As usinas eólicas respondem hoje por 8,5% da potência instalada em território nacional
Foto: Eucarya Consultoria Ambiental


Com aproximadamente 31 mil hectares, o Legado das Águas é a maior reserva privada de Mata Atlântica do país; a unidade de conservação é uma ação conjunta da Votorantim com o Governo de São Paulo e mantém programas nas áreas científica e ambiental, além de promover o desenvolvimento socioeconômico da região do Vale do Ribeira
Foto: Votorantim


O processo de conversão da energia solar utiliza células fotovoltaicas, produzidas com silício ou outro material semicondutor. Quando a luz solar incide sobre a célula, os elétrons do material são postos em movimento e geram eletricidade
Foto: Bloomberg (Califórnia, USA)


Os jardins filtrantes do Ribeirão Baguaçu, principal manancial de Araçatuba, utilizam estruturas flutuantes feitas de garrafas pet e mangueiras recicladas; plantas aquáticas são responsáveis por remover ou reduzir concentração de poluentes no ambiente
Foto: SAMAR Soluções Ambientais de Araçatuba


O sistema de irrigação por gotejamento permite um alto nível de uniformidade na aplicação de água e nutrientes às lavouras, além de promover a economia de água e o a proteção do solo; com esta tecnologia, o projeto Irriga Minas já beneficiou mais de 400 famílias de pequenos agricultores
Foto: Irrigação.Net

As cooperativas de catadores de lixo de Pernambuco sugeriram o design apropriado para as Ciclolix, que tem capacidade para recolher até 500 kg de materiais recicláveis e compartimentos específicos para os diferentes resíduos
Foto: Agência Alesc/Prefeitura de Sertãozinho


O foco principal do projeto Relix é a conscientização da população acerca da necessidade de redução da quantidade de lixo produzido, do descarte adequado de resíduos e da reciclagem desses materiais
Foto: Agência Alesc/Prefeitura de Sertãozinho

Um dos pontos de entrega do Programa ReOleo que atua de maneira efetiva para reduzir o impacto que o descarte de óleo de cozinha provoca no sistema de esgoto de Florianópolis. Uma parceria da ACIF (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) e a Paranaense Ambiental Santos, a responsável pelo recolhimento e reciclagem do produto
Foto: Miriam Zomer


A reciclagem do óleo de cozinha é uma ação fundamental para a preservação da saúde dos rios e uma das práticas que contribuem muito para isso é a instalação de ecopontos para a coleta em condomínios residenciais
Foto: Liber Residencial






Capa

Sustentabilidade
Um termo que se sustenta pela valorização de aspectos ambientais, sociais e econômicos


     Conceito originado em 1972, na Conferência das Nações Unidas realizada em Estocolmo, Suécia, a sustentabilidade tem como objetivo primordial a preservação do planeta e de seus recursos naturais. Embora a explicação seja desnecessária – toda a população mundial acima dos cinco anos de idade está careca de ter intimidade com o termo –, o número de indivíduos e empresas que adotam práticas sustentáveis em seu cotidiano está longe de ser considerado satisfatório.
     O conhecimento acerca da amplitude do conceito, com os tripés fundamentais que o embasam, é também ainda sofrível, uma vez que a tendência da maioria é relacionar a expressão unicamente à preservação ambiental, sem levar em consideração os aspectos sociais e econômicos. É a integração deste trinômio que possibilita sua validação e manutenção. Sem a perspectiva de educação, saúde, segurança, lazer e outros aspectos relacionados ao âmbito social - assim como aqueles ligados à esfera econômica: manufatura, distribuição e consumo de produtos e serviços – não há sustentabilidade ambiental que se sustente.
     A busca por alternativas que viabilizem a continuidade da existência do planeta é urgente e pode se dar de forma macro ou micro; ações empreendidas por grandes corporações, pequenas comunidades ou até individualmente são perfeitamente possíveis e fazem toda a diferença. Se envolver todos os níveis, melhor ainda. As atitudes podem ser de grande porte, como a criação de tecnologias para o uso de fontes energéticas renováveis e de unidades de conservação e desenvolvimento; médio, como a interação de poder público e cidadãos para a coleta consciente de lixo; e pequeno, mas não menos importante, como rever hábitos de consumo com atenção aos três R’s da sustentabilidade: reduzir, reutilizar e reciclar.
     Nos últimos anos, alguns projetos implantados por todo o Brasil tem-se mostrado capazes de servir de modelo e incentivo às práticas sustentáveis com respeito à amplitude do conceito. Boas ideias e exemplos que merecem ser copiados.

