Sonia Hirsch: “a alimentação é primordial para a saúde, mas apenas com a harmonia entre os aspectos físico, emocional e psicológico é possível evitar certas doenças hoje banalizadas”


Dos 21 livros produzidos, 18 permanecem em catálogo e dois deles foram reunidos em um único título


A cura pelos alimentos é tema recorrente na obra da autora, que inclui receitas saudáveis em todos os livros


Fotos: Henrique Magro




Saúde & bem-estar

Sucesso editorial

Escritora especializada em promoção da saúde comemora 30 anos de publicações

     No segundo semestre de 2014, a paulistana Sonia Hirsch, há nove anos radicada em Secretário, localidade do distrito petropolitano de Pedro do Rio, comemorou um marco significativo: o aniversário de 30 anos de Mamãe eu quero, Sem açúcar com afeto e Deixa sair – três clássicos de sua fecunda produção literária, composta por 21 livros dedicados à promoção da saúde. Com 18 ainda em catálogo e dois deles reunidos em um único título, Boca feliz & Inhame inhame, ela hoje contabiliza uma marca invejável no mercado editorial: meio milhão de exemplares vendidos.
     Sua obra – fruto de intensas pesquisas sobre o papel da alimentação na manutenção da vida saudável, além da relação entre estilo de vida e sinais de alerta fornecidos pelo organismo – é um verdadeiro manancial para quem procura dicas para o autoconhecimento e a cura pela comida. Em seus livros Sonia, também estudiosa das terapias orientais e da saúde da mulher, procura difundir ideias que, de modo geral, confrontam conceitos estabelecidos pela medicina ocidental. Ela acredita, por exemplo, ser possível evitar certas doenças hoje ba­na­lizadas, como o câncer, com uma fórmula simples: harmonia física, emocional e psicológica.
     “É preciso ter uma cabeça boa, estar com as emoções em dia e ter alegrias”, acredita a escritora, adepta da homeopatia, de terapias corporais e da acupuntura, que faz semanalmente. “Não posso dizer que a alimentação é a única forma de se evitar certas doenças, mas sei que o que eu comer hoje vai estar no meu sangue pelo menos até amanhã, mas, geralmente, por muito mais tempo. Então, a matéria é muito importante também; mas é fundamental que haja uma harmonia entre poderes”, resume.
     Em algumas obras, Sonia analisa em profundidade aspectos específicos da saúde. O título Atchim!, publicado em 2005, funciona como um manual prático para quem sofre frequentemente com gripes, resfriados ou alergias. O livro traz informações que permitem ao leitor compreender e evitar indisposições comuns e tratá-las com recursos domésticos. Além de relacionar os alimentos indicados e os contraindicados para cada uma das situações, a autora fornece receitas que privilegiam ingredientes adequados ao combate desses males.
     Capítulos dedicados ao preparo dos pratos, inclusive, estão presentes na grande maioria dos livros. A trilogia Meditando na cozinha, Paixão emagrece, amor engorda (que já chegou à terceira edição) e Amiga Cozinha, por exemplo, é uma bem temperada mistura entre crônicas e receitas. E não é de se estranhar: em determinado momento de sua vida, em que estava encantada com a macrobiótica, Sonia chegou a dar expediente, duas vezes por semana, na cozinha de um restaurante carioca com a mesma filosofia.
     Em meados da década de 60, para acompanhar a trupe de baianos formada por Caetano, Gil e Bethânia – que começava a estourar na MPB e a cujos shows em São Paulo a então adolescente assistia com assiduidade, a ponto de fazer amizade com os ídolos –, Sonia embarcou para o Rio de Janeiro, onde foi apresentada e irremediavelmente fisgada pela efervescência cultural da cidade. “Foi um caso de paixão. Eles eram a coisa mais sensacional que já tinha acontecido em minha vida. Naquela ocasião, não perdia os shows deles e decidi assistir à estreia de Bethânia no Cangaceiro (Recital Boite Cangaceiro) e vim para o Rio. Ao chegar à cidade, conheci muitas pessoas, especialmente as ligadas ao cinema, ao teatro e à música; então, percebi que aquela era a vida que queria para mim e acabei ficando”, conta.
     O jornalismo foi a porta de entrada para o cenário cultural que a havia cativado e também para o universo das letras. Através desses contatos, acabou sendo contratada pela sucursal carioca de Editora Abril e encarregada das pautas de cultura. “Apresentei várias sugestões e todas foram aceitas; depois de entregar algumas matérias, eles me contrataram e aos 18 anos eu estava empregada”, lembra.
