Fotos: Henrique Magro




Especial

Artesanato puro

Produção local reunida em um dos pontos mais movimentados de Itaipava

     Aproveitar o fim de semana para abastecer a geladeira e a despensa, encontrar amigos para uma happy hour em horários inusitados e ainda conhecer a produção de artistas e artesãos da cidade, tudo em um mesmo pacote, não tem preço. Ainda mais quando se tem a qualidade e a tradição presentes em peças variadas, que vão de singelas bonecas de pano a uma Jardineira Imperial – como ficou popularmente conhecido o automóvel Ford, modelo de 1929 – restaurada e em ótimo estado.
     Um dos mais tradicionais centros de arte e artesanato da cidade, a Feira de Arte Augusto Daniel da Silva – a “Feirinha do Horto”, assim chamada por sua privilegiada localização, um espaço ao ar livre defronte ao Hortomercado Municipal – reúne 33 membros afiliados à Associação dos Produtores Artesanais do 2º ao 5º Distrito de Petrópolis e completou 26 anos em setembro de 2016. Ali é possível encontrar os mais diversos produtos confeccionados artesanalmente por artistas locais.
     Estas são, por sinal, as duas características presentes e marcantes em tudo o que é comercializado nos estandes – o que faz deste pequeno centro de compras um dos mais genuínos que se pode conhecer em Petrópolis e torna qualquer suvenir adquirido ali ainda mais especial. Seja um acessório de moda ou um móvel antigo customizado com cores vibrantes e modernas, os itens primam por uma característica comum: são peças únicas para valorizar o próprio acervo ou para presentear com originalidade.
     A própria história da feira já traz em si valores que a distinguem de um mero comércio. Não foi sem luta que seu idealizador, que dá nome ao projeto, conseguiu transformar um pequeno grupo de artesãos em uma associação com regras estabelecidas, valorização da atividade e local permanente para exposição e venda de sua produção. Ainda hoje os expositores enfrentam algumas dificuldades; como a feira funciona em um espaço ao ar livre, nos dias de forte chuva ficam impedidos de expor. A falta de promoção e apoio por instituições do segmento turístico é outro impedimento para o fomento dos negócios.
     “Quando começou, em 1990, não havia a associação e o espaço que a feira ocupava era do outro lado da Estrada União e Indústria, sem qualquer estrutura. Passaram-se três anos até que tudo fosse regulamentado e o projeto oficializado”, comenta Júlio Roberto de Souza (ele adota o nome intermediário profissional e socialmente, faz questão de frisar), coordenador e fiscal da feira e que agora ocupa interinamente a presidência da associação. As peças ofertadas são bem variadas e uma visita ao local, acompanhada de uma incursão ao Hortomercado, com parada estratégica no bar para uma cervejinha bem gelada, é um ótimo programa. Confira abaixo a produção – dos segmentos de moda, decoração, mobiliá­rio, utensílios, materiais de escritório e outros – dos 28 expositores que hoje se encontram em atividade na feira.

