Inclusão: a trilha interpretativa da Rebio é totalmente sinalizada por totens e permite acesso também a cadeirantes

Visitas orientadas com alunos da rede municipal de ensino integram as atividades educativas realizadas na reserva

Pontes instaladas sobre o Rio de Araras facilitam as visitas de caráter científico e educativo pela trilha, que não é disponibilizada para fins recreativos

O trabalho de preservação inclui o plantio de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica na área da reserva

A cachoeira do Rio Araras é uma das mais belas paisagens encontradas na trilha

O programa de educação ambiental oferece palestras e atividades realizadas também nas zonas de amortecimento da unidade, como as desenvolvidas em 2013 no Polo Educacional de Vera Cruz, em Miguel Pereira, composto de três escolas

As atividades realizadas dentro da reserva incluem a exposição de equipamentos de combate a incêndios florestais, uma das mais importantes atribuições da instituição

As aulas de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) fazem parte dos cursos de Prevenção e Controle dos Incêndios Florestais ministrados pela Rebio

A unidade também realiza eventos especiais com os pequenos dentro da reserva, a exemplo do plantio de mudas nativas com alunos das escolas da região

Militares do Exército Brasileiro e voluntários também são treinados pelos especialistas da reserva para prevenir e combater incêndios

O Sagui-de-tufos-pretos, também conhecido como mico-estrela, é um dos animais catalogados pela Rebio

O exemplar de Tamanduá-mirim (ou Tamanduá-de-colete), espécie que no Brasil ocorre em todos os biomas, foi resgatado pelos guarda-parques e devolvido a seu habitat

Os filhotes de cuíca, marsupiais semelhantes ao gambá, são outros exemplos de animais resgatados e devolvidos ao habitat

Guarda-parques da Rebio e militares da Marinha do Brasil em operação nos incêndios ocorridos na região serrana em 2014

Operação de combate a incêndio florestal em julho de 2013, na localidade da Ponte Funda em Araras

Aeronave do Corpo de Bombeiros em conjunto com guarda-parques em operação de combate a incêndio florestal de 2014

Para debelar os focos de incêndio de 2014, que atingiram cerca de 5,5 mil hectares no município de Petrópolis, a aeronave da Polícia Militar, que trabalhou em conjunto com o corpo de guarda-parques, precisou coletar água em piscinas de residências próximas às áreas afetadas

Mapa com limites e Zona de Amortecimento da Reserva Biológica de Araras








Ações de educação ambiental para estudantes realizadas na sede da unidade, em Itaipava, fazem parte do programa da APA Petrópolis

A feira de produtos orgânicos, realizada no salão da sede da APA Petrópolis, é um dos incentivos oferecidos pela instituição à agricultura familiar

Uma das atribuições mais importantes da APA é o combate ao tráfico de animais silvestres

A equipe de analistas ambientais realiza ainda resgates e reintroduz espécimes da fauna a seu habitat

Símbolo da APA Petrópolis, o Rabo de galo (Worsleya rayneri) é uma espécie endêmica da Maria Comprida

Com o fomento ao cultivo agrícola sustentável, a APA espera promover o agroturismo e evitar a transformação de áreas rurais em espaços urbanos

As ocupações irregulares em encostas são motivo de preocupação para a unidade de conservação

Os 68.223,5900 hectares em que a APA Petrópolis está inserida abrangem os municípios de Petrópolis, Magé, Guapimirim e Duque de Caxias e tem a Mata Atlântica como bioma predominante




