Fliperama particular: a coleção de Marcelo inclui também maquinas mais modernas, em que prevalece sua preferência pelos temas apresentados, relacionados a filmes ou personalidades, e suas ornamentações particulares, com enfeites colocados sobre as máquina (chamados de Topper), assim como os flyers originais de lançamento de cada uma delas nas colunas do teto do gameroom


Orgulho do acervo: Cavaleiro Negro, produzida pela TAITO, em 1981, é a máquina nacional mais procurada por colecionadores e a mais adorada por quem viveu os anos 80. “Foi uma das primeiras a conversar com o jogador através de uma voz sintetizada, como se fosse um americano falando português; além disso, também uma das primeiras a ter dois andares no campo de jogo. Uma das que mais me orgulho em ter na coleção”, afirma Marcelo


Inspirada no antigo seriado de TV americano “Além da Imaginação”, a Twilight Zone, fabricada pela Bally, é considerada a melhor produzida no mundo em todos os tempos. As inúmeras missões durante o jogo fazem com que o jogador nunca enjoe dela, uma vez é muito difícil e raro que se consiga atingir todos os objetivos propostos


Os temas são atrativos importantes para jogadores e colecionadores. Da esquerda para a direita: as três primeiras, fabricadas pela Williams, apresentam Medieval Madness (que propõe a tomada de um castelo e é considerada por Marcelo como o jogo mais interessante de sua coleção, além de ser uma das máquinas mais desejadas do mundo), Monster Bash (traz um inusitado grupo de rock: Drácula na guitarra, Frankenstein nos teclados, noiva do Frankenstein na voz, Lobisomen na bateria, Múmia no baixo e a criatura do Lago Negro no sax são os personagens do segundo mais desejado pinball do mundo), Indiana Jones (também uma das mais raras e procuradas da coleção, tem largura maior que as normais e as vozes e canções originais dos filmes quando em jogo). The Addams Family, a máquina da Bally (em destaque na foto) é a que teve maior produção em todos os tempos, com 20.270 unidades, e traz um componente interessante: uma mão que sai de uma caixa para pegar a bola de jogo


Uma das únicas com três andares produzidas no mundo, a Haunted House (fabricada pela Gottlieb, em 1982), apresenta tema que remete a uma casa mal assombrada onde existem térreo, porão e sótão, proporcionando a sensação de que o jogador está realmente dentro da casa. A largura do campo de jogo é maior do que as das máquinas convencionais e hoje só existem três exemplares no Brasil

Por suas características especiais – “é muito enigmática e divertida ao mesmo tempo” – Marcelo considera a Haunted House a máquina mais emblemática de sua coleção. No lado superior esquerdo da foto, o detalhe do placar mecânico de uma máquina nos anos 70 (Totem) contrasta com o placar digital daquelas produzidas na década seguinte

Marcelo também coleciona troféus por sua participação em campeonatos. Em 2015, nas etapas do atual campeonato brasileiro, foram quatro: 2o lugar na primeira etapa, em abril, no Rio de Janeiro Pinball Clube; 1º lugar na terceira etapa, em agosto, no Imperial Pinball Clube (Petrópolis), 4º lugar na quarta etapa, em novembro, no ABC Pinball Clube (Ribeirão Pires - SP); e 1º lugar na última etapa, em dezembro, no São Paulo Pinball, o que lhe garantiu o título de campeão e o direito de disputar o mundial de pinball na Pensilvania (EUA), de 12 a 14 de abril de 2016

