As Retorcedeiras são parte importante do setor de preparação de fios. Com a matéria-prima devidamente liberada para o uso, os fios podem ser submetidos a uma série de processamentos até atingirem as especificações para o seu uso na tecelagem. As máquinas denominadas Retorcedeiras são responsáveis pela transformação da matéria-prima - fios de monofilamento singelo - em fios de monofilamento retorcidos para uso na forma de urdume e/ou trama nos setores subsequentes. A quantidade de cabos retorcidos e o nível de torção do fio podem variar de acordo com as necessidades do cliente final


À direita na foto, a gaiola da máquina com os fios monofilamentos alimentando a Retorcedeira (à esquerda), responsável pelo retorcimento propriamente dito dos fios. É nesta etapa que ocorre a união de dois ou mais cabos, imprimindo certa torção entre eles de forma a conferir novas características (tais como maior resistência) ao fio resultante



Outra área da Preparação de Fios é o setor das Espuladeiras.  Estas máquinas têm como função preparar o fio de trama a ser usado na Tecelagem. Para tal, efetua-se a transferência dos fios acondicionados em carretéis para as “espulas”, que são utilizadas nas lançadeiras do tear

Embora seja uma indústria têxtil, os equipamentos da Xerium diferenciam-se bastante das têxteis convencionais. Os teares são de grande porte, chegando a até, aproximadamente, 20 metros de largura.  É no tear, mediante o entrelaçamento dos fios de urdume e trama que se forma o “tecido base”. No caso de feltros, o tecido formado recebe o nome de “base” e, com as camadas de fibra que lhe são incorporadas em etapas posteriores do processo de fabricação, recebe o nome de “feltro”, produto final da unidade petropolitana do grupo

Após o Tecimento, ocorre a revisão das bases. No setor de Revisão, são realizadas as inspeções, garantindo a uniformidade ao Tecido Base, para então seguir o processo produtivo. As bases são inspecionadas visualmente e fazendo uso do tato




No setor de Cardagem e Fabricação de Manta são produzidos os “Rolos de Manta”, utilizados posteriormente nas Agulhadeiras. A matéria-prima utilizada nesta etapa são as Fibras de Poliamida que passam por um processo de abertura antes de serem cardadas. As cardas tem a função é uniformizar e paralelizar as fibras. Na saída das mesmas, a manta é encaminhada para o “dobrador”, onde várias camadas são sobrepostas de forma a atingir o peso desejado. Estas camadas passam pela pré-agulhadeira, reduzindo a sua espessura e imprimindo maior resistência entre elas. De posse de uma razoável resistência, as camadas de manta são enroladas em tubos, originando os “Rolos de Manta” que abastecem as Agulhadeiras




No alto e acima: o Agulhamento é a operação que consiste em entrelaçar as fibras (provenientes dos rolos de manta) no Tecido Base. Neste processo, a manta de fibras é desenrolada sobre o tecido base (sob tensão controlada) e, por intermédio de agulhas munidas de pequenas farpas, as fibras são introduzidas e fixadas na estrutura da base. Várias passadas são necessárias durante este processo até se atingir as características desejadas. Concluído o Agulhamento, a base passa a chamar-se de feltro e segue para a etapa de acabamento



No laboratório, são realizados testes para suporte à área fabril, através de análises em matérias-primas e produtos auxiliares de uso na produção, bem como análises diversas para o monitoramento do processo/produto (medidas de permeabilidade, espessura, encolhimento etc.), assim como para a área técnica, através da análise de produtos  acabados, e também de feltros retornados de clientes após sua utilização


Foto: Blog Berçário e Creche
Pião

Fotos: Henrique Magro


Capa

Xerium
Atuação destacada na produção têxtil de Petrópolis


     Segmento tem mais de um século de destaque na atividade econômica da cidade e abriga um dos gigantes mundiais na fabricação de insumos para indústrias de papel e celulose