Artesanato em Bambu - Luminárias, incensários, porta velas e porta temperos, entre outros objetos confeccionados com o mesmo material.
Cabides Decorativos - Cabides, prateleiras, porta papel, porta bijuterias etc.
Ateliê di Carlí - Toalhas de mesa, caminho de mesa, jogo americano, almofadas, panos de prato etc.
Roseli Bagagem e Artesanato - Bonecas, santos, espantalhos, pesos para porta e outros objetos produzidos com tecidos.
Bijur Artesanato - Bijuterias criadas a partir de peças de reciclagem, com papel de tecelagem, miçangas, tramas e fios.
Ateliê Imperial - Bolsas, calçados e acessórios feitos à mão, em couro legítimo.
Cultura do Conforto - Puffes, sofás, chaise longue, poltronas, capas e sobre capas, entre outros.
Nelson dos Tapetes - Tapetes de sisal, algodão, lã e chenille; passadeiras e capachos. 
Ailton Móveis Rústicos - Aparadores, espelhos, mesas, cadeiras e outros móveis. 
Feito à Mão - Pintura country, pintura decorativa, artigos para cozinha e decorações em geral.
Sebastião Caçador Arte - Bolsas, cestos, caixas organizadoras e outros utensílios produzidos com fitas plásticas utilizadas em embalagens .
Leandro Artes - Pátinas, restauração, caixotes de feira pintados, mini caixotes e adegas.
Cida César Decorações - Porta guardanapos, toalhas de mesa, serviços americanos e sacolas em chita, entre outros.
Mini Garden - Arranjos permanentes com utilização de materiais confeccionados em seda, silicone e outros elementos como cascas de árvore, troncos, pedras e musgo.
Flor e Ar Essências - Difusores de aromas para ambientes, varetas e spray aromatizantes.
Roldofi Decor - Peças de decoração (Budas, fontes, imagens barrocas, corujas e outras) em gesso e resina, pintadas à mão.
Roberto Ximenes - Quadros estilos lousa, giz, colagem e retratos em tela.
Elza Artes - Porcelanas pintadas, pratos para decorações, pratos para refeições, xícaras e outras peças.
Artes em Cipó e Bambu - Cestos, vasos, bicicletas pra enfeitar jardins e outros.
Dalva Artes – Além de cachecóis, toucas e sapatinhos feitos em tricô, o estande oferece ainda casinhas para pássaros.
Marílza Artes em Madeira - Porta malas, mesas para churrasco, porta garrafas, tábuas para carne, bancos e espreguiçadeiras.
José dos Pássaros - Pássaros, frutas e imagens do Espírito Santo, entre outras peças em madeira.
Arte na Pedra - Pinturas em pedras e telas pintadas com tinta acrílica e óleo.
Escultura em Madeira – Variadas esculturas (peças únicas) feitas à mão em madeira.
Lúcia Drummond - Encadernação, restauração e papelaria.
Ateliê O Amor Está na Arte -  Quadros feitos com flores artificiais, relógios e garrafas de vinho; além de quadros para cozinha e banheiro e peças como porta rolhas e porta tampa de cerveja.
Alberto - Abajures feitos com garrafas, garrafões e carrinhos de madeira.
Naim - Fabricação e restauração de ombrelones e toldos, além de outras peças; exposição do automóvel Ford 1929 (Jardineira Imperial) restaurado.

Feira de Arte Augusto Daniel da Silva (Feirinha do Horto):
Sábados e feriados das 08h às 17h; domingos das 08h às 13h
Estrada União e Indústria, 9.500 - Itaipava


Negócio de família

     Quem visitar a feirinha terá a chance de conhecer a Jardineira Imperial, peça fundamental em um projeto familiar que nasceu quando o restaurador e antiquário Naim Simas adquiriu um Ford 1929 e recuperou o automóvel (utilizado no início do século XX para o transporte coletivo), em um trabalho que se desenvolveu ao longo de sete anos. Aproveitando o expertise de cada membro da família – em produção, gestão em turismo e administração –, ele transformou o que seria um simples hobby em um negócio rentável.
     O empreendimento é divido em duas partes: locação para casamentos e outros eventos e passeios turísticos pelo centro histórico, que incluem roteiros como o City tour religioso, com visitas a monumentos desta natureza, e o By night, realizado à noite. Ambos proporcionam ao turista uma experiência diferenciada em Petrópolis e reforçam o objetivo do projeto de fomentar o resgate da história da cidade.
     “Atualmente temos feito locações e, com isso, já começamos a receber retorno do investimento, mas a ideia é que este empreendimento se expanda e ganhe maior dimensão, com circuitos em toda a região serrana”, comenta Lívia Simas, filha de Naim e produtora cultural que participou do Projeto Empreender, uma parceria do Sebrae e do Canal Futura para o incentivo ao empreendedorismo jovem, com o negócio idealizado em família. O projeto participou também do Programa Iniciativa Jovem da Shell e conquistou, no ano de 2014, o selo de empreendimento sustentável.
     O automóvel ficou conhecido como “Jardineira” por transportar um grande número de mulheres que, na época, costumavam usar chapéus enfeitados com flores. “As pessoas logo começaram a comentar que o ônibus parecia uma jardineira e o nome pegou; então, agregamos a palavra “Imperial” por Petrópolis ser a cidade de veraneio de Dom Pedro II”, explica Naim.


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