Capa

Áreas protegidas



     Um bem que é de todos, as Reservas Biológicas e as Áreas de Preservação Ambiental cumprem papel primordial para o equilíbrio ecológico das regiões em que estão inseridas e isso não é novidade para ninguém. É também de senso comum que para o estabelecimento deste almejado equilíbrio é preciso que haja rigorosa fiscalização destas unidades de conservação e ainda a elaboração de programas educacionais capazes de incutir nos indivíduos a importância da preservação destas reservas naturais.
     Mas, a quem cabe este papel e quais são suas atribuições, áreas de atuação, responsabilidades e programas? Em Petrópolis, duas instituições, ligadas a órgãos estaduais e federais e integrantes do Corredor da Biodiversidade do Estado do Rio de Janeiro, que se encarregam da nobre tarefa – a Reserva Biológica de Araras (Rebio Araras), subordinada ao INEA (Instituto Estadual do Ambiente), e a APA Petrópolis, braço regional do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), autarquia vinculada ao MMA (Ministério do Meio Ambiente) – receberam a equipe da Estações de Itaipava para dirimir estas dúvidas.
     Com atribuições e circunscrições distintas, ambas compartilham o mesmo objetivo: garantir a so­brevivência da biodiversidade. O monitoramento das Unidades de Proteção Integral (ecossistemas livres de alterações causadas por interferência humana, admitindo apenas o uso indireto dos seus atributos naturais) e das Unidades de Uso Sustentável (exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viá­vel), de acordo com categorias e objetivos definidos pela Lei nº 9.985, de 18-07-2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), é a premissa fundamental da Rebio Araras e da APA Petrópolis.


UNIDADE DE PROTEÇÃO INTEGRAL – RESERVA BIOLÓGICA DE ARARAS
Fotos: Acervo Rebio-INEA | Fotógrafos: Augusto Leal; Fábio Migliani; Leonardo Holderbaum; Lúcio Flávio Fonseca; Ricardo Ganem e Vinícius Azevedo

