As miniaturas são cheias detalhes, com diferentes formas, cores e texturas, além de charmosíssimas
Foto: Henrique Magro




A “Lavandinha” tem aparência semelhante ao brim


A “Jardineira” recebeu esmalte azul, linha e pingentes de metal


Confeccionada em porcelana, a “Luminária” é dotada de micro lâmpada de led e fio cristal


O modelo “O passarinho e a flor” tem desenhos feitos com lápis de cor e enfeite de metal


A bolsa “Ondas” é rica em detalhes como pespontos e dobras


A “Rosa” também ostenta desenho feito à mão por Cris




Os modelos “Viajante” e “Meu Avô” têm cor e textura de couro envelhecido


Fotos: Ernani d’Almeida

Especial

A arte de viver da arte



     A carioca Cris Loureiro é uma daquelas pessoas de senso estético aguçado, que transformam em arte tudo o que se propõem a fazer. Antes de montar sua própria oficina de cerâmica, fruto de muitos anos de prática no ateliê de Sylvia Goyanna, uma das mais conceituadas ceramistas do país, ela desenhou joias para a H. Stern, seu primeiro empregador. Depois, foi mais a fundo na moda, criando estamparias para grandes marcas como Company e Body Glove, fábrica que atendia, por exemplo, às lojas de departamento Mesbla e C&A. Formada em jornalismo pela PUC do Rio, preferiu, desde sempre, colocar seu talento a serviço da comunicação visual.
     “Fiquei por muitos anos trabalhando com desenho de estamparia, mas sempre tive a cerâmica, que faço desde 1986, como atividade paralela. Ainda hoje, gosto muito de trabalhar com o torno e de produzir utilitários, embora o foco principal esteja mesmo nas miniaturas, que são agrupadas em coleções”, diz a ceramista, que também costuma dar nome a cada uma das peças que produz.
     Atualmente, além de confeccionar com argila e porcelana as delicadas miniaturas de malas, bolsas e baús em sua casa-a­te­liê, em Itaipava, onde se estabeleceu há cerca de quatro anos, ainda faz de prosaicas caminhadas pelos arredores uma fonte de inspiração para o registro de imagens fotográficas e criação de poesias.
     O ineditismo e a sutileza dos pequenos objetos os levaram longe. Além de vários cantos do Brasil, estão em países como França, Portugal e Inglaterra. O olhar atento de Cris aos espaços por onde costuma caminhar a levaram à publicação da obra Début, livro que reúne fotos e poesias de sua autoria, lançado pela Editora Autografia em 2016.
     Nas miniaturas, Cris aplica diferentes esmaltes e texturas que imprimem às peças aspectos de couro e brim, além de outros tecidos. Em algumas, emprega também elementos como pecinhas de metal, linhas, fivelas e outros artigos de armarinho, que, confessa, exercem sobre ela um enorme fascínio; em outras, utiliza mais um de seus dons: desenhos de plantas e flores feitos à mão com lápis de cor. Alguns exemplares vão além da função decorativa e transformam-se em luminárias.
     Como inspiração para transformar o cotidiano em arte, a artista se serve de inúmeras referências significativas. Filha de uma atriz e poetisa e de um advogado amante das artes e das viagens, Cris cresceu íntima de museus, teatros e cineclubes. Também a praia e os hábitos cariocas formaram sua visão peculiar sobre todas as coisas; na orelha de seu livro registrou: “(...) E indo à praia do Leme também, jogar frescobol, tomar mate com limão, comer biscoito Globo e caçar tatuí. O mar lambia a areia e surgiam aqueles furinhos borbulhantes. Com esse ambiente, deu no que deu, minha visão do mundo é estética”.
     Cris não sabe ao certo de onde vem tamanho encantamento por malas e afins; mas se lembra nitidamente da primeira bolsa que ganhou, ainda bem criança, por volta dos cinco anos de idade. “Era uma bolsinha de verniz branco, que eu só podia usar para ir à missa aos domingos; era bem pequenina e ali eu carregava apenas um terço e um lencinho, mas era totalmente fascinada por ela”, recorda.
     A artista é representada com exclusividade pelo escritório da renomada marchand Martha Pagy, sediado no Rio de Janeiro, e todos os contatos pelos interessados nas peças – que são muito frágeis e, por isso, saem do ateliê acondicionadas em caixas de acrílico transparente – devem ser realizados através da empresa.

Martha Pagy Escritório de Arte:
(21)98141.3234
www.multiplos.art.br
marthapagy.escritoriodearte@gmail.com



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