     Muito mais conhecida e celebrada por suas características históricas, culturais e gastronômicas, Petrópolis figura como um dos destinos turísticos mais aprazíveis do Brasil. Mas a cidade merece destaque também por sua produção industrial. Neste universo, o desenvolvimento do setor têxtil local – marcado pela formação, em 1872, de sua primeira companhia, a Renânia, logo depois rebatizada como Imperial Fábrica São Pedro de Alcântara – sempre teve grande relevância.
     Embora com maior ênfase na produção de tecidos para a confecção de roupas, ao longo de quase 150 anos a vocação para a produção têxtil não se restringiu apenas a este ramo. Em 1941, já estava em atividade a Llobera – primeira empresa do Brasil especializada em fabricação de feltros, localizada na Av. Barão do Rio Branco, no Centro, no mesmo prédio onde foi fundado, em 1923, o Lanifício Petrópolis, pioneiro na produção desse segmento em Petrópolis.
     Hoje, a construção - com a fachada tombada pelo Patrimônio Histórico em 1998 e que sofreu obras recentes de restauro, concluídas em 2015 - abriga a unidade fluminense do Grupo Xerium, um dos gigantes mundiais no segmento de insumos para indústrias de papel e celulose e ainda para a manufatura de outros bens de consumo. A história do grupo na cidade foi iniciada com a compra da Llobera, em 1968, pelo grupo americano Huyck Corporation. Desde então, a empresa pertenceu a outros acionistas, sendo que desde 2000 é parte do grupo americano, Xerium.
     Com sede na cidade de Youngsville, na Carolina do Norte (EUA), e 28 unidades produtivas distribuídas por 13 países, onde emprega um total de 2,9 mil pessoas, o Grupo Xerium mantém ainda outros parques industriais brasileiros instalados nos municípios paulistas de Piracicaba e Sumaré. Como desenvolvedora e fornecedora de produtos e serviços, a Xerium é líder mundial e abastece grande variedade de indústrias: celulose e todos os segmentos de papel - preparação de massa, não tecidos, produtos para construção e outros produtos especiais. Além do Brasil, o grupo tem fábricas instaladas no Canadá, Estados Unidos, México, Argentina, Chile (em construção), Alemanha, Itália, Finlândia, Áustria, Turquia, Japão, China e Austrália.
     Em Petrópolis, a produção é voltada especificamente para o desenvolvimento de feltros para a indústria de Papel e Celulose (feltros tubulares, feltros com emenda e feltros não tecidos) e para o mesmo tecido direcionado às indústrias de Fibrocimento, utilizado na fabricação de placas para paredes, chapas onduladas, telhas para coberturas, e tubos.
     Aqui, em uma área total de 185 mil m2 e 16 mil m2 de área construída – que inclui uma central de tratamento da água para a gestão ambiental responsável, com controle rígido de das emissões e dos efluentes, emprega 160 pessoas e tem capacidade de produção de 400 mil kg/ano, de acordo com levantamentos de abril de 2016. Mas as constantes atualizações do parque o capacitam a aumentar o volume. “As plantas de Petrópolis (RJ) e Piracicaba (SP), com as atualizações que receberam, estão tecnologicamente preparadas para os novos lançamentos das recentes plataformas mundiais da Xerium de feltros e telas formadoras, que serão a base de nosso crescimento no mercado até 2020” anunciou Eduardo Fracasso, presidente da Xerium Technologies, para a América Latina, em entrevista recente à revista O Papel, publicação especializada em tecnologia do setor de celulose e papel.
     Na mesma entrevista, o executivo ressalta os lançamentos recentes e os planos do Grupo para 2017. “Continuamente estamos atualizando nosso parque industrial, a fim de fazer frente às crescentes demandas de nossos clientes. Especificamente em 2016, para o segmento de papel, lançamos uma nova linha de telas secadoras espirais, telas formadoras com menor coeficiente de arraste (o que contribui na redução do consumo de energia), além de uma nova família de feltros para o segmento de celulose. Para 2017, nosso enfoque em produto continuará forte e novos produtos serão agregados ao atual portfólio.”
     Presente desde 1962 na América Latina e há mais de dois séculos no mundo, a Xerium, por meio de suas antecessoras (Huyck, Wangner Itelpa e Nortelas), é responsável por uma série de inovações para o setor. Além do lançamento de diferentes produtos pioneiros no mercado, integram o portfólio do grupo a introdução de novos conceitos de tecimento e tecnologias de ponta para processos e ainda o desenvolvimento de revestimentos em materiais nunca antes utilizados nos segmentos em que atua. Sua reconhecida atuação no Brasil já rendeu ao grupo prêmios, sendo o mais recente, o Destaque do Setor 2016, na categoria de Fabricante de Vestimentas, concedido pela ABTCP (Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel) às empresas que otimizaram ou implementaram tecnologia em processos, produtos ou serviços, assim como soluções de mercado para melhor atender aos clientes deste setor industrial.
     A ampliação da estrutura de vendas e serviços e soluções técnicas em toda a América Latina também está na pauta para este ano. Para o Grupo Xerium, o Brasil, que tem uma dimensão de quase 50% do potencial da região, sempre foi um mercado importante de papel e mais recentemente vem se destacando também por grande potencial para investimentos no setor de celulose. Entre as próximas metas do grupo, em nível global, inclui-se a expansão nas regiões de maior dinamismo no setor, como Ásia e América Latina, e consolidação em mercados maduros, como Europa e Estados Unidos.
     O parque industrial de Petrópolis dirige seu foco, primordialmente, à produção de feltros usados para a absorção de água no processo de fabricação de papel. As duas matérias-primas essenciais são: fios de poliamida, dos tipos monofilamento, monofilamento retorcido, fio fiado e multifilamento; e fibras de poliamida, material com grande capacidade de absorção e propriedades químicas adequadas. Os processos, com a certificação ISO 9001 de qualidade, incluem a preparação dos fios (retorcimento, urdição e espulagem), tecelagem, termofixação das bases (pré-acabamento), preparação de mantas (cardagem), agulhamento, acabamento final, inspeção final e embalagem.
     Dependendo da severidade das condições de operação no cliente, alguns feltros são submetidos, na fase de acabamento, a tratamentos especiais que conferem ao produto características físico-químicas adicionais, melhoram o seu desempenho e aumentam a sua durabilidade. São realizados ainda processos de cura para fixação do tratamento.
     Independentemente da aplicação de tratamentos especiais, os feltros são submetidos a temperaturas para garantir sua estabilidade dimensional. Finalizadas estas etapas, os feltros são encaminhados à expedição, onde se realizam a validação das especificações técnicas - valores dimensionais, permeabilidade, espessura e peso -. Uma vez em conformidade com os requisitos especificados, os produtos são embalados e liberados para o faturamento.
     Além de conferir os modernos processos utilizados na confecção de feltros pelo Grupo Xerium, a equipe da Estações de Itaipava teve o privilégio de visitar as instalações da fábrica da Avenida Barão do Rio Branco (ainda hoje conhecida por muitos como Huyck). Conhecer o representativo prédio do início do século XX – período em que a indústria têxtil petropolitana viveu um de seus melhores momentos e foi, inclusive, considerada uma referência nacional neste ramo de produção industrial – não tem preço.



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