     Na editora, chegou a produzir matérias para todas as publicações da casa, exceto a Veja, que mantinha redação e equipe própria no Rio. Tempos depois, chegou a dirigir a divisão de gibis da Rio Gráfica, hoje Editora Globo. Mas a inquietação comum às mentes criativas a fez, aos 29 anos, abandonar as redações. “Virei neo-hippie (risos) e mudei para um sítio que tinha perto de Miguel Pereira. Comecei a fazer artesanato, além de cuidar melhor da alimentação e dar mais atenção à minha vida pessoal, uma vez que, até então, a dedicação ao trabalho era muito grande”, afirma.
     Sonia atribui a mudança também a aspectos da astrologia. “Na fase dos 28/30 anos, de acordo com os astrólogos, as pessoas atravessam um período conhecido como o regresso de saturno, que é um momento muito propício à revisão de conceitos e, de fato, para mim foi uma grande mexida. Como estava trabalhando como freelancer, tinha tempo para cozinhar, estudar, me conhecer, também comecei a fazer Do-in, ou seja, foi um pacote que realmente mudou minha vida.”
     A influência para os novos hábitos alimentares veio de uma nova turma de amigos, naturebas, que a apresentaram ao arroz integral e a uma nova dieta, em que os vegetais eram predominantes nos pratos. Como a descoberta coincidiu com a mudança para o sítio, Sonia começou a cozinhar e a pesquisar sobre alimentos e medicina oriental, aplicando em si mesma as orientações. A partir desses estudos, veio o desenvolvimento de um novo perfil profissional: o de escritora especializada em livros sobre alimentação e saúde.
     Em apenas dois anos, publicou cinco deles; tempos depois, criou sua própria editora: a Correcotia, acumulando as funções de autora e publisher. A dupla atuação permitiu que a escritora, que também ministra palestras e cursos sobre promoção da saúde, mantivesse sua obra em permanente processo de revitalização. A segunda geração de seus clássicos que acabam de completar 30 anos, por exemplo, tiveram o acréscimo de informações importantes e do símbolo + nos títulos para marcar a mudança. “Embora a essência permaneça a mesma, são novas versões para uma geração que está chegando a esses livros agora”, explica.
     Mamãe, eu quero + é sobre alimentação tradicional para bebês a partir do desmame, com muitas dicas e receitas naturais para mamães de primeira viagem e está em sua 12a edição. Sem açúcar, com + afeto analisa com bom humor os estragos que o doce vício do açúcar produz na saúde e oferece 70 receitas de doces naturais. Deixa sair + quebra tabus ao abordar com lente de aumento os problemas intestinais e oferece uma dieta detox de 21 dias que limpa, emagrece e põe tudo para funcionar. Estes dois últimos já chegaram à 15a edição e cada um deles alcanço a marca de cerca de 50 mil exemplares vendidos.
     Outro título revisto, que passa agora pela 5ª atualização, é Almanaque de Bichos que dão em Gente, de 1998, que ensina a reconhecer, tratar e evitar vermes, vírus, bactérias, fungos e outros bichos. O interesse pelo tema parasitoses aconteceu quando a escritora conheceu o médico Raul Barcellos – a quem dedicou um livro inteiro, A dieta do Dr. Barcellos contra o câncer (e todas as alergias) – e sua teoria de que o câncer é uma forma de alergia avançada, além de que o tratamento das parasitoses é uma das medidas capazes de contribuir para a regressão ou estacionamento de determinados tipos de tumores.
     “Atualmente, muitas pessoas que passaram por diferentes tipos de tratamento para diversos males sem atingir resultados me procuram; depois de ler o Almanaque elas percebem que a origem dos problemas pode ser uma verminose. E o pior é que a medicina tradicional parece ignorar o fato”, diz. Outro ponto controvertido esmiuçado por ela está em um de seus maiores sucessos e que registra vendas diárias. Em Candidíase, a praga a autora desmistifica esse mal tão comum a todos os indivíduos, frequente e equivocadamente associado a um problema exclusivo das mulheres.
     Embora alguns temas e títulos possam sugerir o contrário, a escrita de Sonia passa longe de uma linguagem excessivamente técnica ou enfadonha. Seus textos são, na verdade, invariavelmente leves, saborosos e de fácil leitura. Seus livros não vendem muito de uma vez só, mas vendem sempre; as livrarias pedem reposição toda semana e algumas têm uma mesinha só com seus títulos. A obra completa está também disponível em www.correcotia.com.


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