     A Rebio Araras, criada em 1977, teve inicialmente sua área delimitada em 2.068,45 ha (20,68 quilômetros quadrados). Pelo Decreto 42.343, de 10 de março de 2010, teve sua criação ratificada e sua área ampliada para 3.837,81 ha. A unidade se encontra nos contrafortes da Serra do Mar, na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, abrangendo áreas dos municípios de Petrópolis, na sua maior parte, e Miguel Pereira e se dedica basicamente a três diferentes segmentos de atuação.
     O setor de Interpretação e Educação Ambiental visa à interação com a sociedade para a divulgação de práticas conservacionistas, através da organização de palestras, exposições, visitação a escolas e ainda da realização de trabalhos preventivos junto a moradores de seu entorno. Fazem parte deste programa a implantação da trilha interpretativa para visitas guiadas, a confecção e plantio de horta orgânica para uso nas cozinhas de escolas, cursos de formação em prevenção e controle de incêndios florestais, entre muitas outras ações.
     Em 2014, apenas no período compreendido entre janeiro e meados de maio, foram realizadas, dentro e fora da unidade, dez atividades desta natureza, com o envolvimento de 550 participantes. No ano anterior, o número de eventos realizados no mesmo âmbito chegou a 38, com participação de 2.718 pessoas. “Nossa trilha foi adaptada para a inclusão de portadores de necessidades especiais e mesmo cadeirantes têm acesso a ela. Costumamos receber um grande número de pesquisadores e estudantes e em 2013 chegamos a atender a cerca de 5 mil crianças”, comenta o geógrafo Ricardo Ganem, chefe da Unidade de Conservação de Araras.
     A trilha interpretativa, totalmente sinalizada e montada de acordo com critérios do ecoturismo, foi equipada com uma sala de aula ao ar livre chamada Tapiri (palhoça), semelhante às das aldeias ribeirinhas da Amazônia. Ali, são organizadas dife­rentes atividades para crianças e jovens, como, por exemplo, a exposição de equipamentos utilizados pelos guarda-parques na prevenção e combate aos incêndios florestais.
     Em julho de 2014, para comemorar os 37 anos da Rebio, 400 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, matriculados em quatro escolas públicas de Petrópolis e Paty do Alferes, estiveram na reserva para participar de uma programação especial, que incluiu passeios pela trilha, mostras de fotografia e vídeo, apresentações de teatro e coral e oficinas de arte. Os temas escolhidos para a celebração foram: reciclagem, conservação dos recursos hídricos e fauna.
     A segunda linha de ação, Pesquisas Científicas - Fauna e Flora, engloba os inventários botânicos e zoológicos da reserva, com o monitoramento e proteção das espécies vegetais e animais. “Faz parte também do nosso cotidiano a realização de resgate, captura, reabilitação, translocação e reintrodução de animais silvestres a seu habitat”, acrescenta Ganem, ressaltando que o atendimento médico veterinário não está incluído no rol, uma vez que a equipe conta com biólogos, mas não com profissionais especializados para estes cuidados. Os bichinhos resgatados com ferimentos são encaminhados a ONG’s, como a AnimaVida e o Gapa, e ainda a veterinários especializados na fauna silvestre, que atuam em parceria com a instituição.
     Em 2013, o número de resgates chegou a 115 e apenas no primeiro semestre de 2014, 40 animais – entre mamíferos, aves e répteis – foram resgatados pelos guarda-parques e 22 deles, nativos da Mata Atlântica, reintroduzidos no entorno da reserva após inspeção por profissionais habilitados para atestar suas condições de soltura. Aqueles que não pertencem à fauna local são encaminhados aos CETAS (Centros de Triagem de Animais Silvestres), localizados em Juiz de Fora (MG) e Seropédica, na região metropolitana do Rio de Janeiro, para que possam ser conduzidos a seu habitat natural.
     De acordo com o chefe da reserva, os espécimes resgatados com maior frequência são os ouriços, os gambás e as cobras, além de diversos tipos de aves. Em 2014, entretanto, houve grande incidência de lobos-guará, a exemplo do que foi resgatado no Retiro das Pedras, em Pedro do Rio, e encaminhado a um criadouro em Piraí, no Sul Fluminense.
     Atualmente, 11 pesquisas – de natureza zoológica, botânica ou geológica - estão em andamento na unidade. Os estudos realizados na reserva, por membros de diferentes instituições, referem-se aos mais variados temas relacionados à flora, à fauna e à geologia locais e incluem ainda uma Análise de percepção e risco de conflito entre moradores e predadores naturais na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, desenvolvida pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
     “A frente de atuação que engloba a pesquisa e a proteção e da biodiversidade se apoia no princípio: conhecer para preservar. A pesquisa científica visa ao conhecimento sobre o que temos e, quando recebemos a informação de que temos uma riqueza diferenciada de nossas fauna e flora, podemos preservá-las de forma diferenciada”, sintetiza Ganem.
     O terceiro segmento de atuação da Rebio Araras, denominado Proteção, divide-se em duas linhas: prevenir e combater os incêndios florestais, atividade a que o corpo de guarda-parques se dedica com bastante afinco, especialmente na época da estiagem. Para lidar com o problema – que na região acontece com maior intensidade de forma cíclica, como verificado nos anos de 1998, 2002, 2007, 2010 e 2014 – a instituição, de acordo com Ganem, é dotada de total eficiência operacional. “Temos o que há de melhor em termos logística, recursos humanos, equipamentos, viaturas e todos os elementos necessários ao controle.”
     No período mais recente de estiagem, estima-se que os prejuízos à fauna e flora provocados pelas queimadas atingiram uma área de cerca de 5,5 mil hectares no município de Petrópolis. Na área da Rebio, as perdas foram mínimas, segundo o chefe da reserva, que atende a padrões internacionais de conservação da biodiversidade – como os preconizados pela IUCN (International Union for Conservation of Nature) e WWF (World Wildlife Fund ) – e é considerada uma referência no segmento.

Sede da Reserva Biológica de Araras:
Estr.Bernardo Coutinho, 10.351 - Condomínio Jardim Araras (Denasa)
(24) 2225.1975
www.facebook.com/rebioararas.inea










UNIDADE DE USO SUSTENTÁVEL – ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL PETRÓPOLIS
Fotos: Acervo APA-ICMBio