ENERGIAS RENOVÁVEIS
     Com suas atividades iniciadas em agosto de 2003, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) - instalado nos alojamentos que nas décadas de 1970-1980 foram ocupados pelos operários que construíram a Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná - foi criado por meio da assinatura de uma carta de intenções pactuada por autoridades brasileiras e paraguaias.
     A partir desta data, o compromisso primordial declarado pela empresa Itaipu Binacional de “gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental” passou também a incluir o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico, turístico, tecnológico e sustentável no Brasil e no Paraguai. Para isso, buscou a união entre empresas, centros de pesquisa, laboratórios e instituições de ensino locais para o desenvolvimento de pesquisas e aplicações de fontes energéticas complementares à hidráulica - como as energias solar e eólica, assim como biogás e hidrogênio - com pouco ou nenhum impacto direto sobre o meio ambiente. Hoje, com 15 anos de existência, o PTI abriga programas importantes ligados a estas fontes.
     O Atlas de Energia Solar do Estado do Paraná, elaborado com o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), resultou em um sistema online que permite aos cidadãos paranaenses consultar, com precisão, inclusive de acordo com a época do ano, a energia solar disponível em cada um dos 399 municípios do Estado. O projeto – parceria entre a Itaipu Binacional, a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – utilizou uma modelagem matemática que mede o espalhamento da energia solar no território, aliando imagens de satélite, e estações do Inpe e do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Um de seus objetivos é a ampliação do uso da fonte de energia renovável no Paraná, por meio, principalmente, de sistemas fotovoltaicos conectados à rede, uma vez que tanto o grande quanto o pequeno investidor tem uma base de informação confiável para fazer as suas simulações dos quantitativos de energia.
     O hidrogênio também esta entre as linhas de pesquisa do PTI por meio do Núcleo de Pesquisa em Hidrogênio (NUPHI). Resultado de um convênio firmado entre com a Eletrobras, o Núcleo conta com um laboratório equipado para a realização de pesquisas em alguns aspectos do gás. A implementação de uma Planta Experimental de Produção de Hidrogênio possibilita a análise de todo o ciclo de produção do hidrogênio, e ainda a purificação, compressão, armazenamento e posterior utilização em células a combustível ou combustão em mistura com outros combustíveis, como, por exemplo, o biometano. 
       Cada vez mais competitiva e popular no Brasil, a energia eólica também tem sido pauta nos estudos desenvolvidos ali. As usinas eólicas, que até meados de 2010 eram vistas como “experimentos” do setor, entraram de vez para a base de sustentação de abastecimento do país, e hoje respondem por 8,5% da potência instalada em território nacional. Outra fonte em que o PTI concentra seus esforços é o biogás, resultante do tratamento da biomassa residual de atividades agropecuárias para transformar o passivo ambiental em ativo energético e econômico. Em 2017, foi inaugurada uma Unidade de Demonstração de Biogás e Biometano dentro da Central Hidrelétrica da Itaipu Binacional e a planta é a primeira do Brasil que utiliza como matéria-prima uma mistura de esgoto, restos orgânicos de restaurantes e poda de grama. 

