As abelhas usadas na terapia são as do tipo comum encontrado no Brasil, resultado de cruzamentos entre espécies europeias e africanas

O procedimento é realizado com uma picada por vez nos pontos identificados pelo terapeuta

Cada abelha é utilizada uma única vez; a ferroada é benéfica para os humanos, mas letal para elas


Helios se especializou na apiterapia com apitoxinas há mais de dez anos, depois de verificar resultados surpreendentes no tratamento de seu próprio problema de saúde

Fotos: Henrique Magro




Saúde & bem-estar

Suave veneno



     Dolorosas ferroadas de abelhas, quem diria, podem funcionar como um excelente complemento terapêutico para uma série de enfermidades. A apitoxina – nome mais pomposo do veneno produzido pelas operárias da colmeia e formada por 88% de água e 12% de proteínas, peptídeos, compostos orgânicos voláteis, aminoácidos e aminas – atua como poderoso coadjuvante em tratamentos de nevrites, traumas, cicatrizes, tendinites, bursites, varizes, inflamações nas articulações, alergias, doenças autoimunes em geral e até de esclerose múltipla ou outras neuropatias.
     Embora esta forma de Apiterapia (ramo da terapia alternativa que utiliza diferentes produtos apícolas em tratamentos naturais) cause um certo desconforto, principalmente nas primeiras sessões, o alívio das dores provocadas por essas e outras doenças é um de seus efeitos mais evidentes. Outro benefício notório é a sensível melhora da qualidade do sono, promovida pelo efeito relaxante da toxina, que tem ação, além de analgésica, anti-inflamatória, antibacteriana, antifúngica e antitumoral.
     Mas, como ocorre normalmente em qualquer procedimento, os resultados são diferentes para cada indivíduo, assim como as dosagens e o número de sessões necessárias. Também os pontos do corpo que irão receber as picadas variam de acordo com cada caso; como seu efeito tópico é muito grande, de um modo geral os pontos escolhidos são aqueles em que as dores se manifestam.
     Fator fundamental para a eficácia do tratamento é a entrega a ele sem reservas. “Neste tipo de terapia, o paciente é o maior responsável pelos ganhos. Não sou eu ou abelhas que vamos conseguir isso; quanto mais aberta a pessoa estiver, com confiança de que terá bons resultados, maior as chances de melhora ou mesmo de cura”, explica Helios de Oliveira, terapeuta que adotou a técnica depois de passar, ele mesmo, por inúmeras sessões para combater problemas decorrentes de esclerose múltipla, por indicação do irmão médico.
     De acordo com o terapeuta, muitas vezes as pessoas que buscam o tratamento já estão bem fragilizadas e é normal que a perspectiva da dor das picadas cause também a elevação de seu nível de estresse: “por isso, antes de iniciar a aplicação, costumo conversar bastante com os pacientes e ainda fazer massagens relaxantes”, afirma. Os protocolos incluem ainda a prescrição de antialérgicos, que devem ser utilizados algumas horas antes do início das sessões para evitar efeitos colaterais como inchaços e coceiras.
     Entre os pacientes que Helios atende na Pastoral da Saúde da Igreja Sagrado do Coração de Jesus, no Centro de Petrópolis, a costureira Leila e a acompanhante de idosos Jurema são enfáticas ao abordar as vantagens do tratamento com abelhas. “Os efeitos para mim são muito positivos, além da diminuição das dores nas articulações, consigo andar com muito mais facilidade graças à terapia”, afirma Leila, que sofre de Mal de Parkinson.
     Para Jurema, que se trata ali há três anos para combater dores no nervo ciático, as consequências das aplicações não foram diferentes. “Cheguei a ficar 20 dias sem andar. Tentei acupuntura e fisioterapia sem qualquer resultado, mas hoje, graças às abelhas, estou completamente curada, continuo com as sessões apenas para aliviar outros pequenos problemas como joanetes e varizes”, testemunha.
     Apesar de ser totalmente natural, a apiterapia que se utiliza de toxinas não é para todos. Mulheres durante a gestação e indivíduos que sofrem de doenças infecciosas ou sexualmente transmissíveis, patologias cardíacas e câncer, por exemplo, não devem se submeter às picadas das abelhas, além de, segundo Helios, usuários de drogas. Mesmo para os que não integram grupos de risco, o ideal é sempre buscar aconselhamento médico antes de optar por qualquer terapias, alternativa ou não.
     Para quem se empolgou com os efeitos curativos, mas teme as picadas, duas notícias: a boa é que alguns produtos à base de apitoxina são comercializados no mercado em forma liofilizada; a má é que, por conta da volatilidade de parte dos elementos que compõem o veneno e se perdem neste processo, a eficácia é considerada menor.

Helios de Oliveira:
(24) 98848.2493
www.luzfundamental.com
heliosdeoliveira@yahoo.com.br


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