     A unidade petropolitana da APA foi uma das primeiras unidades de uso sustentável com as características de Área de Proteção Ambiental estabelecidas pelo governo federal, em um mesmo decreto, de 1982, que instituiu também a APA Mananciais Paraíba do Sul e a APA Mantiqueira. Apenas dez anos depois de sua criação, entretanto, teve sua área – 68.223,5900 hectares, que abrangem os municípios de Petrópolis (68,32%), Magé (16,75%), Guapimirim (10,39%) e Duque de Caxias (4,54%), com a Mata Atlântica como bioma predominante – delimitada.
     Entre suas atribuições, relacionadas no plano de manejo da instituição, algumas linhas de ação merecem destaque. A fiscalização da área em que está inserida, para a prevenção e combate a incêndios florestais, enchentes e deslizamentos; a análise técnica de projetos públicos ou privados para subsidiar o licenciamento ambiental, através de gestão integrada com outros órgão públicos, principalmente com a prefeitura; o monitoramento de atividades conflitantes, a exemplo de expansão da ocupação na área protegida, degradação dos recursos hídricos, especulação imobiliária, exploração de pedreiras, extração de produtos da flora (especialmente bromélias, cipós e orquídeas) e caça predatória.
     A instituição promove ainda eventos para a educação ambiental – a exemplo do Concurso de Poesia e Fotografia para alunos do ensino fundamental das escolas do município com o tema Eu no Meio do Ambiente, realizado em 2012, e que envolveu 22 mil crianças e jovens da rede municipal de ensino – e mantém uma feirinha de produtos orgânicos em sua sede.
     A valorização do agricultor familiar é outra frente em que a APA atua de maneira vigorosa. “Entendemos que se conseguirmos manter esse indivíduo na área, teremos menos chances de vê-la transformada em área urbana e por isso dirigimos nosso foco também a essa questão; com o fortalecimento da agricultura orgânica, abrimos uma porta para o agroturismo, que pode também gerar renda para essas famílias”, pondera Sergio de Siqueira Bertoche, engenheiro agrônomo e gestor da unidade.
     A APA Petrópolis faz parte da Reserva da Bios­fera da Mata Atlântica (RBMA) e como integrante desta ampla área de preservação – com 350.000 km² de extensão, em forma de um grande corredor, abrangendo 15 estados brasileiros – segue o mesmo princípio que rege a RBMA: promoção do desenvolvimento sustentável, com garantia da proteção da diversidade dos recursos naturais.
     Também no que concerne às diretrizes adotadas, é norteada por conceitos como proteção e recuperação de corredores remanescentes da Mata Atlântica; contribuição para a melhora da qualidade de vida da região, apoiada na distribuição equitativa de conhecimentos, recursos e oportunidades; e ampliação da participação da sociedade nas decisões, valorizando o desenvolvimento científico e o conhecimento nativo e comunitário, além do papel de diferentes organizações, em nível governamental ou não, para garantir participação e integração na área de preservação.
     “A participação da sociedade nas decisões é fundamental, mas o que vemos hoje, infelizmente é que esta participação é ainda muito pequena, até porque os processos não estão democráticos. Mas a gente vai chegar lá e este é um dos grandes objetivos da APA Petrópolis, que é um verdadeiro campo de exercício da cidadania, da nossa capacidade de escolher o mundo que queremos”, avalia Bertoche.
     No território da APA Petrópolis encontram-se exemplares raros de espécies da fauna e flora, como a Rabo-de-galo (Worsleya rayneri), que acabou sendo adotada como planta-símbolo da instituição. Também podem ser encontradas diversas outras epífitas (plantas que vivem sobre outras sem que sejam consideradas parasitas) como a Bromélia Tillandsia grazielae, e ainda espécies ameaçadas de extinção, raras e endêmicas.
     O trabalho de monitoramento da biodiversidade realizado pelos analistas ambientais foi também responsável, em 2013, pela identificação do mico leão dourado na área de proteção. “A princípio, muitos acharam que a população encontrada foi oriunda de solturas no local, mas, através de pesquisas e relatos de moradores locais, constatamos que existem já há muitos anos populações ilhadas aqui e também em Silva Jardim”, comenta o gestor.
     Outras ocorrências também vem sendo registradas e o órgão possui um levantamento com mais de 250 espécies de animais silvestres identificadas; de muitas delas até pouco tempo não se tinha registro. De acordo com Bertoche, esses são dados importantes para subsidiar o trabalho de conservação da biodiversidade do Instituto Chico Mendes. “Mas sem o viés muito acadêmico e sempre com a junção de dois temas muito relevantes: preservação e senso comunitário.”
     Embora o quadro da instituição seja enxuto, são quatro analistas ambientais e dois servidores terceirizados, a unidade mantém um programa de voluntariado que reúne, entre outros, estudantes de biologia, gestão ambiental e cursos afins. “Temos recebido muitos voluntários interessados na questão socioambiental e é uma grande alegria ver estes jovens encaminhados com boa experiência para o mercado de trabalho”, anima-se o gestor.
     A APA Petrópolis faz conexões diretas entre duas representativas unidades de conservação de proteção integral, o Parna Serra dos Órgãos e a Rebio do Tinguá, além de manter no seu interior, importantes fragmentos de Mata Atlântica. Sua importância pode ser evidenciada quando se leva em conta o grau de fragmentação e da redução de habitat deste bioma de floresta tropical.