UNIDADE DE CONSERVAÇÃO
     Maior reserva privada de Mata Atlântica do país, com aproximadamente 31 mil hectares e localizada no Vale do Ribeira, o Legado das Águas é uma iniciativa que demonstra como as parcerias firmadas entre as corporações e o poder público podem resultar em grandes benefícios. De propriedade da Votorantim, o território, em avançado estágio de conservação, foi institucionalizado como Legado das Águas em 2012, em uma ação conjunta com o Governo do Estado de São Paulo. Com proposta de gestão compartilhada, o projeto se propõe a facilitar avanços em estudos científicos, educação ambiental, uso público, proteção de espécies ameaçadas de extinção e desenvolvimento socioeconômico da região.
     A área é contigua ao Parque Estadual do Jurupará e a outras unidades de conservação, com a formação de um extenso e importante corredor ecológico entre o interior e o litoral de São Paulo. A riqueza da fauna e flora locais possibilita o desenvolvimento de pesquisas em diferentes segmentos. Mais de 50 parceiros realizam projetos que geram informações e conhecimento público sobre a Mata Atlântica, o bioma com a maior biodiversidade do planeta, e ao mesmo tempo, o mais ameaçado. Ali já foram identificadas mais de 765 espécies de plantas, além de animais como o macaco-muriqui (o maior das Américas), a onça-parda, o cachorro-vinagre e a raríssima anta albina. Além de realizar o monitoramento ambiental, visando à educação e à interpretação das espécies e do bioma, o Centro de Pesquisas da reserva se responsabiliza pela manutenção da qualidade das águas. Desde 2014, o Legado das Águas mantém parcerias com as prefeituras de Juquiá, Miracatu e Tapiraí para desenvolver um trabalho conjunto destinado ao desenvolvimento econômico local e à conservação da mata e da bacia do Rio Juquiá, onde está localizado. Às atividades de pesquisa e educação ambiental, juntam-se o e ecoturismo e outras possibilidades de negócios a partir dos recursos ambientais ali presentes com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento da região onde se insere.
     A reserva mantém ainda um viveiro que produz 200 mil mudas ao ano e possui tecnologia que permite a produção de uma ampla variedade de espécies, inclusive as raras de serem encontradas no mercado.  O viveiro fornece projetos ou mudas de recomposição florestal em Mata Atlântica; projetos ou mudas deste bioma para paisagismos inovadores que, em edificações, contribuam para certificações de sustentabilidade, além de parcerias para reflorestamento de centros urbanos.
     O Legado das Águas oferece atividades e cursos que proporcionam aos visitantes, além da diversão, uma vivência diferente na Mata Atlântica. Todas as atividades são oferecidas por empresas parceiras que se encarregam do processo de inscrição, pagamento e logística. Há opções como canoagem, bicicletas e observação de aves, além da realização de turismo científico e cursos.

ÁGUAS LIMPAS
     Outro projeto que envolve governo, empresas e comunidades locais é o recém-implantado pela Samar – Soluções Ambientas de Araçatuba – também no Estado de São Paulo. Lançado no início de 2017, o programa consiste na instalação de jardins filtrantes no Ribeirão Baguaçu, principal manancial de Araçatuba, que atravessa a cidade e é responsável por 60% da água distribuída para a população.
     Para a realização, foram construídas estruturas flutuantes feitas de garrafas pet e mangueiras recicladas que recebem plantas aquáticas (macrófitas) – como o Aguapé e Alface d’água, disponíveis na região – para fazer a biorremediação, processo em que organismos vivos são utilizados para remover ou reduzir concentração de poluentes no ambiente. Uma das principais características do projeto é o envolvimento direto dos colaboradores da empresa e da comunidade local em todas as etapas. Para reunir parte do material necessário, por exemplo, foi organizada uma gincana para a obtenção de 1,2 mil garrafas pets que sustentam as estruturas.
     Diferentes parceiros também foram convidados a participar: alunos dos cursos de Engenharia de Bioprocessos, Engenharia Civil e Biomedicina do Centro Universitário UniSalesiano de Araçatuba, com orientação de professores, acompanharam a construção das estruturas e ficaram responsáveis pelas análises da qualidade da água antes e depois da passagem pelos jardins flutuantes. A ONG “Amigos da Árvore”, vizinhos da Samar, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Secretaria da Educação e Sindicato Rural da Alta Noroeste também são parceiros.
     Ao mesmo tempo em que são colhidas evidências técnicas da melhoria da qualidade da água, são realizadas ações de educação ambiental para a preservação do Ribeirão Baguaçu, envolvendo toda a comunidade: visitação de crianças das escolas próximas, visitas técnicas de alunos do Centro Universitário UniSalesiano e divulgação dos projetos nos bairros próximos ao Ribeirão, além de mapeamento da população ribeirinha.

ECONOMIA E QUALIDADE O projeto Irriga Minas – da Secretaria de estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) em parceria com o Ministério da Agricultura – investe em uma solução simples, mas de grande eficácia, para assegurar a produção agrícola com maior qualidade, gerar renda, evitar o êxodo rural e garantir merenda mais saudável nas escolas municipais.
     O sistema de irrigação por gotejamento pode reduzir o consumo de água, os custos de produção e ainda aumentar a produtividade. Atualmente, a tecnologia é tida como uma das mais eficientes, pois permite um alto nível de uniformidade na aplicação de água e nutrientes às lavouras. Como o sistema é localizado (a gota d’água cai próxima às raízes das plantas), sua eficiência é elevada e não há desperdício de água. O gotejamento é associado ainda à proteção do solo por diminuir a evaporação da água e a proliferação de ervas daninhas, garantindo a redução do consumo de água em até 80%, em comparação com outros tipos de irrigação.
     Até abril de 2018, o programa distribuiu mil kits para 81 municípios mineiros, beneficiando 410 famílias de pequenos agricultores. Cada kit conta com bobina, tubos, caixa d’água, planta gotejadora, entre outras partes, é de simples instalação e adaptado para frutas e hortas da agricultura familiar. O objetivo é contribuir para a melhoria da produção para que os alimentos cheguem às escolas e às mesas das pessoas com mais qualidade.

