A ETE do Condomínio Baltazar Francisco Corrêa, em Três Rios (RJ), é um exemplo de como os equipamentos podem ser instalados de forma a ficar totalmente imperceptíveis

Os reatores biológicos podem ser, dependendo do volume de efluente a ser tratado, confeccionados em termoplástico ou alvenaria; dispostos em série, podem operar enterrados ou sobre a superfície

Os projetos incluem um sistema preliminar para a retenção de sólidos grosseiros como materiais plásticos, por exemplo

O bambu é utilizado como meio de suporte para a fixação dos microrganismos

Para evitar o desperdício: projetos incluem filtros que permitem o reuso do esgoto tratado transformado em água para, por exemplo, irrigação ou lavagem de calçadas

Antes da implantação da estação, a Simbiose elabora projetos minuciosamente detalhados e adaptados às necessidades de cada cliente

Fotos: Henrique Magro




Meio ambiente

Tudo novo de novo



     A promoção da sustentabilidade em benefício da saúde do planeta não é algo que se possa deixar restrito ao poder público ou a grandes corporações e indústrias. Medidas simples adotadas no cotidiano contribuem para a diminuição de um dos maiores problemas hoje enfrentados pela população mundial: a escassez e o desperdício de água.
     Fatores diversos – como distribuição geográfica desigual, crescimento desordenado dos centros urbanos, deterioração de rios e lagos e mau uso do recurso – são os causadores do dese­quilíbrio e o cenário, já tão desfavorável, tende a piorar. Estudos desenvolvidos por diferentes instituições ao redor do mundo oferecem dados alarmantes para um futuro próximo: a esti­ma­tiva é de que até 2025 um terço da população do planeta irá experimentar efeitos extremos de escassez deste elemento fundamental à sobrevivência.
     Outros diagnósticos demonstram que no ambiente doméstico o consumo é de 40 a 200 litros diários e o grande vilão no âmbito domiciliar é o banheiro; o uso para fins de higiene pessoal é de 65 a 75% do total da água utilizada nas residências. Se somarmos a isso ao emprego na cozinha, jardim, piscina e outras formas de uso é possível perceber o quanto se gasta, muitas vezes de forma desnecessária.
     Felizmente, a tecnologia hoje disponível provê meios para o controle do desperdício. Um deles é um sistema que promove economia de até 30% do consumo da água, através da reutilização deste recurso fundamental e não renovável e ainda evita a contaminação da rede pluvial.
     Sediada em Itaipava, a empresa Simbiose – Inteligência Ambiental, com aproximadamente 60 projetos já implantados em todo o estado do Rio de Janeiro, utiliza-se de biotecnologia inovadora em seus projetos de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), com múltiplas aplicações: indústrias, hospitais, hotéis, restaurantes, condomínios e residências, entre muitas outras. O sistema é natural, sem adição de produtos químicos ou geração de resíduos sólidos (lodo orgânico).
     “As estações com que trabalhamos realizam o tratamento tanto de esgoto quanto da água, que é convertida para reutilização em limpeza de calçadas ou irrigação, por exemplo, ou descarte. O esgoto é tratado na fonte, com a remoção de contaminantes feitas por microrganismos que transformam os resíduos sólidos em líquido e sem geração de gás metano; ao contrário da fossa filtro, que não promove qualquer tipo de tratamento, apenas a separação de resíduos sólidos e líquidos” explica Gustavo Raeli Corrêa, proprietário da Simbiose e representante do sistema SISNATE (Sistema Natural de Tratamento de Esgoto).
     A tecnologia adotada pela Simbiose é uma alternativa sustentável, desenvolvida após 40 anos de pesquisa, e que se utiliza da biomassa, em um processo anaeróbico que permite o reuso ou o retorno da água tratada, sem a adição de qualquer produto químico, à natureza. Desenvolvido pela empresa catarinense Sisteg – Consultoria em Tratamento de Efluentes, o SISNATE é um sistema inédito no mundo que utiliza agentes ativos existentes em plantas tropicais, que manipulados, retém, reagem e eliminam os elementos poluentes da água, tornado-a reutilizável com um grau de pureza aceito segundo as normas técnicas vigentes.
     As estações são compostas por um sistema modular de tanques (conjuntos de quatro ou oito reatores biológicos dispostos em série) que podem ser, dependendo do volume de efluente a ser tratado, confeccionados em termoplástico ou alvenaria e podem operar enterrados ou sobre a superfície, com funcionamento por gravidade. Outras vantagens listadas pelo consultor são menor demanda de área para instalação e de intervenções físicas (não é necessário limpar como nos outros sistemas) e o aumento da eficiência do sistema devido a processos de maturação, além da inexistência de consumo de energia elétrica para seu funcionamento e melhor relação custo/benefício.
     “Em termos de custos, em algumas situações os valores são equiparados aos da fossa filtro. A nossa tecnologia promove uma biodigestão acelerada da matéria – o que significa que em um espaço de tempo menor é capaz de tratar o mesmo volume de um sistema convencional; o que ele consegue processar em 24 horas, tratamos em um período de seis a oito. Também não é necessária a limpeza da estação e a redução de espaço físico proporciona a redução de material utilizado; além disso, temos a economia de água e a ausência do impacto ambiental”, defende o consultor.
     A Simbiose é uma empresa que atua nas áreas de serviços ambientais, com operações nos mais diversos segmentos; em projetos hidrossanitários e de saneamento; e na consultoria para a certificação de empresas para as normas ISO 9001 e ISO 14001.


Fontes:
Centro Internacional de Referência em Reuso de Água – CIRRA:
http://biton.uspnet.usp.br/cirra

Sisteg – Consultoria em Tratamento de Efluentes:
www.sisteg.com.br



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