, sócio de Ronald, e por aí vai. Todos os objetos que integram esta coleção temática, assim como aqueles que compõem um vasto acervo de curiosidades dos mais diversos tipos, estão disponíveis para aluguel.
     “Meu principal objetivo no setor de antiguidades não é a venda e sim a locação das peças para produções de TV, vitrines de lojas e eventos, como o Boat Show, por exemplo. Por isso, tenho uma grande variedade de coisas que despertam a curiosidade e que, muitas vezes, as pessoas nem conseguem identificar”, observa Ronald.
     Mas o forte do acervo são os itens de diferentes períodos relacionados à marinha brasileira e às armadas de diferentes países, além de objetos que integram o universo náutico de modo geral. Incluídos no rol estão, por exemplo, uma espada da guarda imperial naval brasileira, uma bitácula do século XVIII, um raro cronômetro de bordo francês da marca Omega, um aparelho de telégrafo do início do século XX e muitas outras peças interessantes.
     Em outubro de 2013, Ronald inaugurou a Rarus Antiguidades, marcada por uma exposição de exemplares raros representativos da coleção náutica, que o antiquário oferece apenas para locação. Entretanto, peças semelhantes podem ser adquiridas na loja, que também aceita encomendas, e mantém ainda espaços dedicados exclusivamente à pesca e à pirataria, com objetos referentes a estes temas.
     A maior parte do acervo está reservada para mostras - “estamos mantendo contato com algumas prefeituras que podem ter interesse em receber exposições”, afirma Ronald – e para um museu que ele pretende abrir em parceria com o sócio Marco Cardinot, possivelmente em um espaço cedido pelo Sanatório Naval de Nova Friburgo, construção de 1890 de propriedade da Marinha do Brasil.
     Por enquanto, é possível admirar algumas das relíquias na loja - que funciona às sextas, aos sábados e domingos, das 10h às 18 h. Os planos imediatos do antiquário incluem a realização de exposições temáticas, a abertura de uma cafeteria e a retomada da feira de antiguidades no Baixo Itaipava.


Rarus Antiguidades:
Estrada União e Indústria, 14.993
Itaipava – Petrópolis
(24) 2222-5168
www.rarusantiguidades.com.br
rarus.antiguidades@ig.com.br



Com data estimada de 1880, o escafandro alemão e o fole a pedal de emergência (para suprir o mergulhador com ar em caso de falha do sistema mecânico) estão entre as curiosidades da coleção

Timão holandês do século XIX

A bitácula inglesa original, fabricada em Liverpool, em 1908, é idêntica à utilizada no navio Titanic

O cronometro de bordo francês, de 1900, difere-se da maioria pela utilização de corda fixa

Detalhe da bússola no interior da bitácula, que, entre outras funcionalidades, cumpre o papel de proteger o aparelho de orientação da embarcação do magnetismo

Grande buzina (cerca de 1,30m) de transatlântico, pesadíssima e toda produzida em bronze na primeira metade do século XX

Sinalizadores luminosos da primeira metade do século XX (por volta dos anos 1930/1940)

Oitante produzido em ébano e marfim na Inglaterra, no início do século XIX; a função do instrumento era, por meio de espelhos, medir a latitude a partir da medida da altura de um astro, permitindo assim a orientação da navegação

O telégrafo de 1940 é semelhante ao que foi utilizado no Titanic para a emissão do pedido de socorro na noite do naufrágio

A espada da guarda imperial naval - que traz detalhes como o leão, símbolo do império brasileiro – é uma das peças da coleção que ajudam a contar a história do nosso país

Construída em madeira balsa, a maquete da Arca de Noé inclui miniaturas de alguns animais salvos do dilúvio por Noé, de acordo com a Bíblia

O Galeão São João Batista, construído em Portugal no ano de 1534, entrou para a história por seu alto poder de artilharia: a embarcação era dotada de quase 400 canhões e ficou conhecida como Botafogo. A maquete (800mm X 300mm), produzida em madeira balsa com adornos em metal , tem como destaque a abertura em um dos lados do casco para permitir a visualização de seu interior

Datada de 1468, a Nau São Gabriel é celebre pela façanha da navegação que culminou na descoberta do caminho marítimo para as índias por Vasco da Gama; segundo Cardinot: “especula-se também que tenha sido utilizada por Pedro Álvares Cabral em sua suposta descoberta do Brasil”. A maquete foi produzida a partir de plantas cedidas pelo Museu Naval de Lisboa

A Fragata Jylland, navio de guerra da marinha imperial dinamarquesa, de 1860, foi o primeiro navio com hélice de propulsão a vapor e hoje é preservado como memorial naval, na cidade de Ebeltoft. A maquete foi produzida em escala 1x100, com comprimento de 1.102 mm e altura de 644 mm

Utilizado para funções diplomáticas do governo brasileiro, o veleiro Cisne Branco é datado de 1999. O modelo (em escala1x57 e comprimento de 1.320mm), com alto nível de detalhamento, foi construído em madeiras nobres e materiais recicláveis e representa uma visita de fuzileiros navais à embarcação

A maquete do Titanic (em escala 1x250) retrata fielmente os detalhes do transatlântico; o comprimento é de 1.070 mm

O naufrágio do Titanic foi também representado em maquete por Marco Cardinot (com plantas em escala 1x250), que utilizou materiais 100% recicláveis e se baseou em fotos e pesquisas. O modelo reproduz apenas a proa do navio, uma vez que, de acordo com o modelista, “sabe-se que, ao partir ao meio, sua popa se decompôs antes mesmo de chegar ao fundo do oceano”

O Mayflower transportou, em 1620, os peregrinos que partiram do porto de Southampton, Inglaterra, para o Novo Mundo; o navio levou 102 passageiros, em sua maioria puritanos separatistas, que buscavam liberdade religiosa, longe do poder hegemônico da Igreja Anglicana. Produzida com materiais recicláveis, a maquete tem comprimento de 700mm e altura de 600mm

A chalana a vapor com rodas de pás Mississippi, de 1911, foi reproduzida em maquete por Cardinot, com 700mm de comprimento e minúcias como a iluminação interna. Esse tipo de embarcação costumava abrigar cassinos em seu interior

O CVE Bogue (1942), com capacidade para 20 aviões, é um exemplo de conversão de barcos mercantes em navios de escolta, utilizados para o transporte de aeronaves para os porta-aviões de ataque a submarinos. O modelo, com casco todo revestido com palitos de sorvete, tem comprimento de 1.200mm e foi uma das primeiras maquetes construídas por Cardinot, no ano de 2000

O NAe São Paulo (A12) foi incorporado pela marinha brasileira no ano de 2000. Com 50% mais velocidade e capacidade para transportar o dobro de aeronaves em comparação a outras embarcações do tipo utilizadas no Brasil, este Navio Aeródromo opera aviões de ataque AF-1 e helicópteros. A maquete foi projetada e construída em plástico injetado, com base em um kit importado modificado para a versão Marinha do Brasil, na escala 1x400




O maquetista Marco Cardinot (esq.) e o antiquário Ronald Botelho pretendem inaugurar um museu para abrigar as peças mais representativas da coleção náutica
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