LIXO, ARTE E TECNOLOGIA
     De Pernambuco vem um bom exemplo de como se contribuir para o enorme problema que as metrópoles enfrentam para o descarte de lixo. O Projeto Relix - inciativa da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do governo estadual com o patrocínio do Serviço Social da Indústria (Sesi-Pernambuco) – foi iniciada em 2014 e o objetivo é estimular as pessoas a repensar o problema do lixo através da arte e da tecnologia.
     O foco do projeto – que engloba diferentes ações, como apresentações teatrais (Espetaculix); entrega de cartilhas educativas; doações de lixeiras seletivas para escolas participantes do projeto; desenvolvimento de um aplicativo (Aplicativolix); entrega de 100 bicicletas coletoras (Ciclolix) para catadores de cooperativas de Pernambuco e exposição de fotos sobre a importância dos catadores de lixo – é a conscientização da população acerca da necessidade de redução da quantidade de lixo produzido e do descarte adequado de resíduos, assim como da reutilização de materiais.
     O Aplicatovolix foi desenvolvido para que os usuários encontrem pontos de coleta de recicláveis ou contatem um catador para recolher o material em domicílio. O papel social do projeto inclui a entrega de bicicletas adaptadas a catadores de cooperativas de Pernambuco, que sugeriram o design apropriado para as Ciclolix. As bicicletas tem capacidade para recolher até 500 kg de materiais recicláveis e são dotadas de divisórias para vidro, papel, plástico e metal, incluindo amassadores de latinhas e garrafas pet. Além de facilitar o trabalho dos catadores, o equipamento substitui a força motriz de animais para as pesadas cargas pelos coletores de lixo que antes utilizavam carroças.

O PAPEL DE CADA UM
     Assim como no caso dos resíduos sólidos, outra questão que depende da participação de todos e merece toda a atenção é o descarte do óleo de cozinha feito, de modo geral, pelo ralo da pia e que se acumula nas caixas de gordura de casas ou prédios residenciais e comerciais. O óleo descartado que passou pelos encanamentos e não ficou retido na caixa de gordura chega às redes que coletam o esgoto e, quando não há um sistema de tratamento adequado, acaba se espalhando na superfície de rios e represas, contaminando a água e prejudicando a vida de muitas espécies que vivem nesses habitats. Estudos apontam que um litro de óleo chega a contaminar 20 mil litros de água. Se acabar no solo, o líquido pode impermeabilizá-lo, o que contribui com enchentes e alagamentos. Além disso, quando entra em processo de decomposição, o óleo libera o gás metano que, além do mau cheiro, agrava o efeito estufa.
     Existem atualmente inúmeras entidades e empresas que realizam coleta e reciclagem de óleo e atuam junto a diferentes segmentos – bares, restaurantes, hotelaria, condomínios, cozinhas industriais e residenciais – por meio de recebimento de doação ou compra da gordura proveniente de cozinhas. Depois de coletados, os resíduos são reciclados e utilizados como matéria-prima em atividades produtivas do setor industrial não alimentício, como, por exemplo, na fabricação de tintas, massa de vidro, sabão, biodiesel e outros. A prática evita que os resíduos engrossem ainda mais a massa de poluentes que saturam rios e represas, oferecendo uma resposta rápida a este desafio.
     Para que o processo de mudança cultural que leva à efetiva sustentabilidade aconteça, condutas simples como reduzir, reutilizar e reciclar são mais do que urgentes e de responsabilidade geral. Com o apoio da tecnologia fica ainda mais descomplicado e a busca na Internet por um ponto de coleta de óleo em sua região pode ser um bom começo.

Fontes: www.pensamentoverde.com.br
www.legadodasaguas.com.br
www.ecosinbi.com.br
www.valadares.mg.gov.br
www.portalamm.org.br
www.seplag.pe.gov.br
www.biorib.com.br
www.liberresidencial.com.br

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