Fotos: Henrique Magro




Hobby

Pinball

Uma diversão levada a sério

     Para quem está na faixa entre 45 e 50 anos é impossível não lembrar a febre de pinball que contagiou jovens de todo o país a partir do lançamento por aqui, em 1976, da ópera rock Tommy (1975), com banda inglesa The Who e direção de Ken Russel. Pois as máquinas de flipper, como são também conhecidas e que pareciam ter seus dias contados com o advento dos videogames e outros brinquedinhos com tecnologia mais sofisticada, ainda tem seu espaço no Brasil.
     Em Petrópolis, que integra o seleto grupo de cidades brasileiras que mantêm clubes dedicados ao pinball (são apenas dois no Rio de Janeiro e três em São Paulo), o analista de sistemas Marcelo Pereira Baptista, mais conhecido no meio como Marcelo MPBola, é um dos entusiastas que teve há alguns anos sua paixão pelo jogo reacendida e se dedica, desde 2006, a colecionar máquinas antigas e a fomentar o interesse por este tipo de entretenimento. Foi ao consultar um site de compra e venda em busca de outro tipo de jogo vintage, que ele redescobriu a diversão da juventude.
     “Eu e minha mulher, Renata, queríamos um Genius, fomos procurar no Mercado Livre e acabei lembrando do pinball. O sonho da maioria dos moleques da minha geração era ter um equipamento desses na sala de casa para não ter de comprar muitas fichas para poder ficar mais tempo jogando nos fliperamas. Quando, por volta de 1985, as lojas especializadas começaram a fechar e outros locais, como shoppings, bares e lanchonetes desistiram de manter as máquinas elas acabaram sendo abandonadas e nos anos 90 começaram a aparecer os colecionadores. Depois que comprei a primeira máquina, comecei a contatar outras pessoas com o mesmo interesse, além de técnicos e restauradores especializados, e não parei mais”, conta.
     Não parou mesmo. Seu acervo atual reú­­ne 52 equipamentos, todos em perfeito es­tado de funcionamento e muitos deles con­siderados raridades, divididos entre sua casa em Itaipava e o Imperial Pinball Clube, associação que ajudou a formar e que hoje, instalada no bairro de Cascatinha, conta com 12 membros. Para frequentar o clube é preciso ter a indicação de um dos sócios e colaborar com uma taxa mensal para sua manutenção. A adesão dá direito a uma chave do imóvel para o livre acesso às suas dependências e ainda à participação nos encontros realizados ali semanalmente.
     Assim como a maioria dos colecionadores, Marcelo – que participa de torneios nacionais e acaba de sagrar-se campeão brasileiro na competição realizada em São Paulo em 5 de dezembro de 2015 – investe boa parte de seu tempo no hobby. E a diversão não se resume à utilização das máquinas: a restauração delas e a aquisição constante de acessórios para incrementar os equipamentos e criar uma ambientação ideal para seu gameroom particular são também motivos para curtir o passatempo. “Infelizmente, não existem no Brasil muitas empresas especializadas em manutenção e conserto, mas, para nossa sorte, a melhor delas, a JSW Pinball, está em Petrópolis – o que facilita drasticamente o acesso ao hobby para quem está aqui”, recomenda.
     Atualmente, por sua dedicação ao hobby e pelo tamanho de sua coleção – com todos os tipos de máquinas, desde as eletromecânicas fabricadas nos anos 70, passando pelas multiprocessadas fabricadas a partir dos anos 80, até as mais modernas, com o mesmo sistema, mas que contam com inovações, especialmente no display –, o petropolitano é considerado uma referência entre os colecionadores. “Muitas pessoas que querem iniciar uma coleção, ou mesmo comprar apenas uma máquina, me consultam antes de adquirir o equipamento e eu ofereço todas as indicações com o maior prazer; pois considero importante para o fomento do pinball, que experimenta agora um período de resgate”, afirma.
     Se para os jovens de hoje os jogos podem parecer bastante rudimentares, para aqueles que passaram boa parte de sua adolescência nos fliperamas – que construí­ram até uma certa má fama junto aos pais por serem alguns dos locais prediletos para se matar aulas nos anos 70 e meados dos 80 – eles exercem um grande fascínio. E à medida que os aficionados abrem suas coleções para a apreciação de interessados e se organizam em clubes para trocar informações e realizar eventos diversos, antigos apreciadores voltam a nutrir interesse pelas máquinas, que exigem, além de sorte, uma boa dose de destreza, agilidade e precisão dos jogadores, assim como seu conhecimento acerca das missões (objetivos), para avançar nas diferentes fases do jogo.
     O momento é tão especial para o bom e velho pinball, que a JSW planeja lançar uma nova máquina em 2016. O tema ainda não foi divulgado e a expectativa dos aficionados é grande. Para aqueles que pretendem se iniciar nesse universo glorificado pelo filme de Ken Russell, a sugestão é uma visita aos sites especializados – entre eles, os nacionais www.pinballbrasil.org.br e www.ipdb.org e o americano www.pinballowners.com – e ainda através de contato com Marcelo. “Quem tiver interesse em saber mais sobre pinball como um todo, visitar a minha coleção, pedir opinião para compra ou se tornar sócio do nosso clube é só me procurar que terei o maior prazer em ajudar e indicar os melhores deste hobby”, conclui.

Marcelo Pereira Baptista:
(24) 98182.0955
mpbola@hotmail.com


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