Sede da APA Petrópolis:
Estrada União Indústria, 9.726 – Itaipava
(24) 2222-1651 
www.facebook.com/apa.petropolis
apa.petropolis@icmbio.gov.br



MOSAICOS DE ÁREAS PROTEGIDAS

     A Rebio Araras e a APA Petrópolis integram o Mosaico Central da Mata Atlântica Fluminense, formado também por outras UC federais (APA Guapimirim, Rebio do Tinguá e Parna das Serra dos Órgãos) e estaduais (PE dos Três Picos e Esec do Paraíso). O Estado do Rio de Janeiro é um dos pioneiros no país em gestão integrada por mosaicos e conta ainda com mais dois conjuntos de áreas: o Mosaico Sul-Fluminense e o Mosaico Terras Altas da Mantiqueira.
     Instrumento previsto pelo SNUC, a gestão integrada por mosaicos tem a finalidade de nivelar as diferentes categorias de UC, ressaltando a principal função de cada uma, assim como fortalecer a ideia do conjunto conservado. Nos seus princípios, os mosaicos devem representar a força de integração das gestões das diferentes unidades, aliadas aos diferentes níveis do poder público. Na área ambiental, o conceito de mosaico – pedaços separados, mas que formam uma composição – é um fator essencial para a preservação ambiental em termos biológicos, geográficos, sociais, e administrativos.
     Para a biologia é extremamente relevante possibilitar a troca de espécies e aumentar o leque de reprodução dentro de uma mesma espécie. Não basta que haja apenas zonas preservadas isoladas, os corredores são necessários para promover a força das espécies e aumentar as trocas, uma vez que aves, mamíferos, insetos e outros animais migram constantemente.
     Em termos geográficos, a correlação de diferentes ambientes é indiscutível. O manguezal, por exemplo, é composto por influências diretas da região serrana de onde foram transportados os sedimentos que se depositaram na área de baixada. Da mesma forma, o litoral influencia a serra no ciclo hidrológico. Não existem pontos exatos onde termina a Mata Atlântica de Altitude e inicia a região de planalto e posteriormente essa se transforma em Baixada. As bacias hidrográficas também promovem intensa ligação entre os diferentes ambientes ao carregar material da Serra para o Mar.
     Os aspectos sociais também são interligados. Não existe um ponto onde termina a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e inicia a área rural, por exemplo; e o que se vê com frequência cada vez maior é que muitos indivíduos que habitam uma das áreas moram na outra. A associação pode ser também comprovada por outros fatores: a poluição da refinaria localizada na Baixada atinge a Região Serrana com fumaça e até chuva ácida; em contrapartida, a proteção com áreas verdes na Região Serrana melhora a qualidade do ar na cidade do Rio de Janeiro.
     A administração conjunta para as diferentes unidades de conservação é considerada muito mais eficiente, não só para garantir os aspectos biológicos, geográficos e sociais. A fiscalização conjunta e integrada é também fundamental para parcerias no combate a incêndios ou outros desastres ambientais.  

Fonte: www.mosaicocentral.org.br

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